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Ontem, realizou-se 63º jogo anual dos All-Stars da principal liga de basquetebol a nível mundial. Antes de mais, devo admitir que me apanharam desprevenido. O jogo foi muito mais excitante do que aquilo de que eu estava à espera. O resultado final surpreendeu-me, as actuações individuais maravilharam o público, e a equipa que venceu não era, de todo, aquela que eu esperava.

Os melhores jogadores de Este começaram mais fortes, colocando-se à frente do resultado, mas isso não durou muito tempo. A equipa liderada por Blake Griffin e Kevin Durant rapidamente recuperou e com todo o estilo que é associado a este fim-de-semana. O primeiro período deu o mote para um jogo soberbo, cheio de afundanços, alley-oops, e todo o tipo de jogadas que deslumbraram, certamente, o público que teve a hipótese de ver o jogo. A figura dos 12 minutos iniciais foi Blake Griffin, que marcou 18 pontos.

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A primeira parte acabou com uma vantagem por parte da conferência Oeste (89-76). Tudo levava a acreditar que este jogo iria ser único, marcando um total de pontos nunca antes alcançado.

Entretanto, um gesto especial foi feito para homenagear um dos melhores jogadores que esta modalidade já viu – Bill Russel, que comandou os Boston Celtics para 11 títulos, nove deles consecutivos. Todos os jogadores, alguns mais estupefactos do que outros, puderam apertar a mão de uma lenda viva, no seu aniversário.

Continuando, neste momento, o resultado avolumado confirmava o que seria de esperar: pouca defesa, muitíssimo ataque.

Kyrie Irving foi justamente coroado MVP do jogo dos All-Stars e mereceu a ovação por parte das outras estrelas Fonte: @NBA
Kyrie Irving foi justamente coroado MVP do jogo dos All-Stars e mereceu a ovação por parte das outras estrelas
Fonte: @NBA

Começa o terceiro período, e tudo igual: ataques constantes, pontos soberbos, que nunca num jogo normal seriam testados. Nestes minutos que se seguiram, tudo deu para ser feito, até Dwight Howard tentou um triplo, e foi nessa altura que começou o show de Kyrie Irving – à entrada dos últimos minutos do jogo, o fantástico base dos Cavaliers tinha 16 pontos e 10 assistências. Do outro lado, questionava-se sobre se Griffin ou Durant seriam capazes de bater o recorde registado por Wilt Chamberlain, marcando mais de 42 pontos; ambos tinham 30 pontos cada um.

Foi no final do jogo que a defesa começou, muito levemente, a apertar. Claro que era uma amostra do trabalho feito fora deste fim-de-semana; contudo, comparando com o que foi o resto do jogo, tudo era maravilhoso. Foi nesta altura que todos se aperceberam de que, apesar de a equipa de Este ter estado a perder por 18, tínhamos um jogo que seria disputado, e, três minutos depois do início do último período, o jogo estava empatado. “Uncle Drew” assombrou todos os jogadores que o tentaram parar. Carmelo Anthony atingiu uma marca nova no jogo dos All-Stars, marcando oito triplos durante o jogo; foi uma das peças fundamentais na vitória.

Os estreantes não viraram a cara ao fascínio e ao deslumbre que um jogo deste calibre poderia causar e todos, apesar de uma ou outra falha, jogaram como verdadeiras estrelas. Dwyane Wade, apesar de debilitado por constantes lesões nos joelhos, jogou cerca de 11 minutos e amealhou 10 pontos e três assistências.

O grande confronto entre LeBron James e Kevin Durant, apesar de intenso, não levou a um grande espectáculo, pois “Durantula” levou a melhor e, por vezes, deu um autêntico bailinho ao MVP.

O jogo acabou num ritmo frenético, e, com o auxílio de todas as suas estrelas, a conferência oriental acabou por cima (163 – 155). E o melhor jogador foi, sem qualquer margem para dúvidas, o jovem Kyrie Irving – o base da equipa de Cleveland foi deslumbrante em todas as suas acções e em todos os momentos em que esteve em campo.

Num ano em que se estraram novas camisolas, com mangas para variar, com as cores da cidade Nova Orleães, o público teve uma oportunidade de ver um jogo bastante singular, e fico feliz por ter ficado acordado. Nenhum dos craques descansou enquanto o jogo não acabasse, o que tornou tudo mais emocionante, até à última jogada.

Dizer que o que aconteceu ontem foi espectacular é redutivo. Aliás, quase todos os adjectivos que me consigo recordar para descrever o jogo de ontem são redutores. As estrelas vieram a Nova Orleães e conquistaram a cidade do Mardi Gras. Foram 48 minutos dignos de terem o título de All-Stars.