O RISCO DE ESTAR NA NCAA COMPENSA?

Outro problema que levou a grandes críticas à NCAA, por parte de inúmeros jogadores profissionais, foi a lesão de Zion Williamson. Isto ocorreu no dia 20/2/2019, aquando o jovem norte americano sofreu uma lesão no joelho após um rompimento incomum de uma sapatilha. Zion, que era então apontado à 1ª escolha do draft (como se veio a suceder mais tarde), foi obrigado a parar e mesmo que o diagnóstico inicial não tenha sido dos mais graves, acendeu uma luz amarela e gerou uma série de críticas entre os astros da NBA ao sistema de basquetebol universitário dos Estados Unidos, controlado pela NCAA.

Nomes de peso como Isaiah Thomas e DeMarcus Cousins aconselharam Zion Williamson a não atuar mais pela faculdade de Duke e a preservar-se para o Draft da NBA. Apesar da lesão, o extremo poste, como foi referido anteriormente, foi mesmo a primeira escolha no Draft de 2019, e recebeu um contrato de mais de 20 milhões de dólares por três anos. Mas importante sublinhar que nem todos têm um desfecho semelhante. Basta relembrar Bol Bol, na medida que o jovem foi projetado como escolha de lotaria até à grave lesão que sofreria pela Universidade de Oregon, caíndo, à posteriori, para uma das últimas escolhas do Draft de 2019. A culpa da lesão não é naturalmente da faculdade, mas imagine-se o dinheiro que Bol Bol não teria ganho até ao Draft, se tivesse optado por uma trajetória profissional.

Apesar do sucesso de Zion, resultado do seu talento incomum e de ser considerado um fenómeno, como foi mencionado anteriormente, tal não se sucede com todos. DeMarcus Cousins (ex jogador dos Lakers) foi bastante duro com a NCAA, ao passo que após a lesão de Williamson proferiu, em entrevista à ESPN, o seguinte: “com a experiência que tenho hoje, acho que o basquetebol universitário é uma m****. A NCAA é uma m****. Meu conselho é: faz o melhor para ti para a tua família.” O internacional norte americano, depois de uns últimos anos muito complicados resultado de várias lesões, conhece bem os prejuízos que uma lesão pode provocar na carreira de um atleta. Cousins admitiu, contudo, ter gostado bastante do período que passou na universidade de Kentucky, não obstante destacou que o retorno financeiro para os atletas é praticamente inexistente por parte da NCAA. O versado poste questionou ainda o valor dos ingressos para o jogo entre Duke e North Carolina (jogo no qual Zion se lesionou) e como é que este dinheiro beneficia os jogadores das respetivas faculdades.

Após ter sofrido várias lesões ao longo da sua vida profissional, o base de 1.75cm Isaiah Thomas, foi outro jogador a criticar o atual sistema da NCAA.

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Num «tweet» o base norte americano afirmou o seguinte: “Deixem essas crianças irem diretamente da Escola para a NBA!!! Tem muita coisa em jogo para arriscar jogar o basquetebol universitário quando se tem uma real chance entre os profissionais. Uma lesão pode mudar a carreira. Zion, senta-te o resto do ano e estaremos prontos para te receber na liga dos adultos”, escreveu Thomas, direcionando no fim, o discurso para Zion Williamson.

Desde 2005, a NBA não permite que se candidatem ao Draft jogadores com menos de 19 anos. Também só pode participar quem terminou a escola há um ano ou mais, medida esta que força muitos atletas a jogarem pelo menos uma temporada na NCAA.

Apesar dos vários constrangimentos, os jovens atletas estão cada vez mais recheados de opções, ao passo que a G-League tem incrementado os prémios e valorizado cada vez mais os jovens que pretendem sair da escola diretamente para a sua liga, oferecendo uma plataforma que lhes permita evoluir e dar o salto posterior para a NBA. Depois de Jonathan Kuminga, Jalen Green e Isaiah Todd, espera-se que haja mais jogadores jovens de classe mundial a preterir a NCAA pela G-League.

Isto é, para quem pretende permanecer no país, visto que o sucesso «overseas» de recentes jogadores jovens norte americanos, fomenta uma «onda» de atletas a optarem cada vez mais pela saída para outros países e outras ligas profissionais.

Resultado disto mesmo, a NCAA estuda uma possível mudança nas suas regras, mas chegará a tempo para evitar uma mudança radical de paradigma? É uma questão que nos próximos cinco anos teremos a resposta.

Para finalizar, a tendência é que a NCAA se desvalorize cada vez mais, à medida que scouts vão, cada vez mais, prestando atenção ao que se passa na G-League e fora do país norte americano, sendo que os recentes exemplos de RJ Hampton e Lamelo Ball poderão ainda mais catalisar futuros jogadores norte americanos a optarem por rotas semelhantes.

Foto de Capa: Duke’s Men Basketball

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O Diogo lembra-se de seguir futebol religiosamente desde que nasceu e de se apaixonar pelo basquetebol, assim que começou a praticar a modalidade (prática que durou uma década). O diálogo desportivo, nas longas viagens de carro com o pai, fizeram o Diogo sonhar com um jornalismo apaixonado e virtuoso.                                                                                                                                                 O Diogo escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.