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João Almeida termina Volta à Catalunha no pódio

Ricardo Rebelo · 3 min

João Almeida termina Volta à Catalunha no pódio
Foto: Volta à Catalunha

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O ciclista português de 24 anos, atualmente a representar a UAE Team Emirates, finalizou, pelo segundo ano consecutivo, no degrau mais baixo do pódio da Volta à Catalunha, naquela que foi a edição número 102º da competição.     

O “Duro das Caldas” mostrou-se consistente ao longo da semana de prova, correndo fiel ao seu estilo e podendo-se dizer que a uns furos acima de grande parte dos especialistas em provas por etapas presentes na corrida catalã. O que é certo é que a excelente forma do ciclista português não deu para ameaçar os dois primeiros classificados, que cavaram uma diferença superior a dois minutos para a restante concorrência.

Primoz Roglic (Jumbo-Visma) manteve a sua senda vitoriosa, batendo Remco Evenepoel (Soudal-Quick Step) por uma margem de seis segundos. Os dois favoritos à conquista da próxima edição do Giro d´Italia mostraram na estrada o equilíbrio que se perspetivava, tendo a classificação sido decidida pela maior apetência do esloveno aos duelos mano-a-mano com o atual campeão do mundo, quer nos finais ao sprint, quer nos sprints intermédios na luta pelas bonificações.

Dentro das principais notas a reter, encontram-se as quatro vitórias divididas pelos “patrões” do pelotão, que viram apenas em João Almeida uma ameaça e em Giulio Ciccone outra ameaça… esta, tornada realidade. O italiano venceu a segunda etapa, mostrando um “kick” ao nível dos melhores trepadores”, no entanto, voltou a pecar na consistência, algo que acaba por ser a sua imagem de marca.

O homem da Trek-Segafredo caiu a sétimo lugar no final da prova, num top 10 com destaque para nomes como o colega de equipa de João Almeida, Marc Soler (surpresa) ou Cian Uijtdebroeks, da Bora-hansgrohe, um nome de quem se espera muito, e que, de resto, mereceu uma menção na listagem de nomes feita pelo Bola na Rede no que concerne às promessas a ter em conta para 2023.

A competição, marcadamente acidentada, teve ainda duas etapas onde os sprinters tiveram as suas chances, defraudadas por um atleta que, com “tudo”, ficou. Kaden Groves (Alpecin-Deceuninck), venceu as duas jornadas que não foram disputadas pelos homens da geral, batendo outros homens rápidos, como Bryan Coquard (Cofidis), Jon Aberasturi (Trek-Segafredo) ou Ide Schelling (Bora-hansgrohe).

A aquisição australiana conseguiu imprimir a maior potência dentro de um lote de velocistas muito restrito, dadas as etapas complicadas para os sprinters do pelotão mundial. No mesmo prisma, os duelos entre Roglic e Evenepoel decidiram-se na base da força, mas não só.

O equilíbrio entre os dois é cada vez maior, deixando a ideia (tendencialmente correta) de que Roglic é mais forte ao sprint cada vez mais discutível vista a evolução do prodígio belga, que se encontra numa espiral de evolução notável nos esforços em altitude e frente aos trepadores de topo.

A tão falada falta de experiência de Evenepoel e o gesto de frustração para com Roglic marcaram também a corrida, que, acima de tudo, brindou o adepto comum com uma luta ao segundo entre a elite das elites do pelotão. Outro ponto impossível de não mencionar foi a estratégia da equipa de João Almeida, muito criticada em virtude da falta de apoio ao ciclista português, que ainda assim deu mostras da sua valia, assim de como é o ciclista em melhor forma na equipa do médio oriente para além do fora de série Tadej Pogacar.

A primeira grande volta do ano começa já a partir do próximo dia seis de maio, com muitos dos principais líderes que estiveram na Catalunha a lutar por um objetivo de época em terras italianas. Antes, vem ainda o período de clássicas e monumentos do qual se espera muito espetáculo.

Ricardo Rebelo

Redação Bola na Rede · ver artigos

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