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O problema dos Celtics está nas suas próprias expetativas

António Pedro Dias · 2 min

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Depois de uma temporada em que ficaram a apenas uma vitória das finais da NBA e sem as estrelas Irving e Hayward, muitos pensaram que, com o regresso de ambos, os Celtics dominariam o Este. Aquilo de que toda a gente se esqueceu foi que houve mudanças profundas do lado do Oceano Atlântico e que uma equipa não é só um conjunto de peças que se podem mudar à vontade.

É inegável, no entanto, dizer que não há talento em Boston. Na ausência de Irving e Hayward, Tatum, Brown e Rozier provaram ser apostas ganhas, Smart, Horford e Morris assumiram-se como líderes e os Celtics pareceram encaminhados. Mas inserir Kyrie e Gordon não é – nem nunca seria – um processo fácil. Aquilo que eles oferecem à equipa não é o mesmo que os seus colegas oferecem, há mudanças nos papéis de cada um e há ainda um outro problema: egos.

No Este, sempre achei que os Raptors de Leonard iam dominar e isso tem sido verdade, com os Bucks à perna. Os Celtics, entretanto, vão andando entre o bom e o mau (e o muito mau às vezes), sem nunca saberem encontrar um equilíbrio. Em Boston achou-se que, saindo o LeBron, o trabalho no Este estava feito e isso nunca foi verdade.

Gordon Hayward ainda não conseguiu voltar à sua forma pré-lesão
Fonte: Boston Celtics

Por entre egos e dificuldades de entrosamento há, no entanto, um problema maior, que se prende com uma época que acabou por “cegar” os analistas. Há uma sobrevalorização dos jogadores e treinador dos Celtics, que leva a uma avaliação errada da equipa. Brad Stevens é um excelente treinador, mas com problemas, principalmente ao nível da organização ofensiva. Dêem-lhe uma bola fora ou uma posse defensiva e Stevens irá maravilhar os adeptos. Mas o ataque organizado de Boston já é outra história. É demasiado simples, previsível e pouco agressivo. Quase todos os jogadores dos Celtics acabam por optar pelo lançamento exterior, poucas vezes optando pela penetração para o cesto. Isto para qualquer defesa é o ideal, até porque, por muitas mudanças que haja na NBA, o lançamento perto do cesto é sempre um lançamento com maior probabilidade do que qualquer outro.

Do lado dos jogadores houve também uma avaliação demasiado positiva. Irving está a fazer uma época tremenda e é capaz de ganhar jogos sozinho, mas não é um playmaker. Hayward está a anos-luz do que já foi, Tatum explodiu demasiado cedo e está agora a “voltar à Terra” e Brown tem (e sempre teve) problemas com a sua consistência. Terry Rozier sofreu com a perda de minutos e de estatuto na equipa, mas Horford é talvez o caso mais gritante. Sem Irving e Hayward, era Horford o ponto fulcral do ataque. Agora, reduzido a um papel secundário no ataque e de âncora defensiva, com a idade já a pesar, Horford tem tremendas dificuldades em ser tão efetivo como era anteriormente.

A solução para os Celtics? Assumirem-se como outsiders. Olharem para as outras equipas, perceberem que Toronto e Milwaukee têm neste momento aspetos que fazem delas melhores equipas e que ainda há muito para crescer. Só assim a turma de Boston poderá sair desta temporada com a ideia de dever cumprido e construir para o futuro.

Texto revisto por: Mariana Coelho

Foto de Capa: Boston Celtics

António Pedro Dias

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