Depois de ter realizado a sua pior temporada em muitos anos, o basquetebol masculino do SL Benfica fez uma pequena rutura com o passado recente. Depois de não ter conquistado qualquer troféu nesta sua passagem como treinador, Carlos Lisboa deixa novamente o comando técnico das águias. Porém, irá permanecer ligado ao basquetebol encarnado, desempenhando o cargo de Diretor Desportivo.

Para o suceder no comando técnico da equipa encarnada, a aposta recaiu em Norberto Alves, depois deste ter feito um trabalho notável na UD Oliveirense. O experiente técnico português já orientou o Benfica entre 2004 e 2006 e agora cabe-lhe a difícil tarefa de recolocar o basquetebol do SL Benfica na rota dos títulos.

Pessoalmente, eu preferia ver um treinador estrangeiro, um treinador com escola e com currículo. Não só porque creio que um treinador de uma boa escola estrangeira teria mais capacidades para implementar a reestruturação que o basquetebol do clube da Luz precisa, como também teria outro estofo para lidar com os egos maiores do grupo.

Ainda assim, Norberto Alves é um treinador com muita qualidade e competência, com um currículo que fala por si. Apesar de não ter conquistado qualquer troféu na primeira passagem pelo clube, hoje é um treinador muito mais calejado no que toca a lutar por títulos e liderar um grupo de trabalho.

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Contratando um novo treinador, outras questões que se colocam é como é que irá meter a equipa a jogar e qual o tipo de jogadores que pretende contratar. Quem acompanha o campeonato e o trabalho que realizou na UD Oliveirense, sabe que Norberto Alves é um treinador que privilegia o coletivo e que gosta de jogadores que trabalhem para a equipa e que tenham um grande espírito de compromisso.

Em termos de sistema de jogo, Norberto Alves gosta de jogar com um base que seja um organizador de jogo nato, daqueles que jogue e que faça jogar. Gosta também de jogar com extremos bastante abertos, que tenham capacidade de lançar de três pontos, mas que também (sobretudo no caso de jogadores estrangeiros) tenham capacidade de penetrar e atacar o cesto. Na posição de poste, prefere ter um jogador imponente no garrafão, capaz de jogar de costas para o cesto e de se impor na luta nas tabelas.

Até ao momento, já houve três reforços anunciados pelo clube: os bases portugueses José Barbosa e Diogo Gameiro e o extremo-poste tunisino Makram Bem Romdhane.

José Barbosa é um jogador bem conhecido de Norberto Alves, visto que foi o motor da sua equipa em Oliveira de Azeméis, sendo uma peça fundamental no bicampeonato da UD Oliveirense. É um base que se destaca mais pelas sua qualidade como playmaker, do que pela sua capacidade de pontuar. Será um jogador importantíssimo para Norberto Alves impor as suas ideias no SL Benfica.

Diogo Gameiro está de regresso ao clube que o formou depois de cinco anos a representar o CAB Madeira. Ao serviço do clube madeirense, o base de 25 anos teve uma evolução bastante positiva, tendo sido o MVP português na última temporada. Apresenta também uma boa qualidade de passe e é também muito bom no pick n’ roll. Será uma boa adição para a rotação da equipa.

Já o internacional tunisino é uma contratação mais “exótica”, mas que pode surpreender pela positiva. Makram Bem Rohmdane é um jogador experiente e tem um currículo com mais de 20 troféus conquistados. Foi também considerado um dos dez melhores jogadores africanos da última década. Aparenta ter o perfil que Norberto Alves gosta num jogador estrangeiro: bom defensor, boa capacidade atlética e um grande nível de compromisso.

Tendo em conta que o plantel ainda não está fechado, já fica clara a ideia de que, sem qualquer surpresa, Norberto Alves pretende implementar as suas ideias na equipa, ideias essas que são completamente diferentes daquelas que Carlos Lisboa habituou os jogadores e os adeptos que acompanham a modalidade.

E as suas ideias também se espelham nas contratações dos jogadores, onde transparece a sensação de que se olha mais para o perfil do jogador do que para o nome e para o estatuto. Norberto Alves é um treinador que sabe o que faz e tem condições para recolocar o basquetebol do SL Benfica na rota do sucesso. Mas para isso também é preciso que o “fantasma” do Carlos Lisboa não volte para assombrar.

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