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Mundiais de Ciclismo’16: Incrível Saga(n)

Nuno Raimundo · 5 min

Mundiais de Ciclismo’16: Incrível Saga(n)

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Cabeçalho modalidadesChegou ao fim a competição que reúne ciclistas de todas as nações para tentarem ganhar uma medalha para o seu país, algo diferente do que ocorre no resto do ano (com exceção de anos em que existem Jogos Olímpicos) em que temos os corredores a servirem a equipa com a qual têm contrato. Ciclistas que lutaram contra si nas mais variadas provas, ao longo de todo o ano, lutaram por um objetivo em comum: fazer da sua nação a vencedora!

São momentos onde podemos ver ciclistas rivais no resto do ano a unirem forças pelo seu país e por todo um povo. É o tempo dos ciclistas deixarem de parte os motivos financeiros e terem como motivo fulcral o facto de serem o orgulho do país e a esperança de toda uma nação.

Indo aos resultados e começando pela prestação feminina:

A dinamarquesa Amalie Diderikson sagrou-se campeã do mundo da prova de estrada em seniores e a italiana Elisa Balsamo sagrou-se campeã na mesma vertente mas em juniores. A norte americana Amber Neben foi a vencedora do contrarrelógio individual de seniores (superou a favorita Ellen Van Dijk) e a holandesa Karljin Swinkels venceu na mesma especialidade mas em juniores. Por fim, no contrarrelógio por equipas, a equipa holandesa da Boels foi a medalhista de ouro da prova, sendo que a alemã Canyon e a suíça Cervélo ficaram com as medalhas de prata e bronze, respetivamente. É de destacar a capacidade das holandesas e, também, das representantes dos países nórdicos em conseguirem ter excelentes prestações, no geral. As norte-americanas estiveram igualmente em boa forma.

Amalie Dideriksen foi a mais forte no sprint Fonte: Cycling Tips
Amalie Dideriksen foi a mais forte no sprint
Fonte: Cycling Tips

Passando para a prestação masculina:

Começando pelo contrarrelógio coletivo, o pódio foi o esperado (repetiu o ano de 2014, neste aspeto), mas com um vencedor diferente do que a maioria poderia prever. A Etixx-Quick Step superou a favorita e bicampeã BMC numa prova onde a equipa belga dominou do início ao fim e, por apenas 12 segundos, levaram o título de campeões do mundo para casa. Um dos fatores decisivos foi a adição de última hora de Marcel Kittel à equipa, que mostrou ser uma verdadeira “big engine” durante o percurso. O terceiro lugar foi atribuído justamente à Orica, que já merecia uma distinção assim (a união e apoio dentro da própria equipa é incrível).

No contrarrelógio individual, o alemão Marco Mathis venceu na categoria de sub-23, o norte-americano Brandon McNulty na categoria de júnior e o tão esperado evento do CR masculino de seniores foi ganho, surpreendentemente – devido a ter tido um jejum de 3 anos consecutivos sem vencer e ter maior concorrência – por um dos melhores contrarrelogistas de sempre, neste caso, o também alemão Tony Martin.

O ex-ciclista da Etixx, e que irá em 2017 para a Katusha, fez um tempo verdadeiramente demolidor e bateu por 45 segundos o tempo do bielorrusso Vasil Kiryienka. É de destacar que o ciclista da Sky não teve um grande ano em termos de CR’s, mas a verdade é que desde 2012 que não faz pior do que um 4.º lugar nos Mundiais. Por fim, outro prémio merecido foi para o espanhol Jonathan Castroviejo, que teve aqui um resultado justíssimo para o que tem vindo a fazer durante este ano na equipa da Movistar. Tom Dumoulin e Rohan Dennis, principalmente, estiveram abaixo do esperado, sendo que o português Nélson Oliveira foi 20.º classificado.

Na prova de estrada, o norueguês Kristoffer Halvorsen venceu em sub-23, o dinamarquês Jakob Egholm foi o homem mais rápido na categoria de juniores e, na prova mais aguardada de todas, Peter Sagan mostrou que é um ciclista inigualável e conseguiu o bi-campeonato para si e para a seleção da Eslováquia. O britânico Mark Cavendish esteve perto, mas teve de se contentar com a medalha de prata. Ainda assim, o homem da Dimenson Data a provar, depois do que fez este ano, que os sprints continuam a ser “a sua praia”. Sendo que, por fim, foi muito bom ver um “veterano” como Tom Boonen a conseguir chegar ao último lugar do pódio e levar para casa a medalha de bronze. O experiente belga, de 36 anos, da Etixx superou ciclistas como Matthews, Nizzolo ou Kristoff e chegou à tão aguardada medalha.

Acrescentando a tudo isto, é verdadeiramente “monstruoso” o que o homem da Tinkoff e, a partir de 2017, da Bora, tem feito ao longo da sua carreira e esta foi mais uma conquista para adicionar ao seu vasto e impressionante currículo. É quase “razoável” começar a questionar-se se realmente Sagan é “deste planeta”… sem dúvida alguma, estamos na presença de um dos melhores ciclistas da história deste desporto e ainda iremos ver muito mais dele nos próximos largos anos (ainda “só” tem 26 anos).

É preciso avaliar se a aposta no Catar foi boa Fonte: esciclismo
É preciso avaliar se a aposta no Catar foi boa
Fonte: esciclismo

Pelo segundo ano consecutivo, a camisola do arco-íris será dele, repetindo uma situação protagonizada, pela última vez, por Bettini e entrando num lote restrito de atletas que conseguiram este mesmo feito. O maior destaque da corrida vai para o momento da separação entre cerca de 25 corredores e o resto do pelotão, ainda a 150 km’s para o fim. O vento e a grande prestação da equipa da Bélgica – a Itália, a determinada altura, foi igualmente decisiva – ajudaram a esta situação de corrida ocorrer, sendo que os mais prejudicados e os maiores derrotados foram mesmo os alemães e os franceses.

Depois de vitórias no Europeu de Ciclismo, GP do Quebec, Tour de Flandres, Gent-Wevelgem e de muitas outras camisolas e etapas conquistadas (inclusive, 3 no Tour), Peter Sagan termina da melhor forma o ano, juntando o campeonato do mundo à vitória no ranking anual de ciclismo. Mais uma espetacular época para um dos melhores ciclistas da atualidade e um dos melhores de sempre!

Por fim a organização. A prova teve muito pouco público a assistir, as temperaturas foram adversas, o percurso da prova de estrada foi praticamente plano (e, mesmo assim, o Sagan venceu) e, provavelmente, o lucro superou o espetáculo. Que é de destacar essa suposta “preferência” pela parte financeira em detrimento do público, do desporto em si e do espetáculo. Se realmente é algo que deveria ou não acontecer…

Foto de capa: Carro Vassoura

Nuno Raimundo

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