Ponto prévio: eu odeio o basquetebol de James Harden. Não é apenas uma ligeira “comichão” que me dá quando o vejo, ou uma simples vontade de mudar de canal quando ele aparece. É a vontade de ver um qualquer Bismack Biyombo ou Jonas Valanciunas arrancar-lhe a bola das mãos com os cotovelos a atingirem-lhe a cara. Eu sei, eu sei, tenho problemas de raiva. Mas o basquetebol, pelo menos para mim, não consiste em um homem com a bola 15 segundos no topo da linha de três pontos, que decide que depois vai procurar a falta (que consegue muitas vezes) até o adversário ser obrigado a dar-lhe espaço suficiente para ele fazer o que quer.

Porém, isso não me impede de também apreciar o seu basquetebol. Confuso? Talvez, mas eu explico. A constante vitimização de Harden não me permite ver mais de dois minutos seguidos sem precisar de uma possibilidade do Burger King, mas o que o MVP faz com a bola… poucos o fazem igual. O drible como se tivesse um fio preso à bola, a capacidade para ganhar separação do seu defensor com uma simples finta de corpo ou um primeiro passo tremendo e a pontaria, seja de três pontos, seja perto do cesto, são incomparáveis.

James Harden e Kyrie Irving protagonizaram um dos grandes frente-a-frente da temporada até agora
Fonte: Houston Rockets

James Harden é o MVP com mérito, da mesma maneira que LeBron James seria. Harden é candidato ao prémio novamente, com todo o mérito. O seu desempenho nos últimos jogos, após a perda de Chris Paul, está ao nível do melhor que já se viu na NBA. O “barbas” está a levar uma equipa de Houston às costas de volta aos primeiros lugares da liga e, mais uma vez, à discussão pelo anel, de que não esteve assim tão longe no ano passado.

Tudo isso é mérito de alguém que era terceira (ou quarta?) opção em Oklahoma e que saiu para provar o seu valor, tendo conseguido. Por muito feio, secante ou “espertalhão” que seja o seu jogo (fazendo-me odiá-lo cada vez que joga), não há maneira de ignorar ou de fingir que Harden tem sido, por larga margem, o melhor jogador da NBA nas últimas semanas. É por isso (e por estar a carregar sozinho uma equipa no difícil Oeste) que tiro o meu chapéu enquanto aplaudo James Harden. Mesmo com um ódio que não sai cá de dentro.

Texto revisto por: Mariana Coelho

Foto de Capa: Houston Rockets

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Tem 22 anos, é natural de Paços de Ferreira e adepto do SL Benfica. Desde muito pequeno que é adepto de futebol, desporto que praticou até aos 13 anos, altura em que percebeu que não tinha jeito para a coisa. Decidiu então experimentar o basquetebol e acabou por ser amor à primeira vista. Jogou até ao verão passado na Juventude Pacense e tem o Curso de Grau I de treinador de basquetebol desde os 19. O gosto pela NBA surgiu logo quando começou a jogar basquetebol e tem vindo a crescer desde então, com foco especial nos Miami Heat.                                                                                                                                                 O António escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.