«A Pequeníssima»

- Advertisement -

Durante semanas, o Presidente da Federação Portuguesa de Ciclismo repetiu publicamente uma e outra vez que era imperativo que os órgãos decisores autorizassem que a Volta a Portugal se realizasse, e nas datas previstas no calendário UCI. O Governo e a DGS fizeram-lhe a vontade, mas foi a Podium, empresa organizadora, a decidir adiar ou cancelar – ainda não se sabe qual das duas – a prova, colocando a nu as fragilidades do modelo económico da competição.

Não seria necessário muito conhecimento do funcionamento autárquico para perceber que as Câmaras Municipais só estão disponíveis para pagar pela Volta se houver festa popular, mas para provas sem público não há vontade de gastar. Ora, quem assistisse às intervenções da Federação ficaria a pensar que isso não seria problema, e que a Volta estaria preparada para avançar, mesmo com essas externalidades causadas pela pandemia.

Bem que fomos todos enganados. Fica por saber o que faltou da parte da Federeção: se noção, se informação realista do organizador. Os últimos dias tornaram ocas as palavras tantas vezes repetidas por Delmino Pereira sobre a necessidade de realização da Volta. Não é a primeira vez que a Podium deixa a Federação mal na fotografia, mas era bom que fosse a última.

A incapacidade de garantir, desde já, se estamos perante um adiamento ou um cancelamento da prova rainha do Ciclismo português é o comprovativo final do total desnorte da organização da corrida, e coloca todos cujo trabalho está ligado ao Ciclismo profissional à mercê de quem repetidamente demonstra não estar à altura de tamanha responsabilidade.

Vencedor da Juventude em 2019, Emanuel Duarte seria um ciclista a observar na edição deste ano
Fonte: José Baptista/Bola na Rede

Não é novidade que o modelo de financiamento da Volta a Portugal está obsoleto e demasiado dependente de atores não económicos, os autarcas, para sobreviver. Um evento que depende do populismo fica sujeito ao mesmo. E do populismo festeiro ao higiénico o passo não é tão grande como parece. Especialmente num país em que o poder local se baseia num mero contar de votos e nunca na contribuição para as reformas da sociedade.

É certo que o cobrar dinheiro pela passagem de provas é prática comum na modalidade. O que já não seria de esperar é que a Volta a Portugal exija valores semelhantes aos da La Vuelta a España, uma prova infinitamente mais importante e com muita maior projeção, ou que quase 40% do orçamento da Volta provenha de pagamentos das Câmaras Municipais.

O porquê de assim ser resulta não só de um problema de gestão, mas também do modelo de sociedade que construímos. Isso mereceria outro artigo – que, seguramente, escreverei em devido tempo -, mas, por agora, o que retém a nossa atenção é o estrago que causou.

Os desesperados pedidos públicos para fazer a Volta a Portugal serem sucedidos por um completo desmoronar dos planos para a sua realização tornaram o Ciclismo um alvo de chacota nacional. E, com este nível organizativo, bem que a Volta poderia mudar a sua alcunha para A Pequeníssima.

Foto de Capa: José Baptista/Bola na Rede

Artigo revisto 

José Baptista
José Baptista
O José tem um amor eclético pelo desporto, em que o Ciclismo e o Futebol Americano são os amores maiores. É licenciado em Direito (U. Minho) e em Psicologia (U. Porto).

Subscreve!

Artigos Populares

Jonathan David e Issiaka Kamate juntam-se ao plantel de Diego Simeone no Atlético Madrid

O Atlético Madrid oficializou as contratações de Jonathan David e Issiaka Kamate. Avançado canadiano chega por empréstimo com opção de compra.

Estrasburgo de Hugo Oliveira perde voz da experiência para a Premier League e jogador mais velho da equipa passa a ter apenas 24 anos

Ben Chilwell está de saída do Estrasburgo de Hugo Oliveira. Defesa vai voltar a Inglaterra e prepara-se para assinar com o Crystal Palace.

Alverca reforça o ataque com Dawda Camara: Avançado deixa o Girona por 150 mil euros

Dawda Camara foi oficializado como reforço do Alverca, proveniente do Girona numa transferência de 150 mil euros.

Esteve perto de rumar ao Benfica em 2025 e agora está a caminho do México por 6 milhões de euros

Carlos Álvarez está a caminho do América do México e negócio está fechado. Extremo deixa Levante por seis milhões de euros.

PUB

Mais Artigos Populares

Deportivo de A Coruña pronto para assinar com 2 alvos do Benfica neste mercado

O Deportivo de A Coruña vai assinar com 2 jogadores que foram colocados na rota do Benfica. José María Giménez e Marc Casadó a caminho da Galiza.

Ethan Nwaneri é o escolhido para substituir Giannis Konstantelias no Borussia Dortmund

Ethan Nwaneri foi oficializado no Borussia Dortmund. O extremo chega do Arsenal por empréstimo até ao final da temporada.

FC Porto contrata Emanuel Benjamín ao Real Madrid de José Mourinho

O FC Porto garantiu a contratação de Emanuel Benjamín. O lateral-direito de 19 anos deixou o Real Madrid e assinou um contrato de três temporadas.