Considerações sobre o BinckBank Tour: do marketing ao espetáculo

- Advertisement -

Cabeçalho modalidades

O adepto mais desatento está desculpado se o nome de BinckBank Tour não lhe trouxer qualquer recordação, é que apenas este ano a prova adoptou esta designação, após anos respondendo por Eneco Tour. Aquele que é conhecido na gíria como o Tour do Benelux – ainda que este ano se tenha ficado apenas por Bélgica e Países Baixos – mudou de patrocinador principal, da Eneco para o BinckBank, e o nome foi atrás.

Num desporto cuja fonte de receita são os patrocínios, esta ideia de nomear a prova com a marca parceira é interessante de analisar, especialmente acontecendo numa corrida do mais importante escalão do ciclismo, o World Tour. Parece, sem dúvidas, uma boa forma de garantir exposição ao patrocinador e, mesmo em Portugal, temos a Volta a Portugal Santander Totta, mas neste caso há o adicional facto de não haver uma identidade da prova, o nome desta é exclusivamente o de quem paga. É verdade que talvez lhe retire alguma capacidade de se afirmar historicamente, mas se esta é a forma encontrada de proporcionar um bom desafio aos ciclistas e um espetáculo aos adeptos, não há forma de sermos contra.

Desportivamente, este é um oásis para os classicómanos no meio do verão, tradicionalmente mais dedicado às provas mais montanhosas. Durante uma semana, somos transportados de volta para o cenário das clássicas de início de época – até pelo rigoroso clima do norte europeu – e vemos nomes como Peter Sagan, Philipe Gilbert e Greg van Avermaet de volta aos desafios das colinas, das estradas estreitas e do paralelo no lugar do asfalto. É claro que animação não falta e esta é uma prova que dá gosto acompanhar.

Por uma semana, os ciclistas voltaram ao cenário das clássicas Fonte: BinckBank Tour
Por uma semana, os ciclistas voltaram ao cenário das clássicas
Fonte: BinckBank Tour

Este ano, Peter Sagan foi a estrela principal e ainda que um furo na altura errada o tenha arredado da luta pela vitória final foi dos que mais deu à corrida a par de Tim Wellens cuja combatividade não lhe permite pedalar sem desferir inúmeros ataques. O vencedor final foi Tom Dumoulin, tendo o homem que ganhou o Giro em maio voltado a demonstrar a sua classe e polivalência. E até houve espaço para polémica quando Lars Boom venceu a 5ª etapa e celebrou com um manguito para a própria equipa, por esta o ter deixado de fora da seleção para a Vuelta a España.

Foi, mais uma vez, bonito de se ver e os fans de ciclismo de todo o mundo puderam desfrutar de sete etapas recheadas do que de bom a modalidade tem para oferecer. E quanto ao nome, que, como diria Fernando Pessoa, “primeiro estranha-se, depois entranha-se”, dá-se agora uma associação positiva, ao pensar em BinckBank, pensa-se em espetáculo. O financiador sai satisfeito e o ciclismo continua saudável de contas, que mais se poderia querer? Ora aí está, marketing bem feito.

Foto de Capa: Trek-Segafredo

José Baptista
José Baptista
O José tem um amor eclético pelo desporto, em que o Ciclismo e o Futebol Americano são os amores maiores. É licenciado em Direito (U. Minho) e em Psicologia (U. Porto).

Subscreve!

Artigos Populares

FC Porto mostra interesse em médio avaliado em 30 milhões de euros: eis a situação

O FC Porto olha com interesse para Caleb Yirenkyi. Médio ganês de 20 anos está avaliado em 30 milhões de euros pelo Nordjaelland.

Maxi Araújo sobre Rodrigo Zalazar: «Já lhe disse que tem de fazer 20 golos e 20 assistências no mínimo»

Maxi Araújo revelou conversa com Rodrigo Zalazar. Médio ofensivo uruguaio é reforço confirmado do Sporting por 30 milhões de euros.

José Mourinho já assinou contrato com o Real Madrid: eis as novidades

José Mourinho já assinou contrato com o Real Madrid. Técnico português deverá ser oficializado após as eleições presidenciais.

Atenção: FC Porto pode contratar internacional português

O FC Porto quer contratar André Silva a custo zero. Avançado português pode regressar ao Dragão, de acordo com a imprensa nacional.

PUB

Mais Artigos Populares

Roland Garros: Nuno Borges eliminado após perder com Andrey Rublev

Nuno Borges perdeu esta sexta-feira com o tenista russo Andrey Rublev e foi eliminado na terceira ronda de Roland Garros.

Barcelona continua em busca de um central esquerdino: eis o novo alvo

O Barcelona está em busca de um novo defesa central esquerdino. Josko Gvardiol é o mais recente alvo dos catalães.

Mercado: há mais um jogador que pode trocar o Rio Ave pelo Olympiacos

Cesary Miszta está pode ser o próximo jogador a deixar o Rio Ave para se juntar ao Olympiacos. O guarda-redes foi um dos destaques dos vila-condenses.