Cabeçalho modalidadesMilwaukee, 13 de janeiro de 2017: os Miami Heat perdiam pela quarta vez consecutiva e pela décima vez em onze jogos, em mais uma derrota numa temporada que parecia destinada ao fracasso, com a equipa de Erik Spoelstra a chegar ao ponto intermédio da época com apenas onze vitórias e trinta derrotas e o segundo pior recorde da NBA. Os tempos do Big 3 eram uma memória longínqua. LeBron James já tinha regressado a casa, Dwyane Wade, o homem que ganhou os três títulos que os Heat possuem, tinha mudado a sua morada para Chicago e Chris Bosh já só aparecia na ficha médica pré-jogo, por problemas de saúde. Aquela noite gelada em Milwaukee parecia mais uma necessária pedra no difícil caminho da reconstrução. Mas a verdade é que, depois dessa noite, aconteceria história…

Com três títulos no seu historial, os Miami Heat são uma das equipas de maior sucesso na NBA, no século XXI, com Dwyane Wade e Pat Riley à cabeça. Mas um desentendimento entre os dois no verão passado levou Wade a abandonar equipa pela qual tinha atuado em toda a carreira. Riley tinha falhado quase todos os seus alvos no verão (de lembrar que Kevin Durant chegou a ter uma reunião com os Heat) e via-se agora como presidente de uma equipa sem grandes nomes e alguns jovens para desenvolver. Os adeptos pediam reconstrução através do draft, o que na NBA implica perder. Muitas vezes. Mas Riley nunca gostou dessa abordagem e afirmou que, fosse com quem fosse, os Heat entrariam sempre em cada jogo e em cada temporada para vencer.

Porém, a inexperiência e, admitamos, falta de qualidade de alguns jogadores vieram ao de cima e, mesmo que o objetivo fosse ganhar, os Heat iam perdendo e só os Brooklyn Nets se apresentavam com piores resultados em toda a liga. Porém, a partir daquela noite em Milwaukee, algo mudou. James Harden apareceu em Miami, marcou 40 pontos e… perdeu. Nada demais, qualquer equipa pode ganhar um ou outro jogo na NBA. Vieram os Mavericks e os Bucks e perderam também. A motivação ia subindo para a equipa de Miami, mas os próximos adversários eram os Golden State Warriors. Aconteceu o impensável. Dion Waiters, um inconsistente marcador de pontos de quem LeBron se quis ver livre em Cleveland, “explodiu” para os 33 pontos e o triplo da vitória frente aos grandes favoritos a vencer o título. E a partir daí, os Heat continuaram a subir. Em casa ou fora de portas, contra equipas boas ou menos boas, a equipa de Miami ia colecionando vitórias. Foram treze, ao todo. O máximo que qualquer equipa conseguiu esta temporada. O máximo que qualquer equipa com um recorde inferior a 50% de vitórias conseguiu na história da NBA.

Fonte: NBA
Fonte: NBA

Os Heat acabaram por entrar para os livros. E talvez esta série até dure pouco na memória do comum adepto. No entanto, ficará na memória dos adeptos como um feito saboroso e impensável. Conseguido por uma equipa repleta de jogadores que ninguém quis e que andavam perdidos pela NBA D-League, como McGruder ou Okaro White. Por jogadores que andavam perdidos pelos bancos da liga, como Willie Reed, Wayne Ellington, James Johnson ou Dion Waiters. Ou ainda Goran Dragic e Hassan Whiteside, as estrelas maiores de uma equipa destinada ao fracasso e que, pelo menos durante treze jogos, enganou os críticos e especialistas.

Ninguém sabe o que acontecerá até ao fim da temporada, sendo que os Heat tanto podem chegar aos playoffs como voltar a cair na classificação. O que ninguém pode tirar a estes jogadores é o mês que acabou de passar. O mês em que mostraram que valem mais do que os peritos acreditavam ser possível. Provaram a eles mesmos que têm lugar nesta liga e que os Heat não estavam errados quando apostaram neles. E até Erik Spoelstra, o homem que conta com dois títulos da NBA mas que, estranhamente, nunca tem mérito no que faz, continua a provar a sua capacidade de liderar uma equipa. Seja ela constituída pelos melhores do mundo ou por um conjunto de “renegados” com vontade de serem mais do que homens sentados em bancos de suplentes na NBA.

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Foto de capa: usnews

Artigo revisto por: Francisca Carvalho

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Tem 22 anos, é natural de Paços de Ferreira e adepto do SL Benfica. Desde muito pequeno que é adepto de futebol, desporto que praticou até aos 13 anos, altura em que percebeu que não tinha jeito para a coisa. Decidiu então experimentar o basquetebol e acabou por ser amor à primeira vista. Jogou até ao verão passado na Juventude Pacense e tem o Curso de Grau I de treinador de basquetebol desde os 19. O gosto pela NBA surgiu logo quando começou a jogar basquetebol e tem vindo a crescer desde então, com foco especial nos Miami Heat.                                                                                                                                                 O António escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.