Passam a vida lesionados na NBA

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Uma verdadeira praga de lesões assola a NBA. O número de baixas não para de aumentar e merece uma reflexão. Por que razão se lesionam tanto os jogadores na NBA? Regularmente, o site da Liga profissional norte americana publica a lista atualizada dos lesionados; na última constam 60 jogadores:

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Jovens mal preparados

Os primeiros a ser flagelados com as lesões são, naturalmente, os mais jovens, os “Rookies”. Passaram da competição Universitária (NCAA) para a Liga profissional sem que a maioria tenha cumprido os quatro anos possíveis de aprendizagem. O que se pede na NBA é que esses jovens joguem mais de 80 encontros por época a um ritmo intenso de três a quatro jogos por semana, quando anteriormente faziam menos de metade.

Não se estranha, pois, que esta época a lista de lesionados dos melhores atletas jovens também já vá extensa e contenha, entre outros:

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Demasiada responsabilidade

Um outro grupo de jogadores, os mais experientes, também sofre com o calvário das lesões, deixando muitas vezes as suas equipas à deriva.  Os melhores jogadores atuam mais de 30 minutos por jogo e são sujeitos a elevados esforços físicos, repetindo ações que colocam em causa a sua integridade física.

As lesões de Kevin Durant (26 jogos dos 53 jogos da equipa) e de Russell Westbrook (39 jogos em 53), dos Oklahoma City Thunder, transformaram um candidato numa equipa mediana. A lesão de Kobe Bryant, do Lakers, ajuda também a explicar a desastrosa época da equipa.  Finalmente Paul George, Indiana Pacers, prepara o regresso, mas ainda está de fora depois da grave lesão (tíbia e perónio) no treino da seleção norte americana, quando treinava para o Mundial de Espanha. A equipa segue mal classificada na sua Divisão.

Uma boa gestão dos veteranos

 O Coach de San Antonio, Greg Popovitch, sabe bem o que fazer no que toca à gestão do seu valioso plantel: poupa os jogadores veteranos. Perde alguns jogos mas sabe que mais para a frente vai ganhar. As três “estrelas “ da equipa, Tim Duncan, Ginobili e Parker, querem vencer mais campeonatos mas para isso têm de descansar para estarem em forma na altura das grandes decisões. Não se estranhe, pois, que o tempo de utilização médio deste trio tenha baixado bastante e que inclusive fiquem em casa nas longas viagens.

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Já os Miami Heat não seguem o mesmo plano, e as lesões são uma constante, para desespero do base Dwyane Wade: “Para quem trabalha arduamente como eu é frustrante não poder jogar no All-Star, mas nada podemos fazer”.  A equipa de Miami está sempre a mudar de cinco inicial e já tiveram 10 jogadores lesionados. “Isto é no mínimo bizarro”, disse Wade. “As equipas sabem conviver com as lesões, mas em Miami nunca tinha visto nada semelhante”.

No recente “All Star Game”, na lista de lesionados, Wade teve companhia ilustre:

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Já Carmelo Anthony, dos New York Knicks, tem passado a época a jogar ao pé coxinho mas alinhou no “All Star Game” e deu por concluída a época para ser operado ao joelho esquerdo. A equipa segue com o pior recorde da prova (12 vitórias e 48 derrotas).

Kobe azarado

Kobe Bryant não escapou esta época a mais uma lesão. Depois de ter rasgado o tendão de Aquiles na época anterior (fez seis jogos), agora deu cabo de um ombro e foi novamente operado (total de 35 jogos). Já com 34 anos e com 18 épocas de profissional, o problema que se coloca é se tem ou não ainda capacidade para recuperar e voltar a ser o mesmo. Que não voltará a ser tão rápido e explosivo, depois de recuperar de uma rutura do tendão de Aquiles, é uma certeza que todos temos. Na história da NBA, a recuperação mais fantástica deste tipo de lesão foi mesmo a de Dominique Wilkins, que se lesionou aos 32 anos, na temporada 1991-1992, e voltou a jogar melhor do que fazia anteriormente. Agora o problema de Kobe está no ombro mas, mesmo assim, não desiste e na próxima época volta para ajudar os Lakers, que bem precisam.

