Cabeçalho modalidadesGarantem que em Nova Iorque existe um court de basquetebol em cada esquina. Hoje, novembro de 2017, garanto que finalmente se respira para os lados do Garden.

Há três semanas, se algum visitante do futuro me contasse que os New York Knicks iriam começar a época com um record de 6-4, que estariam em lugar de play-offs e que, principalmente, a magia estaria de volta ao Madison Square Garden, chamaria a este visitante louco. Considerada como a meca das arenas desportivas, o recinto dos Knicks está novamente desperto, com um público constantemente com a equipa e com verdadeira magia a suceder, sobretudo nos últimos doze minutos de cada jogo. Enquanto fã, é uma bela altura para se estar vivo.

Cresci longe, do outro lado do Atlântico, ouvindo histórias, mitos de como jogar em Nova Iorque, com uma camisola dos Knicks e no Garden era especial. Os dissabores da última década e meia nunca comprovaram a veracidade destas histórias. Hoje, finalmente, acredito. Em cada jogada sente-se o peso da camisola, o suor, a garra, a força, a intensidade da cidade que nunca dorme.

É possível dizer quem em 2017, a metrópole das luzes despertou do seu longo sono. Tudo isto acontece nas asas de um letão que nasceu com o destino de voltar a trazer o sucesso a um dos franchisings com mais história da NBA. Kristaps Porzings está superar todas e qualquer espectativas neste seu terceiro ano, livre agora para ser a estrela da equipa. As suas médias são de MVP e só os meus sonhos sabem o quanto quero ouvir aquela arena cantar para ele.

E o rookie, como eu gosto deste rookie. Frank Nitlikina, este nome quase impronunciável, demonstra as qualidades necessárias para ser o point-guard que esta equipa precisa, a começar no seu trabalho defensivo absolutamente extraordinário. Comete erros, como qualquer novato, mas tem em Jarrett Jack o mentor que o vai levar ao sucesso rapidamente. E Tim Hardaway Jr., apesar de algum dinheiro a mais no seu contrato, é um atirador nato e um bom complemento para as duas estrelas no futuro. Como é bom amar Nova Iorque, como é bom amar os Knicks mas, como é difícil aceitar a realidade e ver para além do presente.

Anúncio Publicitário
Frank Ntilikina é uma das bases para construir o futuro dos New York Knicks Fonte: NBA
Frank Ntilikina é uma das bases para construir o futuro dos New York Knicks
Fonte: NBA

Como são cruéis os deuses do basquetebol, como colocam em confronto tantos sentimentos. É bom ser relevante no presente, mas o que importa mesmo é conquistar anéis no futuro e para isso, ganhar agora não é bom. Falta mais talento a esta equipa, falta um scorer facilitador e falta um big-man para juntar a Porzingis, não acreditando eu que Kanter ou Hernangomez sejam a resposta. E o draft de 2018 tem as respostas para estes problemas.

Michael Porter Jr. é um talento incrível que encaixa que nem uma luva nesta equipa, tirando algum peso a Kristaps no que à pontuação diz respeito. De Andre Ayton ou Mohamed Bamba são bigs que podem ser um complemento ao Kristaps, sobretudo no segundo caso com as qualidades defensivas que já possuiu o Center da Universidade do Texas, mas que é um nativo da cidade de Nova Iorque, juntando-se claramente o útil ao agradável e formando-se cada vez mais uma cultura de equipa assente na supremacia da defesa.  Mas para isto, temos que ser uma equipa de lotaria. Para isto, temos que perder. Para conseguir juntar pelo menos mais um grande talento, temos que perder. Dói, dói muito, mas a necessidade é imperial.

Como disse anteriormente, o presente é agradável e estamos finalmente a competir. Mas todos sabem que em Nova Iorque não chega competir. Queremos um título. Queremos anéis. Queremos banners no topo do Garden. A necessidade é dar um passo atrás, sobretudo nesta época, para num período de três a cinco anos podermos voltar a festejar. É com amor que escrevo e com esperança no futuro. Once a Knick, always a Knick.   

Foto de Capa NY Knicks