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Europeus 2017: Tanto ainda por fazer…

José Baptista · 3 min

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Em 2016, os Campeonatos Europeus de Ciclismo de Estrada passaram a contemplar provas na categoria de elites, com a intenção de instituir a esta prova como de referência no mais histórico continente do panorama ciclístico. A edição deste ano, realizada em Herning, na Dinamarca, voltou a mostrar que ainda há muito para melhorar.

Sendo uma prova que ainda não atrai muitos dos grandes nomes do ciclismo europeu, teria de tentar compensar pela qualidade da organização, mas as falhas foram várias e precisam de ser corrigidas para o futuro.

Desde logo, até poucas horas antes do evento, apenas estavam disponíveis listas de participantes provisórias, incluindo vários ciclistas que não estariam presentes e a falta de informação levou a alguma confusão e a relatos contraditórias sobre a presença de certos candidatos à vitória.

Europeus ficaram marcados por críticas à organização Fonte: 2017 European Road Cycling Championships
Europeus ficaram marcados por críticas à organização
Fonte: 2017 European Road Cycling Championships

O sistema para seguir online os tempos provisórios do contrarrelógio também apresentou erros, tendo o mais marcante ocorrido no categoria de Sub23 masculino, em que quem seguia a prova via como garantida a vitória para Mikkel Bjerg, mas um golpe de teatro revelou que os tempos de Kasper Asgreen não tinham sido registados e que seria este o mais veloz.

A mais grave falha ocorreu na prova feminina Sub23, quando uma cidadã de bicicleta entrou pelo percurso adentro, resultando na queda e desistência de Lucy Shaw, ainda que sem consequências físicas graves. Felizmente, apenas a ciclista britânica foi afetada e escapou sem grandes mazelas, mas o erro da organização foi grave e poderia ter custado caro às participantes.

Na vertente desportiva, os esforços individuais contra o tempo foram os primeiros a ser disputados. No primeiro dia, sagraram-se campeões europeus de contrarrelógio Elena Pirrone (júniores femininos), Andreas Leknessund (júniores masculinos) e Pernille Mathiesen (Sub23 femininos).

Foto de Capa: 2017 European Road Cycling Championships

O segundo dia começou com o contrarrelógio de Elites femininas em que Ellen van Dijk repetiu a vitória de 2016, batendo desta vez Ann-sophie Duyck e Anna van der Breggen. Seguiu-se a já referida prova de Sub23 masculinos com vitória do dinamarquês Kasper Asgreen à frente do compatriota Mikkel Bjerg. Edward Dunbar, o grande favorito à partida, sentiu tonturas e náuseas relativas a uma concussão que sofreu numa queda no Giro Sub23 em junho e anunciou entretanto que não correrá mais esta época.

Em Elites masculinos, sem Stefan Kung, um dos grandes favoritos entre os pré-inscritos, mas que não alinhou em Herning, o destaque foi o equilíbrio e as diferenças curtas ao fim dos 46 quilómetros de prova, com Victor Campenaerts a levar a melhor por apenas 2 segundos de vantagem sobre Maciej Bodnar e 4 segundos sobre Ryan Mullen. Matthias Brandle falhou o podium por muito pouco, terminando a apenas 9 segundos do vencedor.

Pernille Mathiesen dominou os Sub23 femininos, vencendo o contrarrelógio e a prova de fundo   Fonte: Oliver Grenaa
Pernille Mathiesen dominou os Sub23 femininos, vencendo o contrarrelógio e a prova de fundo
Fonte: Oliver Grenaa

 

Nas provas de fundo, Michele Gazzoli foi campeão europeu em júniores masculinos, enquanto Lorena Wiebes venceu em júniores femininos batendo Emma Cecilie Norsgaard e Letizia Paternoster, que já na prova de contrarrelógio tinham ido ao podium. Nos Sub23, Pernille Mathiesen fez a dobradinha nos femininos e Casper Pedersen venceu isolado a prova masculina.

Em elites femininos, uma fuga de luxo nos últimos quilómetros levou a melhor com a lenda viva da modalidade Marianne Vos a juntar mais um título ao seu extenso palmarés, batendo outra das favoritas Giorgia Bronzini. As restantes sprinters tiveram de se contentar com a luta por lugares no top10, já que as suas equipas foram incapazes de propiciar um sprint em final compacto.

Na prova rainha, elites masculinos, as seleções em prova aproveitaram o vento para dinamitar a corrida e vários cortes foram surgindo, chegando ao final um grupo bastante reduzido. Na batalha tática entre a Noruega e a Itália, equipas dos maiores favoritos, a turma nórdica corrigiu os erros do passado e atacou com Boasson Hagen, resguardando Kristoff. Hagen seria apanhado já dentro dos últimos mil metros e após um erro no trabalho da Itália, com o último lançador a sair cedo demais, Elia Viviani ficou fechado e não conseguiu ultrapassar Alexander Kristoff num sprint decididos por poucos centímetros.

A participação portuguesa foi bastante discreta, com destaque para o 7º lugar de Maria Martins em júniores femininos e o 14º de Francisco Campos em Sub23 masculinos, ambos nas provas de fundo.

Foto de Capa: 2017 European Road Cycling Championships

 

José Baptista

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