

Duas Grandes Voltas concluídas na temporada, duas derrotas impiedosas de Anna van der Breggen no último dia de competição. Depois de Paula Blasi na Vuelta, foi a vez da ex-companheira Demi Vollering no Giro e a neerlandesa continua tão, tão perto, mas ainda sem vitórias em provas por etapas desde que regressou à competição depois de quatro anos retirada.
Foi ao quarto dia que a história da Geral se começou a construir. Uma cronoescalada permitiu a Van der Breggen conquistar a etapa e uma larga vantagem sobre as adversárias que passou os dias seguintes a (tentar gerir). As colinas do dia seguinte não mudaram muito na classificação, mas estabeleceram quem seriam as suas grandes adversárias daí em diante: Vollering, Holmgren e Niedermaier.
A oitava e penúltima etapa, uma incursão pela alta montanha, teve essas mesmas quatro protagonistas. E, quando um desabamento de um bloco de gelo encurtou o dia e forçou uma chegada em alto no Colle delle Finestre, van der Breggen deve ter suspirado de alívio. A compatriota Vollering não pecou por falta de ataques, mas nada fez descolar as adversárias, e a líder da FDJ contentou-se com mais uma vitória de etapa e uns segundos das bonificações.
Tudo mudou no último dia, porém. O perfil, com mais dureza no início que no fim, dava uma falsa sensação de segurança. Mas, rapidamente se percebeu que haveria luta todo o caminho. Tanto que a cerca de 100 quilómetros do fim já só sobravam no grupo da frente sete ciclistas. A partir daí, instaurou-se um ambiente de clássicas, com ataques e contra-ataques.
Niedermaier foi a primeira a colocar-se em posição de dar a volta ao texto, integrando um trio que se destacou e que ameaçava a Maglia Rosa. Contudo, Demi Vollering esperou pelo momento certo para responder e, quando o fez, não fez por menos. Descarregou Van der Breggen, fez a ponte para a o trio dianteiro, e garantiu que no final pode celebrar a conquista do Giro, juntando-o ao Tour (2023) e à Vuelta (2024, 2025) para se tornar na segunda mulher da história a conquistar as três grandes.
Fora dos holofotes da Geral, os sprints também tiveram o seu momento marcante neste Giro. Para os livros de história ficará o domínio de Elisa Balsamo, que triunfou em quatro etapas (todas as que terminaram em pelotão compacto) e levou para casa a camisola vermelha dos pontos. O problema é que a sua principal adversária – e candidata maior a levar para casa todas essas jornadas que caíram para a italiana – foi para casa mais cedo.
Lorena Wiebes, a mulher mais rápida do mundo, até cruzou em primeiro a meta ao primeiro dia, mas acabou desqualificada da prova após uma pesagem à sua bicicleta indicar que esta estava abaixo do peso mínimo requerido pela UCI. O seu conjunto, a SD Worx, já anunciou que impugnará judicialmente a decisão, pelo que ainda teremos que esperar para saber em definitivo se Balsamo fica mesmo com as quatro vitórias no palmarés.

