A UCI sabe dar prémios

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Parece que sempre que aqui escrevo sobre a UCI é para criticar o organismo máximo do ciclismo mundial. Não é por me dar prazer. O que me daria verdadeiro gosto seria ter a modalidade que amo governada de forma séria e competente. Mas, infelizmente, não é isso que acontece e, como se costuma dizer, eles põem-se a jeito.

Um dos mais recentes episódios incompreensíveis da liderança de David Lappartient foi o conceder a distinção da Ordem da UCI ao ditador do Turquemenistão, Gurbanguly Berdimuhamedow. Ora, tantas questões que isto levanta.

Desde logo, o que é a Ordem da UCI? Segundo a UCI, é o seu mais elevado galardão. É uma honra que não era usada há mais de dez anos e que, tendo, é verdade, pouca relevância prática, não deixa de, até pela sua parca utilização, dar ar de uma relevância enorme do distinguido para a comunidade das duas rodas.

Mas, quem é esse Gurbanguly Berdimuhamedow? É o Presidente do Turquemenistão desde 2006, num regime autocrático de culto da personalidade. Entre outras atividades muito pouco simpáticas para os cidadãos que governa, o World Press Freedom Index 2020, da responsabilidade dos Reporters Without Borders, coloca o país como o segundo pior, só mesmo à frente da famosíssima Coreia do Norte, e as suas prisões integram uma sinergia entre falta de condições e tortura.

E o que fez ele para merecer a distinção? Bom, o Senhor Presidente é adepto da modalidade, já conseguiu bater um recorde do Guinness que incluía bicicletas e vai pagar para o seu país receber os Mundiais de Ciclismo de Pista de 2021.

Basicamente, é isto. Sim, a UCI decidiu agraciar com uma grande honra um dos mais severos ditadores do mundo que nem sequer fez qualquer contribuição particularmente importante para o ciclismo.

Ah! E, claro, convém não esquecer aquele detalhe de um os membros da direção da UCI ser um bilionário russo com negócios petrolíferos no Turquemenistão.

Mas, lembram-se de quando o Brian Cookson é que era mau Presidente da UCI, porque ele era britânico e a Sky ganhava sempre o Tour? Pois… Tudo se resolveu pelo melhor… ou não.

Foto de Capa: UCI

José Baptista
José Baptista
O José tem um amor eclético pelo desporto, em que o Ciclismo e o Futebol Americano são os amores maiores. É licenciado em Direito (U. Minho) e em Psicologia (U. Porto).

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