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Ciclismo: Pedigree da Volta a Portugal aumenta, mas favorito mantém-se

Pedro Filipe · 4 min

Volta a Portugal
Foto: Volta a Portugal

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Qualquer análise aos favoritos da Volta a Portugal 2026 deve começar por Artem Nych. O corredor russo apresenta-se como o principal candidato

Uma boa notícia, mas não deixa de ser uma grande incógnita da Volta a Portugal 2026. A presença da UAE Team Emirates-XRG, equipa mais poderosa do ciclismo mundial, constitui um dos acontecimentos mais relevantes dos últimos anos na corrida portuguesa. Este facto representa um importante reforço de prestígio para a prova que se realiza de 5 a 16 agosto e que chega à 87.ª edição.

Embora a formação dos Emirados Árabes Unidos não apresente as suas maiores estrelas, habituais protagonistas do Tour de France e das principais clássicas internacionais, a simples presença de uma estrutura WorldTour eleva significativamente o nível competitivo da corrida. Os corredores da UAE chegam com uma preparação e uma experiência competitiva raramente vistas nas estradas portuguesas, podendo alterar o equilíbrio habitual entre as equipas continentais nacionais.

No centro das atenções estará naturalmente Rui Oliveira. O campeão olímpico português regressa a casa integrado numa das equipas mais fortes do mundo e será uma das figuras mediáticas da edição. A sua presença poderá não ter como objetivo principal a classificação geral, mas a luta por etapas, pela camisola dos pontos ou mesmo o apoio a companheiros de equipa poderá tornar a UAE um dos protagonistas da corrida.

A dúvida que acompanha a equipa é simples: estará a UAE Team Emirates-XRG em Portugal apenas para ganhar experiência competitiva e promover os seus corredores, ou possui ambições reais de discutir a camisola amarela? A resposta poderá influenciar decisivamente o desenrolar da corrida. Se decidir assumir uma postura ofensiva, a equipa WorldTour poderá tornar a vida muito mais difícil a Artem Nych e aos restantes candidatos à vitória final.

Favoritos

No entanto, qualquer análise aos favoritos da Volta a Portugal 2026 deve começar por Artem Nych. O corredor russo da Anicolor/Tien21 apresenta-se na partida como o principal candidato à camisola amarela, depois de ter conquistado as duas últimas edições da prova.

Além dos resultados, existe outro fator que joga a seu favor: a força coletiva da Anicolor/Tien21. A equipa portuguesa tem sido a grande referência da modalidade nos últimos anos e volta a apresentar um bloco capaz de controlar a corrida nas etapas decisivas. Quando um candidato à geral possui a equipa mais forte e ainda é o vencedor das duas últimas edições, é inevitável considerá-lo o principal favorito.

O primeiro nome da lista é o de Enzo Leijnse, colega de equipa de Nych e um dos corredores mais valorizados do pelotão. O neerlandês possui qualidades para discutir a classificação geral e poderá funcionar como alternativa estratégica caso a corrida se torne mais imprevisível.

Outro candidato a seguir atentamente é Abner González. O porto-riquenho da Feirense-Beeceler já demonstrou nas edições anteriores que se sente confortável nas grandes subidas da Volta e continua a ser um dos trepadores mais perigosos da prova.

Entre os internacionais destaca-se ainda o brasileiro Henrique Avancini, uma das figuras mais mediáticas da corrida. Embora seja mais conhecido pelo seu percurso no BTT, a sua experiência e capacidade física tornam-no num potencial protagonista em etapas seletivas.

Percurso

O primeiro grande momento da classificação geral surge logo na quarta etapa, com chegada à Torre, na Serra da Estrela. Considerada a subida mais exigente do ciclismo português, a ascensão ao ponto mais alto de Portugal Continental deverá provocar as primeiras diferenças significativas entre os candidatos ao triunfo final. Quem sair da Serra da Estrela com dificuldades poderá ver as suas ambições seriamente comprometidas.

No dia seguinte, os especialistas terão uma oportunidade de ouro no contrarrelógio individual entre Anadia e Águeda. Os 17 quilómetros contra o relógio podem consolidar vantagens ou permitir recuperações importantes na classificação geral. Para corredores completos como Artem Nych, esta etapa pode revelar-se decisiva.

Contudo, a maior novidade da edição de 2026 surge na penúltima etapa. Pela primeira vez na história da Volta a Portugal, os ciclistas terão de enfrentar uma dupla subida à Senhora da Graça. A primeira ascensão será feita por uma vertente alternativa, incluindo um setor de terra batida, antes da subida final ao mítico Monte Farinha. Trata-se de uma inovação que promete espetáculo e que poderá transformar a etapa numa das mais duras da história recente da prova.

A organização introduziu ainda outras novidades, como uma subida em paralelo no Gerês, procurando aumentar a dificuldade técnica e tornar a corrida menos previsível. Num percurso tão exigente, dificilmente existirá espaço para vencedores ocasionais. A camisola amarela deverá acabar nos ombros do corredor mais completo, capaz de resistir à alta montanha, defender-se no contrarrelógio e sobreviver às armadilhas táticas das etapas intermédias.

Em suma, os ataques na Torre, as armadilhas da média montanha e o desgaste acumulado ao longo de quase duas semanas podem abrir espaço para surpresas. Trata-se precisamente dessa incerteza que torna a corrida tão apaixonante.

Pedro Filipe

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