Giro d’Italia #3: Afonso Eulálio brilha no crono, mas cede a ‘Maglia Rosa’ à fúria de Vingegaard

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A terceira semana de competição do Giro d’Itália 2026 elevou as emoções ao rubro, alternando entre a precisão do contrarrelógio, a audácia das fugas e a crueldade da alta montanha. No centro de todas as atenções esteve uma das páginas mais bonitas e surpreendentes do ciclismo português: o jovem Afonso Eulálio assinou uma defesa heroica e pragmática da Maglia Rosa, resistindo muito para além do expectável aos constantes ataques dos colossos do pelotão internacional. Contudo, quando a estrada inclinou verdadeiramente rumo ao céu, a lei do mais forte acabou por ditar uma inevitável e eletrizante passagem de testemunho, provando que a luta pelo Giro está viva, implacável e completamente imprevisível.

Etapa 10: Ganna domina o crono e Eulálio segura a liderança contra as probabilidades: O aguardado contrarrelógio individual de 42 km entre Viareggio e Massa, desenhado de forma totalmente plana ao longo do Mar Tirreno, confirmou o favoritismo absoluto de Filippo Ganna (Netcompany INEOS). O ciclista italiano pulverizou a concorrência ao registar uma média impressionante de 54,9 km/h, deixando o seu colega de equipa Thymen Arensman na segunda posição e Rémi Cavagna no terceiro posto. O jovem António Morgado também rubricou uma sólida prestação, chegando a ocupar provisoriamente a terceira marca do dia. Na luta pelo topo da classificação, Jonas Vingegaard tentou desferir um forte golpe na concorrência ao terminar no 13.º lugar.

Contudo, Afonso Eulálio (Bahrain Victorious) assinou uma exibição defensiva notável; apesar de perder tempo e terminar na 41.ª posição, superou as expectativas gerais e conseguiu conservar a Maglia Rosa por uma margem de 27 segundos sobre o dinamarquês.

Etapa 11: Narváez bisa em Chiavari num sprint de eleição: 195 km de estrada entre Porcari e Chiavari trouxeram um terreno acidentado com três contagens de montanha consecutivas na segunda metade, ideal para o sucesso de uma fuga. O arranque da corrida foi extremamente rápido, com os primeiros 60 km a serem percorridos a mais de 50 km/h, o que dificultou as primeiras movimentações. Formou-se um grupo de fugitivos de enorme qualidade que se jogou ao ataque. Na última subida, Enric Mas (Movistar) e Jhonatan Narváez (UAE Emirates) destacaram-se na frente. No duelo direto pelo triunfo, o equatoriano confirmou a sua ponta final mais veloz para bater o espanhol num sprint a dois, arrecadando a sua terceira vitória nesta edição da prova, enquanto Diego Ulissi fechou o pódio no grupo perseguidor. Os grandes favoritos à geral, incluindo o líder português Afonso Eulálio, e Jonas Vingegaard, cortaram a meta integrados e resguardados no mesmo grupo, mantendo-se a diferença de 27 segundos na frente.

Etapa 12: Golpe de mestre de Alec Segaert e Eulálio ao ataque: A ligação de 175 km entre Imperia e Novi Ligure foi endurecida pelo ritmo forte imposto pela Movistar nas subidas, o que provocou cortes no pelotão e fez com que os principais velocistas ficassem para trás. O momento de maior brilhantismo tático surgiu a 3 km da meta, quando Alec Segaert (Bahrain Victorious) aproveitou a hesitação do grupo principal para desferir um potente ataque solo. Valendo-se das suas credenciais de contrarrelogista, o belga resistiu à reação tardia do pelotão e ergueu os braços de forma isolada, à frente de Toon Aerts e Guillermo Silva. No que toca às contas da geral, o dia foi altamente produtivo para as cores nacionais: Afonso Eulálio surpreendeu os rivais directos ao atacar no sprint intermediário, amealhando 6 segundos de bonificação e estendendo a sua vantagem sobre Vingegaard para 33 segundos.

Etapa 13: Bettiol voa a solo e Eulálio ultrapassa contratempo: A 13.ª etapa propôs um percurso de 189 km até Verbania com uma fase final curta, mas muito inclinada, com rampas a atingirem os 13% de inclinação. Uma fuga maciça composta por 15 ciclistas atacou cedo e logrou acumular mais de nove minutos de vantagem, sentenciando a discussão da etapa face ao pelotão controlado pela Bahrain Victorious e pela Visma-Lease a Bike. Na subida decisiva de Ungiasca, Alberto Bettiol (XDS Astana) desferiu um contra-ataque fulminante no topo da montanha e lançou-se num voo solo imparável, cruzando a meta isolado com 26 segundos de margem sobre Andreas Leknessund. Mais atrás, o camisola rosa Afonso Eulálio apanhou um susto ao sofrer um problema com a sapatilha direita que o obrigou a recorrer ao carro de apoio, mas reentrou sem sobressaltos e cortou a meta no grupo dos favoritos a 13 minutos do vencedor, preservando a liderança.

Etapa 14: O hat-trick de Vingegaard e a passagem de testemunho da camisola rosa: A alta montanha regressou com toda a crueza numa tirada demolidora de 133 km e 4.400 metros de desnível acumulado sob um calor abrasador acima dos 30°C. O ritmo asfixiante imposto pela Visma | Lease a Bike fustigou severamente o grupo de favoritos. Na subida final para Pila, Jonas Vingegaard lançou um ataque letal a 5,5 km do topo, desfeiteando a oposição de Felix Gall para somar o seu terceiro triunfo em montanha neste Giro. Perante o forte andamento, o ciclista português Afonso Eulálio acusou o esforço logo nas primeiras rampas e acabou por ceder. Vingegaard assumiu de forma categórica a Maglia Rosa, fixando uma vantagem confortável de dois minutos e meio sobre Eulálio, que caiu para a vice-liderança, mas continua firmemente na luta pelos lugares do pódio.

Etapa 15: Uma fuga inesquecível consagra Dversnes em Milão A 15.ª etapa reservou uma tirada plana e veloz através da Lombardia com destino a Milão. O que parecia uma etapa destinada a um sprint massivo acabou por se transformar numa obra-prima dos quatro elementos da fuga do dia, que desafiaram as equipas dos sprinters a uma média frenética de 51,063 km/h. Nos metros finais no Corso Venezia, o norueguês Fredrik Dversnes (Uno-X Mobility) desferiu um ataque poderoso e surpreendeu o pelotão, batendo os companheiros de escapada para celebrar uma vitória surpreendente. No pelotão dos favoritos, os tempos para a geral foram registados de forma segura na penúltima passagem pela meta, permitindo a Jonas Vingegaard passar um dia sem percalços na liderança da corrida e segurar a camisola rosa antes do merecido dia de descanso.

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