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Considerações sobre o BinckBank Tour: do marketing ao espetáculo

José Baptista · 2 min

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O adepto mais desatento está desculpado se o nome de BinckBank Tour não lhe trouxer qualquer recordação, é que apenas este ano a prova adoptou esta designação, após anos respondendo por Eneco Tour. Aquele que é conhecido na gíria como o Tour do Benelux – ainda que este ano se tenha ficado apenas por Bélgica e Países Baixos – mudou de patrocinador principal, da Eneco para o BinckBank, e o nome foi atrás.

Num desporto cuja fonte de receita são os patrocínios, esta ideia de nomear a prova com a marca parceira é interessante de analisar, especialmente acontecendo numa corrida do mais importante escalão do ciclismo, o World Tour. Parece, sem dúvidas, uma boa forma de garantir exposição ao patrocinador e, mesmo em Portugal, temos a Volta a Portugal Santander Totta, mas neste caso há o adicional facto de não haver uma identidade da prova, o nome desta é exclusivamente o de quem paga. É verdade que talvez lhe retire alguma capacidade de se afirmar historicamente, mas se esta é a forma encontrada de proporcionar um bom desafio aos ciclistas e um espetáculo aos adeptos, não há forma de sermos contra.

Desportivamente, este é um oásis para os classicómanos no meio do verão, tradicionalmente mais dedicado às provas mais montanhosas. Durante uma semana, somos transportados de volta para o cenário das clássicas de início de época – até pelo rigoroso clima do norte europeu – e vemos nomes como Peter Sagan, Philipe Gilbert e Greg van Avermaet de volta aos desafios das colinas, das estradas estreitas e do paralelo no lugar do asfalto. É claro que animação não falta e esta é uma prova que dá gosto acompanhar.

Por uma semana, os ciclistas voltaram ao cenário das clássicas Fonte: BinckBank Tour
Por uma semana, os ciclistas voltaram ao cenário das clássicas
Fonte: BinckBank Tour

Este ano, Peter Sagan foi a estrela principal e ainda que um furo na altura errada o tenha arredado da luta pela vitória final foi dos que mais deu à corrida a par de Tim Wellens cuja combatividade não lhe permite pedalar sem desferir inúmeros ataques. O vencedor final foi Tom Dumoulin, tendo o homem que ganhou o Giro em maio voltado a demonstrar a sua classe e polivalência. E até houve espaço para polémica quando Lars Boom venceu a 5ª etapa e celebrou com um manguito para a própria equipa, por esta o ter deixado de fora da seleção para a Vuelta a España.

Foi, mais uma vez, bonito de se ver e os fans de ciclismo de todo o mundo puderam desfrutar de sete etapas recheadas do que de bom a modalidade tem para oferecer. E quanto ao nome, que, como diria Fernando Pessoa, “primeiro estranha-se, depois entranha-se”, dá-se agora uma associação positiva, ao pensar em BinckBank, pensa-se em espetáculo. O financiador sai satisfeito e o ciclismo continua saudável de contas, que mais se poderia querer? Ora aí está, marketing bem feito.

Foto de Capa: Trek-Segafredo

José Baptista

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