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Delmino Pereira é o presidente da Federação Portuguesa de Ciclismo. Em entrevista ao Bola na Rede, falou de como Rui Costa é um exemplo para toda uma geração de ciclistas, da Volta a Portugal, mas também dos problemas que o ciclismo português enfrenta, nomeadamente a falta de visão para o exterior por parte de muitos clubes.

 

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Bola na Rede: Como é que começou a sua carreira profissional?

Delmino Pereira: Comecei já na categoria de juniores, em Trás-os-Montes, uma região onde o ciclismo não está muito desenvolvido. Iniciei nas corridas regionais e foi assim que principiei a minha carreira.

BnR: Quais os melhores momentos?

D.P.: Fui muito feliz enquanto ciclista profissional, pois adorava a competição. Destaco a primeira participação na Volta a Portugal, o meu campeonato nacional, o prémio que recebi na Volta à França do Futuro e o facto de ter sido ciclista do ano em 1990.

BnR: Arrepende-se de alguma coisa na sua carreira, enquanto ciclista?

D.P.: Não, no desporto não podemos ficar com essas mágoas. Hoje em dia, a figura do gestor de carreira é importante. Não existia tal figura no meu tempo e admito que a minha carreira possa não ter sido rentabilizada ao máximo, visto ter permanecido sempre no mesmo clube. Admito que possa ter sido um erro, mas foram as circunstâncias da vida. O desporto evolui e hoje em dia os ciclistas têm acesso a outro tipo de informação importante para tomarem melhores decisões nas suas carreiras.

BnR: É mais fácil ser atleta hoje em dia ou no seu tempo como ciclista?

D.P.: É mais fácil ser hoje em dia. Temos mais informação, mais técnicos, mais conhecimentos. Mas se falarmos numa carreira profissional, é mais difícil, neste momento, devido à conjuntura e à pouca oferta de grandes projetos profissionais. Existe uma porta que não existia no meu tempo, que é a possibilidade de se fazer uma carreira internacional e termos também um projeto de seleção nacional muito mais capaz de projetar os atletas para uma carreira internacional.

BnR: Tendo em conta essa possibilidade da carreira internacional e tendo como exemplo ciclistas como o Rui Costa ou o Nélson Oliveira, acha que é mais fácil alcançar o sucesso ao ser-se ciclista em solo nacional ou internacional? 

D.P.: Nós temos mais praticantes, melhores treinadores e conseguimos detetar talentos acima da média. Estes factos e a boa dinâmica ao nível da seleção nacional permite aos atletas participarem em provas estrangeiras e são nesses palcos que os atletas portugueses ganham destaque e surge a oportunidade de fazerem uma carreira internacional. Essa deve ser a primeira ambição de um ciclista que se inicia na modalidade e nós estamos preparados para proporcionar essas mesmas oportunidades.

BnR: Acha que os recentes sucessos dos ciclistas portugueses “lá fora” despertam ainda mais a motivação e o interesse dos jovens ciclistas portugueses?

D.P.: Sim, é um dos fatores. O Rui Costa motivou uma geração e temos muitos jovens que também podem chegar ao nível dele. Este grupo de internacionais são um grande fator de motivação para os mais novos.

BnR: Voltando à comparação entre o ciclismo na sua altura e agora…como eram no seu tempo as condições de treino e o que mudou?

D.P.: Existem algumas coisas distintas…  os treinos de há 20 anos para os treinos de agora são realmente diferentes. Nós treinávamos por “sensações”, não tínhamos  um plano de treino definido. Atualmente, o ciclismo é uma ciência, cada vez se trabalha mais e melhor. Há cada vez mais e melhores treinadores, formas e técnicas de treino muito evoluídas.

BnR: Como surgiu o convite para ser Presidente e quais as funções que desempenha?

D.P.: Eu fui ciclista até 2001 e em 2004 comecei a ser Dirigente, fui Diretor 4 anos e depois Vice-Presidente durante mais 4 anos. Entretanto, surgiu a oportunidade de ser Presidente e aceitei esse desafio. O grande desafio que enfrentamos é sentirmos que, com a modalidade em crescimento, precisamos da política ideal e procurámos, então, os meios financeiros para desenvolver essa política. A grande dificuldade é angariar os meios necessários para investirmos onde eu acho que devíamos investir.

A Federação não esquece Joaquim Agostinho
A Federação não esquece Joaquim Agostinho

BnR: Em 2016, vai entrar em vigor a regra de apenas 3 ciclistas com mais de 28 anos conseguirem ser inscritos. Acha que coloca ainda mais entraves ao profissionalismo dos ciclistas em Portugal? E vai entrar em vigor na Volta a Portugal?

D.P.: Essa regra nunca avançou para a Volta a Portugal. O que está decidido é que as equipas continentais e nacionais têm de obedecer a uma quota de 60/40, ou seja, 40% de corredores com mais de 28 anos e 60% com menos de 28 anos. Na constituição da equipa e participação em provas, essa regra não se aplica. A participação dos atletas é uma opção do treinador dentro do plantel que tem, que está sujeito a essa cota, e que faz o seu grupo de atletas. Queria ainda dizer que é um assunto importante porque nenhuma equipa intercontinental ou nacional pode constituir-se de forma livre, está sempre condicionada a uma quota mínima. É preciso perceber que o ciclismo está dividido em 3 divisões: World Tour, a 1.ª divisão/categoria, sem restrição de quotas, e a continental-nacional, cujas equipas têm um cariz de formação. As nossas equipas são dessa divisão e dão oportunidades aos atletas sub-23 e juniores. Se nós não definirmos bem esse conceito, as nossas equipas só vão buscar ciclistas repescados do World Tour, que estão em final de carreira e que bloqueiam a entrada de mais jovens. Neste momento, temos uma média de 30% a 40% de miúdos aos quais não lhes é dada oportunidade. Mas há muitas equipas continentais-nacionais só com atletas sub-23. O que não me agrada é o facto de as equipas só irem buscar corredores nas casas dos 30 anos.

