Outra vez arroz

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Golden State Warriors e Cleveland repetem, pela quarta vez consecutiva, a presença nas finais da NBA. Algo que me fez lembrar uma piada que ouvia quando era mais pequeno. Pelo teor algo racista da piada, não a vou colocar aqui, mas esta acabava com o título deste artigo e servia para mostrar o tédio e aborrecimento de algo que acontecia demasiadas vezes.

No domingo, os olhos estiveram colocados em LeBron James, que tentava a oitava presença consecutiva nas finais da NBA. Para isso, tinha de vencer onde ainda ninguém tinha vencido nos playoffs, o TD Garden de Boston. Sem Kevin Love e com o parceiro de outros tempos (Kyrie Irving) sentado no banco contrário, LeBron começou a partida a um nível alto, ao contrário dos seus colegas. Os Celtics estiveram toda a primeira-parte em controlo, até ao momento em que o cesto fechou e os “verdes” nada mais fizeram do que arremessar bolas à procura, talvez, de partir a tabela. Resultado: derrota para a turma de Brad Stevens e uma tabela ainda impecável (apesar de um pouco abalada com tanto tiro errado).

A Cleveland valeu um super LeBron, como já era de esperar e uma exibição inspirada de Jeff Green para a chegada suada a umas finais onde, mais uma vez, os Cavs não serão favoritos. Para os Celtics, fica a sensação de que esta foi uma época positiva, mesmo com a derrota no jogo decisivo em casa. Tatum é um talento incrível, Horford consegue liderar uma equipa e é bem possível que a esta equipa só faltem mesmo os lesionados Hayward e Irving para competir pelo anel.

Warriors e Rockets protagonizaram uma das melhores séries dos últimos anos
Fonte: Golden State Warriors

No dia seguinte, foi a vez de Rockets e Warriors medirem força. Os primeiros sem Chris Paul, os segundos sem Iguodala, mas ambas as equipas com as ambições bem altas. O jogo começou como o da final da conferência Este, com a equipa da casa no comando. Os Rockets queriam mais a bola, atacavam mais e melhor e defendiam com muito mais agressividade. Não era de espantar a sua vantagem ao intervalo. No segundo tempo, começaram os problemas. Algumas decisões da equipa de arbitragem mantiveram os Warriors no jogo até ao show de Stephen Curry. O base dos Warriors começou a marcar de todo o lado e a provar o porquê de já ter no seu nome dois prémios de MVP. No período final, Thompson e Durant, com lançamentos nos momentos certos, deitaram por terra as aspirações de Houston que, entretanto, havia falhado vinte e sete triplos consecutivos!

Para os Warriors, esta foi uma série que acabou por servir como um “abre-olhos” para aquilo que pode ser a competitividade da NBA, mesmo com quatro all-stars na equipa. A série mostrou, no entanto, que aos Warriors basta jogar bem a espaços (com o terceiro período como altura ideal) para vencer, algo que pode ser um problema no futuro para esta equipa, em termos de atitude e esforço durante os jogos. Já os Rockets têm de sair desta temporada de cabeça levantada. Há muito tempo que ninguém colocava o estatuto de Golden State em causa, ficando a ideia que Harden e companhia ficaram a um Chris Paul de distância das finais. Ainda assim, terá de ser uma preocupação para Mike D’Antoni a maneira como a equipa se desmorona em campo quando a bola teima em não entrar.

No fundo, já todos estamos fartos de “arroz” como prato principal. Com a equipa dos Cavaliers em constante queda de qualidade individual (de lembrar que este ano não há Irving) e uns Warriors que não parecem com muita vontade de parar, esta é uma série previsível e de resolução rápida. Em outubro, todos sabíamos quem seriam as duas equipas que chegariam a esta fase, embora maio nos tenha permitido sonhar com um desfecho diferente. Apesar da luta de Celtics e Rockets, as finais voltam a ser entre James e Durant, Love e Curry, Steve Kerr e Ty Lue. Previsível e, se me permitem a sinceridade, irritante e aborrecido…

Foto de Capa: Golden State Warriors

Artigo revisto por: Rita Asseiceiro

António Pedro Dias
António Pedro Diashttp://www.bolanarede.pt
Tem 22 anos, é natural de Paços de Ferreira e adepto do SL Benfica. Desde muito pequeno que é adepto de futebol, desporto que praticou até aos 13 anos, altura em que percebeu que não tinha jeito para a coisa. Decidiu então experimentar o basquetebol e acabou por ser amor à primeira vista. Jogou até ao verão passado na Juventude Pacense e tem o Curso de Grau I de treinador de basquetebol desde os 19. O gosto pela NBA surgiu logo quando começou a jogar basquetebol e tem vindo a crescer desde então, com foco especial nos Miami Heat.                                                                                                                                                 O António escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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