Kawhi Leonard (e os Spurs) continuam a ser aborrecidamente bons

- Advertisement -

Cabeçalho modalidadesÉ verdade, aquilo que podem ver no rosto de Kawhi Leonard é um sorriso, um acontecimento raro, que ocorre de três em três luas (aproximadamente). Não porque Kawhi não tenha razões para sorrir, mas simplesmente porque o extremo dos Spurs tem mais em que pensar do que em trivialidades como um sorriso ou os três dias de Carnaval. A Leonard interessa ganhar e o rapaz caiu na equipa certa para o efeito. Na semana passada, os Spurs garantiram a sua vigésima presença consecutiva nos playoffs, sendo que nas dezanove vezes anteriores em que lá estiveram, venceram por cinco vezes e chegaram às finais noutras quatro ocasiões, fazendo da equipa texana e de Gregg Popovich, que vai na sua vigésima temporada consecutiva em San Antonio (coincidência?), a equipa mais consistente, no bom sentido da palavra, da NBA. E tudo isto, mantendo um perfil discreto, onde o que importa é o trabalho realizado e não o show off, que normalmente atribuímos à liga de basquetebol americana.

O som é normalmente associado à cultura japonesa para descrever algo “fofo” ou “bonito”, mas não pensem que Kawhi, que até se escreve de maneira diferente, pode ser caracterizado dessa maneira. O extremo dos Spurs vence os adversários pelo cansaço do lado defensivo e eficácia do lado ofensivo. É o “assassino silencioso” da armada do Texas, liderada por um dos melhores e mais revolucionários treinadores que este desporto já viu e que, durante anos, foi encabeçada por Tim Duncan. Hoje, Timmy é um homem reformado e Leonard abraçou as suas novas funções de forma natural, tendo em conta o crescimento gradual obtido ao longo da sua (ainda) curta, mas recheada, carreira.

Escolhido na posição 15 pelos Indiana Pacers, no draft de 2011, Leonard foi trocado nessa noite para os Spurs, que viam na sua defesa uma arma interessante. Kawhi ia convencendo os responsáveis dos Spurs e garantiu o seu lugar no cinco inicial depois da saída de Richard Jefferson. No ano seguinte, Leonard chegava às suas primeiras finais, com a tarefa de defender LeBron James. Os Spurs perderam no sétimo jogo, mas o extremo dos Spurs ia ganhando cada vez mais seguidores. A sua maturidade, apesar da tenra idade, levava o seu treinador a prever um futuro brilhante para o seu jovem jogador. “Eu acho que ele vai ser uma estrela. E com o tempo, vai-se tornar na cara dos Spurs. Dos dois lados do campo, ele é um jogador especial. Ele quer ser um bom jogador, um grande jogador. Ele chega cedo e fica até tarde a trabalhar no seu jogo.” dizia Popovich na altura. Palavras fortes e encorajadoras, que viriam a ser corroboradas já na época seguinte.

Fonte: San Antonio Spurs
Fonte: San Antonio Spurs

De novo com os Heat pela frente, o resultado foi bem distinto. Os Spurs venceram umas finais de sentido único e Kawhi, com 22 anos, tornou-se no segundo jogador mais novo de sempre a vencer o título de MVP das finais (atrás apenas de Magic Johnson). No ano seguinte, Leonard venceu o prémio de melhor defesa do ano na NBA, juntando-se a Michael Jordan e Hakeem Olajuwon como os únicos jogadores a vencerem esse troféu e o de MVP das finais na carreira. Na temporada passada, chegou um contrato chorudo e totalmente merecido e a primeira seleção para o jogo All-Star, para além de mais um prémio de defensor do ano.

Esta temporada, embora seja improvável que vença o troféu, Leonard está a jogar como um MVP da fase regular, mantendo os Spurs numa luta taco-a-taco com os ultra-favoritos Golden State Warriors. A equipa de San Antonio é, este ano e mais do que nunca, “Kawhi-dependente” e o extremo não só está a corresponder como também a ultrapassar todas as expectativas. Os texanos têm uma nova peça sobre a qual podem construir o seu futuro, um homem cuja personalidade encaixa perfeitamente no estilo low profile da equipa que o escolheu. Muitos consideram este um franchise aborrecido, mas quem ganha tantas vezes durante tempo e ainda tem perspetivas de se manter assim no futuro, deve estar a fazer alguma coisa muito bem…

Foto de capa: airalamo.com

Artigo revisto por: Francisca Carvalho

António Pedro Dias
António Pedro Diashttp://www.bolanarede.pt
Tem 22 anos, é natural de Paços de Ferreira e adepto do SL Benfica. Desde muito pequeno que é adepto de futebol, desporto que praticou até aos 13 anos, altura em que percebeu que não tinha jeito para a coisa. Decidiu então experimentar o basquetebol e acabou por ser amor à primeira vista. Jogou até ao verão passado na Juventude Pacense e tem o Curso de Grau I de treinador de basquetebol desde os 19. O gosto pela NBA surgiu logo quando começou a jogar basquetebol e tem vindo a crescer desde então, com foco especial nos Miami Heat.                                                                                                                                                 O António escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

Subscreve!

Artigos Populares

José Mourinho, Andreas Schjelderup e Richard Ríos: para onde vai o futuro do Benfica?

José Mourinho, José Mourinho e José Mourinho. Não foi o treinador do Benfica que marcou qualquer um dos três golos com que os encarnados bateram o Estoril Praia na última jornada da Primeira Liga, mas é sobre o Special One que mais se centra a discussão do universo encarnado

Ivan Baptista e Lúcia Alves respondem ao Bola na Rede: «A pressão das alas do FC Porto ia fazia com que o corredor central...

Ivan Baptista e Lúcia Alves analisaram a vitória do Benfica na Taça de Portugal Feminina. Técnico e ala responderam à pergunta do Bola na Rede em conferência de imprensa.

Daniel Chaves responde ao Bola na Rede: «O Benfica vive muito da qualidade da sua guarda-redes no primeiro momento de construção»

Daniel Chaves analisou a derrota do FC Porto na final da Taça de Portugal Feminina. Técnico respondeu à pergunta do Bola na Rede em conferência de imprensa.

Jornada agitada na Liga Turca com resultados surpresa na luta pela manutenção

Jornada recheada de emoções na Liga Turca, com resultados surpresa tanto pela luta do segundo lugar, como na batalha pela manutenção.

PUB

Mais Artigos Populares

Casemiro despede-se do Manchester United com emoção: «Muito obrigado a todos»

Casemiro fez o último jogo pelo Manchester United em Old Trafford. Médio brasileiro vai deixar o clube inglês no final da temporada.

Milhões a entrar na conta: FC Porto vê confirmada venda por 5,5 milhões de euros

Danny Namaso deixou de ser jogador do FC Porto a título definitivo, depois do Auxerre ter alcançado a manutenção na Ligue 1.

Segunda Liga: Bryan Róchez bisa e dá vitória ao Leixões frente ao Lusitânia de Lourosa

O Leixões recebeu e venceu o Lusitânia de Lourosa por 2-1 na 34.ª jornada da Segunda Liga. Bryan Róchez marcou os dois golos da vitória.