Ainda na ressaca do All-Star Weekend, a NBA acorda hoje com o primeiro dia de jogos. A segunda parte da fase regular chega sempre com um extra: é o percurso final para os playoffs e, se tudo correr bem, para as finais.

Será que, mais uma vez, Cavaliers e Warriors encontram-se nas finais? Será que os Pelicans asseguram um lugar no top oito do Oeste sem DeMarcus Cousins, ou alguma equipa vai surpreender? Será este o ano em que os Sixers acabam com a seca de seis anos sem playoffs, ou alguém vai expulsá-los da corrida? Só sabemos uma coisa: nem os Suns nem os Hawks vão lá estar. Vá, são duas coisas, porém, não deixam de ser verdade.

Quais são as verdadeiras vantagens de ir e não ir aos playoffs?

O espectador menos assíduo reponde que é óbvio: “o título só se ganha se se jogar nos playoffs”. A análise, de facto, é correta, contudo, não desvalorize o aspeto monetário da situação. É isso que motiva os GM’s (cargo semelhante ao de diretor desportivo no futebol) e os donos das equipas como os New Orleans Pelicans e os Portland Trail Blazers (equipas de mercados pequenos e sem aspirações para ganhar o título): o dinheirinho.

Para equipas jovens, a experiência que se adquire ao jogar constantemente contra a mesma equipa num curto espaço de tempo é, sem dúvida, inestimável, mas… dinheirinho.

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Do outro lado está o tanking. Uma estratégia protagonizada por certas equipas, conhecidas por tankers, que, segundo o dicionário, significa:

  1. Equipa que perde propositadamente para ter maiores probabilidades de obter uma melhor escolha no draft do ano seguinte;

Palavras relacionadas: Philadelphia 76ers, Sam Hinkie, “Trust the process”

Este ano a encabeçar o espetáculo não temos os Sixers, mas sim os Dallas Mavericks. O seu dono, Mark Cuban, foi multado pela NBA em seiscentos mil dólares por incentivar os seus jogadores a praticar o tanking. É lógico que mais derrotas implica pior classificação, que implica maiores probabilidades de ter a primeira escolha do draft, mas esta sequência não acaba sempre com “jogador que revoluciona a equipa, ganha muitos títulos e vivem felizes para sempre”. Há outras estratégias! Perguntem aos Boston Celtics.

Contudo, é importante frisar que será o último ano que isto acontece. No próximo ano a probabilidade de obter a melhor pick será igual para as três equipas com pior recorde.

Quais são as equipas que vão “partir pedra”?

Os Utah Jazz estão imparáveis. A equipa tem, discutivelmente, o rookie mais impressionante da temporada. Donavan Mitchell não para de fascinar e, depois de ter ganho o Slam Dunk Contest, deve atacar esta segunda fase com motivação acrescida. Apesar de estarem sentados no décimo lugar da conferência oeste com menos uma vitória que o oitavo classificado, têm no bolso a maior sequência de vitórias atual, com onze incríveis e merecidos triunfos. O lugar nos playoffs está mesmo ali, e depois da dramática saída de Gordon Hayward (a ex-estrela da equipa) para os Boston Celtics, no verão passado, seria, indiscutivelmente, uma das melhores narrativas nesta época de NBA. Mérito para Quin Snyder que se coloca, automaticamente, em boa posição para vencer o prémio de Coach of the Year.

No Este, os Detroit Pistons vão querer provar que estiveram bem ao trocar por Blake Griffin. A equipa respondeu bem à sua inclusão, a meio da época, no plantel. O treinador é experiente, mas a equipa não se adequa ao normal estilo de jogo que impôs nas suas anteriores equipas. Faltam lançadores puros. Numa geração marcada pela subida do número de lançamentos de três e por jogadores mais virtuosos e multifacetados defensivamente, ou Andre Drummond e Blake Griffin (as estrelas da equipa) aprendem a esticar o campo, ou não há futuro para esta equipa. Blake pode, de facto, funcionar como distribuidor de jogo, o chamado Point Forward mediatizado por LeBron James. É o suficiente para ir aos playoffs este ano, mas não muito mais.

Quem pode quebrar a tradição Cavaliers vs Warriors?

Os Boston Celtics são, talvez, a resposta mais consensual. Os Cleveland têm uma equipa nova, que deu bons sinais, mas temos de esperar para ver. Por sua vez, os Celtics não estão bem. São extremamente dependentes de Kyrie Irving no jogo ofensivo e, a defesa, aquilo que os distingue das restantes equipas, mostrou inconsistência. É verdade que faltou Marcus Smart, uma das âncoras defensivas da equipa. É verdade que são demasiado jovens. Todavia, se há uma palavra que defina os Boston Celtics é resiliência. O que não foi evidente nos últimos tempos. Não são favoritos, porque contra LeBron só os Warriors o são, mas estão na luta, e lutar é com eles.

DeMar DeRozan brilha ao serviço dos Raptors
Fonte: NBA

Entretanto, os Toronto Raptors, sorrateiramente, encontram-se em primeiro na Conferência Este. Num ano em que todos os analistas antecipavam o fim da linha para esta equipa dos Raptors, Dwane Casey revitalizou os jogadores e o estilo de jogo e, neste momento, parecem assentar que nem uma luva nas finais. O banco, apesar de jovem, está bem constituído e, melhor que tudo, a jogar divinalmente. A tarefa dos Cavs é difícil, e muito por causa destes dinossauros.

No Oeste os Houston Rockets são a equipa a temer, e há razões para temer, e muito. James Harden está na frente da corrida para o prémio de Most Valuable Player, os Rockets têm, na minha opinião, o melhor plantel da NBA e, para surpresa dos espectadores, estão a defender bem. O ataque é aquilo que se sabe: “se vocês marcam 120 pontos nós marcamos 121”. Triplos, triplos e lançamentos na passada manhosos do James Harden.

Será o suficiente para ameaçar os detentores do título, que parecem pouco focados?

A NBA é isto, e no final ganham os Warriors.

Foto de Capa: NBA