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Porque se lesionam?

O elevado número de jogos, as constantes e longas viagens e o limitado tempo de recuperação explicam muitas destas lesões. Contudo, a elevada sobrecarga a que foram anteriormente sujeitos prejudica também a carreira destes super atletas. Para chegarem à NBA fizeram milhares de treinos e de jogos, participaram em múltiplas competições, campos de treino, viagens constantes e tiveram vários treinadores com filosofias diferentes. A maioria dos melhores saiu para o profissionalismo depois de uma passagem simbólica na Universidade, não dando tempo a que o corpo se adaptasse ao esforço, nem a que aprendessem os fundamentos básicos da modalidade. Nunca fizeram mais nada que não tenha sido basquetebol, raramente praticaram outra modalidade e poucos estudaram. O resultado final de tudo isto é um conjunto de adolescentes a serem sobrecarregados nos mesmos músculos, nos mesmos tendões e nas mesmas articulações, no mesmo sentido e nos mesmos ângulos.

A juntar a tudo isto temos a pressão dos pais, que encaminham os jovens para treinos intensos e competições fortes como forma de lhes acelerar a carreira, o que na maioria das vezes leva ao fim da mesma. Não é raro que muitos fracassem e que fiquem com lesões crónicas e dores para o resto da vida. A maioria dos atletas jovens norte americanos, por causa das lesões e não só, terminam as carreiras no final do ensino secundário, alguns chegam às Faculdades e poucos alcançam a elite do profissionalismo.

Os atletas da NBA sabem melhor do que ninguém que a recuperação faz parte integrante do processo do treino desportivo. E que para terem sucesso e futuro na Liga não se podem esquecer de repousar e recuperar, o que não é fácil para quem ganha tanto dinheiro, tem tantas solicitações extra basquetebol e “ainda” tem de fazer mais de 80 jogos por época, treinos e viagens de milhares de quilómetros.

Claro está que os atletas estão bem acompanhados. A Medicina desportiva evoluiu muito e podemos dar como exemplo Grant Hill, que teve uma lesão grave, várias cirurgias, uma infeção e que depois continuou a jogar ao mais alto nível. Este tipo de recuperação nunca teria acontecido se isto se tivesse passado há várias décadas. A solução para limitar o número de lesionados parece óbvia: reduzir drasticamente o número de jogos. Mas tal não é fácil porque a isso corresponderia uma redução brutal de receitas, e a NBA quer continuar a ser um negócio rentável.

Foto de Capa: Rondo Estrello

Mário Silva
Mário Silvahttp://www.bolanarede.pt
De jogador a treinador, o êxito foi uma constante. Se o Atletismo marcou o início da sua vida desportiva enquanto atleta, foi no Basquetebol que se destacou e ao qual entregou a sua vida, jogando em clubes como o Benfica, CIF – Clube Internacional de Futebol e Estrelas de Alvalade. Mas foi como treinador que se notabilizou, desde a época de 67/68 em que começou a ganhar títulos pelo que do desporto escolar até à Liga Profissional foi um passo. Treinou clubes como o Belenenses, Sporting, Imortal de Albufeira, CAB Madeira – Clube Amigos do Basquete, Seixal, Estrelas da Avenidada, Leiria Basket e Algés. Em Vila Franca de Xira fundou o Clube de Jovens Alves Redol, de quem é ainda hoje Presidente, tendo realizado um trabalho meritório e reconhecido na formação de centenas de jovens atletas, fazendo a ligação perfeita entre o desporto escolar e o desporto federado. De destacar ainda o papel de jornalista e comentador de televisão da modalidade na RTP, Eurosport, Sport TV, onde deu voz a várias edições de Jogos Olímpicos e da NBA. Entusiasmo, dedicação e resultados pautam o percurso profissional de Mário Silva.                                                                                                                                                 O Mário escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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