- Advertisement -

Para os ávidos consumidores de conteúdos – artísticos, informativos ou outros – é sempre difícil perceber até que ponto a realização humana que experienciam pode, ou não, ser considerada uma obra-prima. A dúvida persiste sempre. É um bom exercício que nos persegue até ao fim da nossa (curta) vida. Então, simplesmente, para alguma realização ser considerada arte, basta que esteja assinada. Seja ela de que tipo for. “Claro que isso é algo idiota!”, pensaremos nós. Bom, mas o que é certo é que algo assinado é algo obrado. Ponto final. E fazemos um parágrafo.

O mesmo se passa com a posição do base, no basquetebol. Ele assina as jogadas mais magistrais e mirabolantes, algumas nem sequer presentes no espetro do imaginário de uma única alma. Claro que ninguém joga sozinho. É um desporto coletivo. Precisa dos seus colegas. De alas. De um poste. Mas ele é um artista com a bolinha na mão e pelotas nos pés. O jogo de pés é importante. Tal como um bom boxeur. Sem ver isso, o jogador adversário perde a noção do espaço. E perde de vista o rival.

O número mágico, geralmente, a que se associa este tipo de jogadores é o cinco. Diferentemente do futebol, por exemplo, em que é o 10. Talvez por o número representar o total de jogadores com que se joga este ludo. É impossível ouvir expressões do tipo “nesta equipa és tu e mais dez!”. No máximo, seria: “és tu e mais quatro, porque se formos meia dúzia jogamos com um a mais.”. E continuaria.

Base, o jogador mais tecnicista da equipa lucia desporto.blogspot.com
Base, o jogador mais tecnicista da equipa lucia
desporto.blogspot.com

Mágicos estonteantes, assim são estes autênticos artífices. Resolvem jogos. Levantam pavilhões. Mas sobretudo são os grandes artesãos na construção do ponto. Jogar com a bola na mão parece fácil. Mas os bases talentosos parecem autênticos símios no que toca ao manejar do objeto esférico, tal a facilidade com que driblam.
Quando li a saga O Silmarilion, O Hobbit e O Senhor dos Anéis, para além de ter a felicidade de degustar uma aventura estonteante, pude aprender uma coisa: quando a coisa fica feia, a ajuda vem sempre daqueles de que menos estamos à espera. Os mais fracos, no fundo. Fracos em termos de físico, não em termos de coração. Como Spartacus disse um dia: “os combates não se ganham pela força, mas pela vontade”. É isso que os bases têm a seu favor. A discrição. A baixa estatura (na maioria dos casos). O fator surpresa. Enfim, o grande armador de jogo. Como se fosse um estratega militar. Fim do momento cromo.

E agora deixemos os bases deste mundo descansar. Na sua base, quem sabe. Longe de os querer incomodar, mas já incomodando, pois, com a assinatura, mal ou bem, esta peça transformar-se-á também numa obra. Fraca. Mas arte. Tal como os seus passes, dribles e cestos.

Subscreve!

Artigos Populares

Reinaldo Teixeira: «O ranking que atingimos é mérito das sociedades desportivas e isso responsabiliza-nos cada vez mais»

O Bola na Rede está presente no Fórum da Associação Nacional de Treinadores de Futebol 2026, que se realiza entre os dias 30 e 31 de março.

Andreas Schjelderup faz capa na imprensa espanhola: «Deu um festival e deixou alucinados…»

Andreas Schjelderup volta a ser associado ao Barcelona. Avançado do Benfica aparece destacado em capa da imprensa espanhola.

Bola na Rede marca presença no Fórum ANTF 2026

O Bola na Rede está presente no Fórum da Associação Nacional de Treinadores de Futebol 2026, que se realiza em Albufeira.

Rumo ao Mundial 2027: Eis a lista de convocadas de Portugal para os 2 próximos jogos

Já são conhecidas as convocadas de Portugal para os dois próximos jogos de qualificação para o Mundial 2027. Eis a lista.

PUB

Mais Artigos Populares

Martín Anselmi no Glorioso

Martín Anselmi continua a provar ser impossível escapar do karma. Desde que saiu como saiu do México, a sua carreira tem sido trágico-cómica

Está na lista reduzida do Tottenham e só quer assumir novo projeto a partir do verão

Adi Hutter tomou a decisão de só iniciar um novo trabalho no verão. Treinador austríaco está na lista reduzida do Tottenham.

Sporting define prioridades para o mercado de verão em preparação para a temporada 2026/27: Eis os detalhes

O Sporting prepara-se para a saída de Morten Hjulmand, procurando já por um sucessor à medida. Pote, Morita e Kochorashvili também na porta de saída.