cartaaberta

Caro Kobe Bean Bryant,

Duvido de que algum dia vejas este texto, mas, de qualquer forma, fica a homenagem. Daí que também opte por escrever num registo mais “pessoal”. Já tinha feito um “Jogadores que Admiro” sobre ti, ainda assim, no dia da tua despedida dos pavilhões, não poderia deixar de escrever algo mais.

Tal como enfatizei no tal artigo, és o meu jogador preferido na NBA, e foi devido a ti que me tornei adepto dos LA Lakers. A tua forma de jogar, a maneira como conduzias a equipa, a “relação” que existia entre ti e a bola, o teu espírito e força de vontade, a tua competitividade, o teu querer mais do que todos, e muitos outros aspetos, fizeram-me ter-te como um “modelo” em termos do que poderia ser uma espécie de protótipo de um jogador de basket.

Um verdadeiro vencedor, um guerreiro, dentro e fora do campo (quem não se lembra da altura em que sofreste uma grave lesão, em 2013, no tendão de Aquiles, e ainda tiveste a capacidade e coragem para ir marcar os lances livres correspondentes…), enorme lutador, sendo que passaste um período em que as lesões iam e vinham, iam e vinham, mas não deixavas de lutar, de (re)agir, de voltar a erguer, por muito difíceis que fossem as recuperações.

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Dos jogadores mais carismáticos que pisaram um pavilhão, deixando poucas pessoas indiferentes ao que fazias ou dizias. Algo polémico, por vezes, mas isso também faz parte. Não deixas de ser um dos melhores jogadores de sempre, uma lenda, no pleno sentido da palavra. Para mim, o melhor, considerando tudo, depois do eterno Michael Jordan.

Como é curioso refletir no que teria acontecido se tivesses ficado nos Hornets… Será que te tornarias um dos melhores? Nunca se saberá. Mas tenho confiança de que sim, só que acabaste por vir para onde querias ter vindo e em boa altura o fizeste. “Saltaste” diretamente do high school (em Portugal, o equivalente ao ensino médio) para a NBA, foste um desses poucos casos. É incrível como te selecionaram apenas no 13.º naquele draft e te tornaste no jogador que foste, és e sempre serás. Outra situação bastante curiosa é o facto de a ida para os Lakers coincidir com o meu ano de nascimento, 1996.

Kobe Bryant despede-se do espetáculo da NBA Fonte: LA Lakers
Kobe Bryant despede-se do espetáculo da NBA
Fonte: LA Lakers

Aos 37 anos, sendo que 20 deles foram dedicados ao nível mais alto no mundo do basket, o grande “Black Mamba” faz * a sua última partida pelos Los Angeles Lakers, um dos melhores e mais históricos franchises da história da NBA. No também mítico Staples Center, a equipa da casa recebe os Utah Jazz num enorme ambiente de festa e homenagem a um dos melhores jogadores da história, não só da equipa, como da própria liga profissional de basquetebol norte-americano. Casa cheia para ver o último jogo desta lenda e o último jogo, neste ano, dos Lakers, que, infelizmente, na última época do Kobe, fazem um dos piores recordes de sempre da equipa. Mas será mesmo um virar da página, quer para a equipa, quer para o camisola 24 (que teve em Shaquille O’Neal e Pau Gasol dois dos seus mais “fiéis” e conhecidos companheiros, dois excelentes jogadores e que também estarão para sempre na história da NBA).