A história dos pelicanos e da gaivota que os ensinou a voar

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De dois dos melhores postes do mundo tanto mulheres como homens comuns esperarão um fio elétrico, já o adepto de basquete ansiará por jogos mais físicos, que os transportem para os anos de Shaq, Hakeem Olajuwon, Kareem Abdul-Jabbar, Wilt Chamberlain, ou mesmo Bill Russell, (para os mais leigos: poste, para além de ser aquela coisa com que chocam na rua quando andam desatentos, é uma das posições do basquetebol. É ocupada, habitualmente, pelos jogadores mais altos e fortes, visto que se responsabilizam pela zona mais próxima do cesto).

Contudo, os New Orleans Pelicans, como disfuncional franchise que são, decidiram tomar partido de Vlade Divac, o disfuncional GM dos Sacramento Kings, e trocaram umas sandes mistas por uma superestrela. Assim, os Pelicans juntaram um dos melhores postes da liga – DeMarcus Cousins – a um dos melhores postes da liga – Anthony Davis.

Davis foi o primeiro da sua turma de Draft a ser selecionado, calhou ser pela sua ainda atual equipa. Só conta com 5 anos de NBA, e a cada ano que passa melhora, tanto no jogo ofensivo – melhorou o seu quase inexistente lançamento triplo – como no defensivo – é um dos que ganha mais ressaltos e que bloqueia mais lançamentos. Alia o seu imponente físico a uma boa mobilidade e empenho. Foi, e continuará a ser, um processo de evolução extraordinário.

Mas nem tudo tem sido áureo: apenas conseguiu aceder aos playoffs em 2015, sendo eliminado na primeira ronda pelos Warriors e sem conseguir qualquer vitória. Apesar da boa prestação de Davis e da equipa, ultrapassar a equipa que se sagraria campeã não estava ao alcance de ninguém.

Da loucura dos Sacramento Kings veio Cousins, numa jogada imprevisível e, acima de tudo, inexplicável. Cada equipa parecia seguir o seu rumo, mas ambos eram desaconselháveis. Cousins estava farto dos Kings. Não falavam a mesma linguagem, portanto, uma mudança era obrigatória, só que nunca para uma equipa onde o seu “lugar” já estava ocupado.

Em homenagem ao seu colega de equipa, Anthony Davis usou a camisola de Cousins no jogo All-Star deste ano, que este falhou devido à lesão
Fonte: Twitter Oficial DeMarcus Cousins

Os Pelicans decidiram que era hora para desafiar a lógica do sistema de jogo implementado na NBA. Queriam-se (e querem-se) jogadores versáteis e móveis defensivamente, que consigam defender várias posições, e no ataque todos têm de saber lançar para se criar um espaçamento e, consequentemente, abrir brechas na defesa, obrigando os opositores a cobrir a linha de três pontos. Os Pelicans apostaram no contrário: atafulhar o garrafão, obrigar os defensores a ajudar no interior e, por vezes, colocar a bola no jogador que ficou livre para o triplo, mas para isto é preciso ter bons lançadores de triplos!

Gustavo Carvalho
Gustavo Carvalhohttp://www.bolanarede.pt
Gustavo é um sujeito moderadamente eloquente, só que no que toca ao desporto é inevitável mandar um bom bitaite. Jogou futsal federado e uma vez foi expulso porque cortou a bola com a mão em cima da linha de golo. O guarda-redes defendeu o penálti: um motivo para celebrar, não fosse o facto da equipa estar a perder 6-1. Para ele a mística de uma equipa é essencial, daí ser um fervoroso adepto do FC Porto e dos Boston Celtics. Consegue, orgulhosamente, ter conversas bem nerds sobre basquetebol. Tenta dar uns toques no humor, mas sem comprometimentos.                                                                                                                                                 O Gustavo escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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