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Cabeçalho modalidadesEste domingo, disputou-se em França uma prova de ciclismo diferente de todas as outras. É uma clássica de um dia, mas não de fundo, em contrarrelógio. E não é um contrarrelógio qualquer, não é o tradicional individual nem o típico por equipas, mas sim a pares. Trata-se do Duo Normand.

Criado em 1982, é uma prova francesa de final de época em que equipas de dois ciclistas percorrem 54 quilómetros em contrarrelógio. À parte da prova de Elites, há também uma corrida para amadores, o que faz com que mais de 400 equipas alinhem neste festival de ciclismo. A prova deve o seu nome a ser disputada na Normandia, na pequena localidade de Marigny-le-Lozon, com cerca de 2500 habitantes, que leva três semanas a organizar o certame.

Sendo percorrido o mesmo circuito todos os anos, há também a possibilidade de comparar os tempos ano após ano. Durante mais de uma década, o recorde ficou entregue à dupla Chris Boardman, Campeão Olímpico em Pista e antigo Recordista da Hora, e de Jens Voigt, que também foi Recordista da Hora e reconhecido no pelotão pela sua combatividade, estabelecido em 1999. Os atuais recordistas são Luke Durbridge e Svein Tuft, com o tempo de 2013, uma das três vitórias da dupla da GreenEDGE, atual ORICA-Scott.

Svein Tuft e Luke Durbridge venceram a prova 3 vezes e detêm o recorde de tempo Fonte: Duo Norm
Svein Tuft e Luke Durbridge venceram a prova 3 vezes e detêm o recorde de tempo
Fonte: Duo Norm

Esta clássica francesa oferece um espetáculo diferente aos espectadores e uma experiência nova aos ciclistas, não tendo par no calendário internacional e sendo um resquício de um tempo diferente da história do ciclismo de estrada, em que novas provas e formatos eram testados e em que havia maior intercâmbio entre o profissionalismo e o amadorismo. Numa época em que os Granfondos ganham destaque e até dão origem a provas profissionais, como a Pro Otztaler 5500, o Duo Normand é um pedaço de história vivo que nos faz lembrar o espírito empreendedor da modalidade.

No entanto, também há um lado negro na história da prova, já que em 2016 o ciclista amador Ian Bashford, de 60 anos, não resistiu a um choque com um dos carros de apoio, o que levou a que este ano fossem adoptadas medidas extra de segurança e houve lugar a um momento de homenagem na edição deste ano.

Este ano, a vitória sorriu aos homens da casa com o duo da Fortuneo-Oscaro, Anthony Delaplace e Pierre-Luc Perrichon, que bateram por mais de um minuto os dinamarqueses Mathias Norsgaard e Mikkel Bjerg, recentemente coroado campeão do mundo de contrarrelógio Sub23, da Team Giant – Castelli.

Foto de Capa: Rutland Cycling Club

José Baptista
José Baptista
O José tem um amor eclético pelo desporto, em que o Ciclismo e o Futebol Americano são os amores maiores. É licenciado em Direito (U. Minho) e em Psicologia (U. Porto).

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