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Jason “White Chocolate” Williams, Dwyane Wade, James Posey, Udonis Haslem e Shaquille O’Neal – este foi o cinco inicial que me fez apaixonar por este desporto. Não posso deixar de agradecer a atletas como o Hall of Famer Gary Payton e Alonzo Mourning, e até Antoine Walker. Não sei porquê, estes foram os nomes que me ecoaram na cabeça durante a primeira época da liga principal de basquetebol dos Estados Unidos da América que vi e segui a sério. Se ainda não fui explícito, estou a falar do grupo que, em 2006, levantou pela primeira vez na história da instituição dos Miami Heat o título de campeão da NBA.

Desde então, comecei a estudar a liga, pesquisando as equipas, os jogadores, os treinadores e, basicamente, tudo o que consegui ver na Internet. Vi os Miami Heat passarem de campeões a derrotados logo na primeira ronda dos playoffs do ano seguinte, a pior equipa da liga, a voltar aos playoffs, ao regresso dos grandes ecrãs com a chegada do então MVP da liga LeBron James, e da máquina de duplos-duplos, proveniente dos Toronto Raptors, Chris Bosh. O que se pode dizer é que, durante estes anos, a minha instituição preferida foi tudo menos regular. E é nessa palavra que me quero focar. Regularidade.

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Nenhum outro grupo personifica melhor essa palavra do que os San Antonio Spurs, isto porquê? Porque desde 1996 que os Spurs ficam entre as oito melhores equipas da sua conferência; venceram por 11 vezes o título da sua divisão e cinco o da sua conferência, por fim levantando o título mais cobiçado da liga por quatro. Perderam apenas uma vez, contra os Miami Heat – peço desculpa, mas tinha de aproveitar a oportunidade de poder enaltecer a minha equipa.

Por três vezes foi considerado o melhor treinador da liga. É indiscutivelmente dos melhores de sempre, dos mais directos e controversos. No entanto, apresenta resultados, e é isso que se pede a “Pop”. Fonte: http://www.thefumble.com/sites/captainwag.com/files/p18fi762cvd34rq61p9m12to1fmf4.jpg
Por três vezes foi considerado o melhor treinador da liga. É indiscutivelmente dos melhores de sempre, dos mais directos e controversos. No entanto, apresenta resultados, e é isso que se pede a “Pop”
Fonte: thefumble.com

Bem, passando agora ao real tema deste artigo. Não querendo denegrir a qualidade da equipa sediada em Oklahoma, os Spurs têm todas as condições para “varrer” os Thunder na final da conferência. Sem Ibaka, a formação onde joga Kevin Durant perdeu toda a qualidade de defesa interna, poder de alcance médio, e o corpo era o hispano-congolês. Apesar de, mesmo assim, poderem contar com Durant e Westbrook, dois dos melhores jogadores da liga, há agora a incapacidade de defender perto do cesto, causada pela lesão do número 9 e pela nem sempre presença de Kendrick Perkins. Os Spurs e todo o seu plantel têm feito o que querem dos Thunder.

Tony Parker é, discutivelmente – mas na minha opinião –, o melhor base activo nos playoffs; não só sabe passar, como sabe penetrar como nenhum nas defesas adversárias, fazendo-o em pouco tempo, algo muitíssimo comum na rotação implementada por Gregg Popovich. De seguida temos Danny Green, que parece que sempre que os jogos começam a ganhar uma maior importância entra num “modo playoffs” e começa a ter percentagens quase ridículas de lançamentos de triplo. Kawhi Leonard está-se a tornar numa estrela, que defende irrepreensivelmente e que ataca de uma forma sempre eficaz. Depois, subindo no terreno, ao vermos uma lenda viva a jogar, é impossível não ficar maravilhado com a qualidade de jogo de Tim Duncan. Este jogador consegue fazer coisas aos 38 anos que outros aos 28 não conseguem. Agora, será isso resultado da experiência? Sim, e não. De certa forma, a experiência ajuda muito, mas o atleta, que já foi, por duas vezes, MVP, continua a possuir um jogo extremamente polido, completo e, no geral, belo. Thiago Splitter acaba por completar o resto do cinco inicial; não tendo um jogo ofensivo muito desenvolvido, Splitter é eficiente, eficaz e ajuda a equipa em todos os momentos do jogo.

: Este é o cinco inicial da equipa que, pessoalmente, mais medo me mete nos playoffs. Fonte: http://gumbosportsnation.com.au/wp-content/uploads/2014/04/5b5537c9_san.jpg
Este é o cinco inicial da equipa que, pessoalmente, mais medo me mete nos playoffs
Fonte: gumbosportsnation.com.au

Não nos podemos esquecer ainda de uma das maiores estrelas argentinas de todos os tempos, Manu Ginobili. Incrivelmente, vem do banco para impedir que a equipa se vá abaixo aquando da rotação de “Pop”. Por fim, ainda temos Patty Mills, que apareceu a meio do ano para substituir Tony Parker e garantiu um lugar significativo na equipa, e Marco Belinelli, o campeão de triplos nos All-Stars, que evita que a equipa perca consistência ofensiva.

Nesse sentido, os Spurs têm, quase que garantida, a passagem para as finais da NBA. Assumindo que tanto podem apanhar os Indiana Pacers como os Miami Heat, os Spurs, se jogarem contra os primeiros, como já disse em textos anteriores, vencem. Não estou a desrespeitar os Pacers, mas é uma realidade que os Spurs são muitíssimo melhores do que a equipa de Larry Bird.

Se jogarem contra os Miami Heat, enfrentam a única equipa que realmente acredito que seja capaz de dar luta aos Spurs. A chegarem às finais, vão ter um trabalho complicadíssimo. Em relação ao ano que passou, ao perderem um dos jogadores mais importantes nesta conquista,  Mike Miller, os Heat esbanjaram a hipótese de terem um “atirador-furtivo” de triplos, que contribuía bastante em pouquíssimo tempo. No entanto, a equipa da Flórida defende como ninguém a linha de três pontos, que pode ajudar, se bem que não é, de todo, suficiente para vencerem os Spurs. Pode ser que dê. No entanto, duvido bastante.

A equipa texana tem vindo a apresentar um dos tipos de jogo mais bonitos a que já tive o prazer de assistir, com uma constante movimentação da bola e inúmeras assistências, provenientes de todos os jogadores, de todas as posições. Em suma, todos jogam pela equipa, e não pelas estatísticas. Por muito boa que seja a possibilidade de lançar para um jogador, se outro estiver livre com um lançamento aparentemente mais fácil, a bola irá para ele. O jogo deveria ser jogado assim.

Tão simples. Tão eficaz. Passar a bola para quem estiver sozinho. Mas, hoje em dia, a bola acaba por ser passada para a mão de um jogador que, logo de seguida, faz um movimento de isolamento, onde tenta testar os movimentos do seu defensor. Se, porventura, puder atacar o cesto, fá-lo-á; se não obtiver uma linha de ataque, só então é que passa a bola. Esse deve ser o espírito de um jogo de equipa, e é assim que os Spurs jogam.

São, desde o início do ano, os “velhos”, os “trapos”, os “veteranos” – mas, muito provavelmente, são mesmo estes velhotes que vão levantar o título da NBA.