Cabeçalho modalidadesA melhor parte de escrever num site de opinião é bem capaz de ser aquilo que vou fazer hoje: fazer uma previsão e passados uns meses, vangloriar-me por ter acertado em cheio e fingir que alguém quer realmente saber se eu estava certo sobre esse tal assunto. Mas, adiante… No dia 28 de março eu escrevia por aqui o seguinte: “A boa notícia no meio disto tudo para os adeptos dos Clippers é que este ano a sua saída precoce dos playoffs não deixará um “amargo de boca”. Será sim apenas parte do curso normal de uma equipa que parece não querer dar o passo seguinte, comandada por um treinador que vive dos seus sucessos de há dez anos atrás e que é incapaz de assumir as suas culpas, uma vez que seja.” E não é que este domingo, o final do jogo 7 entre Clippers e Jazz veio provar na totalidade aquilo que eu dizia? Nunca me considerei um hater de quem quer que fosse, mas mais pelo pedestal onde os colocam do que por aquilo que fazem como franchise, começo a achar estranho rir-me sempre que os Clippers falham.

Comecemos pelo principal problema: Doc Rivers. Neste momento, pior do que o treinador Doc Rivers, só mesmo o General Manager Doc Rivers. Trocas de real valor para a equipa nunca existiram, as escolhas no draft tiveram zero impacto na equipa e a turma de Los Angeles chega a este verão a ter de gastar bem mais do que é permitido só para manter este conjunto de jogadores. Não para melhorar, para manter mesmo… Mas o treinador é uma sombra do que foi em Boston há uma década atrás. No jogo 7, em casa, depois de evitar a eliminação em Utah, era ver a imagem de marca de Doc: mãos no ar, aos berros com os árbitros e a bater palmas a cada raro cesto convertido pela sua equipa, sem nunca esboçar uma reação aos problemas defensivos da equipa.

Durante o desconto de tempo, perto do final, Rivers dizia algo como “Precisamos de parar o ataque deles e marcar do outro lado, continuem a acreditar”. Doc, estás a treinar uma equipa da NBA nos playoffs, não uma turma qualquer na final do inter-escolas. Essa malta sabe que tem de defender de um lado e marcar do outro, cabe ao treinador arranjar mais do que uma maneira de fazer isso acontecer. Ou uma só maneira, se essa estiver a resultar.

Irá Chris Paul sacrificar o dinheiro pela possibilidade de um título? Ou ainda acredita nos Clippers? Fonte: deseretnews.com
Irá Chris Paul sacrificar o dinheiro pela possibilidade de um título? Ou ainda acredita nos Clippers?
Fonte: deseretnews.com

Porém, os jogadores não são inocentes daquilo que os Clippers nunca foram capazes de fazer. Chris Paul passa mais tempo a reclamar com os árbitros do que a jogar (algo que faz tão bem, quando está para aí virado). DeAndre Jordan continua a não desenvolver o seu jogo ofensivo e a pensar que os lances-livres não são importantes e a lançar abaixo dos 50% sendo, obviamente, parado em falta sempre que toca na bola. JJ Reddick ganhou o estranho hábito de desaparecer nos playoffs, Jamal Crawford não conseguiria defender uma cadeira mesmo que tentasse e Raymond Felton tem a frescura física de um senhor de 50 anos com “barriga de cerveja”. O único capaz de mostrar uma evolução gradual no seu jogo, Blake Griffin, lesionou-se e falhou grande parte desta série, o que não ajudou em nada a equipa de L.A.

Ainda assim, a minha maior crítica vai para a comunicação social americana, que ano após ano coloca esta equipa dos Clippers como candidata ao anel. Nunca foram e não me parece que o sejam no futuro, por muitas capas de “Este é o ano!” que se façam em outubro. Por muitos elogios e previsões cor-de-rosa que se façam no início da temporada, alguns indo ao ponto de usar a superioridade sobre os Lakers nestes últimos anos como argumento (como se ser superior aos Lakers nesta década não fosse uma obrigação), falta muita coisa aos Clippers para serem candidatos no Oeste.

Este verão traz a Steve Ballmer, dono dos Clippers e ex-presidente executivo da Microsoft, a maior decisão da sua carreira desde o momento em que teve de eliminar Clippy (aquele clip que dava dicas no Windows) dos sistemas da Microsoft. Chris Paul, Griffin e Reddick são jogadores livres, Doc Rivers já deu o que tinha a dar e tem lugar guardado nos Magic. Eu sinto saudades de ver Chris Paul ser o base mais inteligente da NBA, rebentando tornozelos aos defesas. E gostava de ver Jordan ser um dos melhores postes da liga à custa de algo mais do que boa defesa e capacidade para  apanhar passes de CP3. Gostava de ver Blake Griffin continuar a evoluir num lugar onde possa competir por um título e de ver a carreira de Paul Pierce terminar de outra forma. Gostava principalmente de não saber exatamente como vai funcionar uma equipa da NBA e o que lhe vai acontecer. Infelizmente, olhei para o futuro dos Clippers e não gostei muito…

Foto de capa: slcdunk.com

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Tem 22 anos, é natural de Paços de Ferreira e adepto do SL Benfica. Desde muito pequeno que é adepto de futebol, desporto que praticou até aos 13 anos, altura em que percebeu que não tinha jeito para a coisa. Decidiu então experimentar o basquetebol e acabou por ser amor à primeira vista. Jogou até ao verão passado na Juventude Pacense e tem o Curso de Grau I de treinador de basquetebol desde os 19. O gosto pela NBA surgiu logo quando começou a jogar basquetebol e tem vindo a crescer desde então, com foco especial nos Miami Heat.                                                                                                                                                 O António escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.