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Cada dinastia tem, em média, direito a dois ou três reis – só em Espanha, existem tronos e reis para todos os gostos. No pavilhão, rodeado por torreões com cestos, governa Pau Gasol, um catalão que necessita, apenas, de uma bola laranja para derrubar Impérios inteiros. Durante todo o último mês, este gigante carregou sobre a Europa do basquetebol – num campeonato disputado em quatro países (Letónia, Croácia, Alemanha e França), devido à instabilidade na Ucrânia. A “fúria” derrubou turcos, germânicos, tomou a Bastilha e, vencidas as grandes batalhas, recuperou o “seu” trono, numa final de consagração, perante uma esforçada Lituânia.

Foi o terceiro título europeu da Espanha (2009, 2011 e 2015), talvez o mais difícil – e que, a certa altura, chegou mesmo a parecer improvável. O exército “rojo” apresentou-se privado de jogadores como os “norte-americanos” Marc Gasol, Ricky Rubio e José Calderón e Juan Carlos Navarro, do Barcelona; na fase de grupos, somou duas derrotas (com a Sérvia e a Itália) e chegou com (muitas) dificuldades aos oitavos-de-final, após uma apertada vitória (por 77-76) sobre a Alemanha.

Pau Gasol liderou a “fúria” espanhola
Pau Gasol liderou a “fúria” espanhola

No entanto, nunca um jogador terá sido tão decisivo como Pau Gasol, o destruidor de sonhos: como o da França, campeã em título, a quem marcou 40 (!) pontos, na meia-final da prova, cruelmente disputada em território gaulês – a certeza de o basquetebol ser um jogo colectivo saiu, dessa vez, algo combalida. No final, o balanço é esclarecedor: Gasol fixou médias de 25,6 pontos, 8,4 ressaltos e 2,3 desarmes de lançamento; a eleição de melhor jogador do campeonato foi unânime. O poste dos Chicago Bulls – e que bem lhe fica aquele encarnado – atinge, aos 35 anos, a sua plenitude enquanto atleta e basquetebolista.

Terminada a final de Lille, com o placard a marcar 80-63 para a Espanha, Sua Majestade levantou os braços para o público e, ao som dos (muitos) assobios franceses, festejou o regresso ao trono do basquetebol europeu – curiosamente, ao mesmo tempo, o seu súbdito Filipe II aplaudia nas bancadas.

Fotos: Facebook Oficial de Pau Gasol

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