BnR: Mas não é importante ter numa equipa alguém mais velho e mais experiente que ensine os mais jovens? 

D.P.: Não é isso que importa. O que devíamos ter era uma equipa continental-nacional, onde o diretor desportivo fazia o plantel. Esta é a nossa maior lacuna. É preciso perceber que os jovens têm direito a ter oportunidades e a sonhar. Uma das oportunidades dadas é através da seleção, mas só para corredores muito acima da média. Os outros têm de ter oportunidades nas equipas. Mas como não temos essas equipas temos esse vazio. É um problema de conceito e muitas vezes as nossas equipas não têm uma vocação formativa.

BnR: É possível existir uma Volta a Portugal que realmente percorra o país inteiro ou as dificuldades económicas e de calendário não o permitem?

D.P.: A Volta a Portugal deve percorrer o território nacional mas há que lembrar que o nosso território não é todo igual. Existem zonas com maior capacidade económica para receber a Volta e outras que não têm capacidade nem interesse. A Volta não tem ido ao sul de Portugal porque não existe interesse. A Volta nasceu com a ideia de percorrer Portugal de bicicleta e o nosso desafio é voltar a tornar isso possível. Não é por serem apenas 11 dias que não é possível, o problema aqui é a capacidade económica dos municípios.

BnR: E poderemos voltar a ver a Volta a Portugal em terras algarvias ou não existe a tal capacidade e interesse de que falou?

D.P.: É uma questão estratégica das regiões, também. Nós temos uma procura muito grande de certas regiões, principalmente a norte, muitas vezes municípios vizinhos. Do Algarve não tem surgido esse interesse e é fácil explicar o porquê. Nessa altura, (Agosto) o Algarve está cheio de turistas e a Volta a Portugal trás consigo por volta de 1500 pessoas atrás, logo, o Algarve não precisa destas pessoas pois já tem imensas. Hoje em dia, tudo gira em torno do interesse económico, todos sabem a importância de a Volta chegar a uma certa região, mas, de facto, há outros interesses que não convencem as regiões, mas estamos igualmente a procurar soluções para que a Volta percorra todo o território. Este ano há a possibilidade de ir ao Alentejo.

BnR: Estando a Volta a Portugal entre o Tour e a Vuelta, acha que algum dia será possível virmos a ter ciclistas de maior renome internacional na prova?

D.P.: É cada vez mais difícil. A Volta nunca teve presença de grandes campeões. Já vieram alguns de grande nível mas nunca vinham para ganhar a prova. A Volta é um evento destinado, por natureza, aos ciclistas portugueses e não será fácil reunir grandes nomes do ciclismo.

BnR: Existe então uma certa distinção entre a Volta a Portugal e ao Algarve, pois esta última costumar ter a presença de grandes nomes do ciclismo mundial. Acha que é por uma questão de calendário ou da maneira como a Volta ao Algarve está constituída e que faz mais sentido para os ciclistas participarem nela?

D.P.: São vários os fatores. A Volta ao Algarve acontece em Fevereiro, só dura 5 dias e tem muito prestígio. O Algarve tem boas ofertas, tem um bom clima e há um conjunto de fatores importante para a realização da Volta ao Algarve. Tem vindo a crescer, também, o interesse desportivo da prova devido aos atletas que venceram as ultimas duas Voltas ao Algarve e há uma particularidade para o sucesso, que é o facto de não ser incompatível com as grandes provas. Temos tentado fazer com que tanto a Volta ao Algarve como a Volta ao Alentejo sejam provas de interesse para equipas internacionais, para que venham cá treinar e estagiar. Também não podemos esquecer que a Volta a Portugal tem características únicas, é um evento que coincide com as férias dos portugueses, que move todo o nosso povo ao longo da estrada e isso faz com que os atletas portugueses treinem a pensar na Volta a Portugal.

BnR: Vai haver transmissão televisiva da Volta ao Algarve?

D.P.: Estamos a trabalhar para que isso seja possível, vamos ver nos próximos tempos.

BnR: Recentemente, Sporting e FC Porto entraram na modalidade. O que pode trazer a entrada de clubes desta dimensão ao ciclismo português?

D.P.: Portugal tem uma história única no ciclismo, pois o ciclismo sempre se desenvolveu associado aos clubes de futebol e somos o único país no mundo onde isso acontece. Para muitos portugueses, ainda estão na memória as grandes rivalidades entre Benfica, Porto e Sporting, todos ganharam Voltas e muita desta “clubite nacional” foi graças ao ciclismo que, “de porta a porta”, levava as camisolas dos clubes e permitia às pessoas verem as camisolas às riscas verdes do Sporting ou a camisola vermelha do Benfica numa altura onde a televisão não era a cores. Este regresso dos clubes ao ciclismo é bom porque vai dar mais mediatismo à modalidade e às provas e vai atrair à rua mais pessoas. Este formato de se associar a uma equipa não é original, já se fez no passado, os clubes associam-se a uma equipa que já tem as bases e dão a identidade a esta, mas é um bom formato. Esperemos que sejam projetos duradouros e credíveis para que possa existir o aumentar do interesse pelo ciclismo em Portugal.

BnR: Sporting e Porto têm uma rivalidade muito forte no futebol, que por vezes ultrapassa os limites. Acha que essa rivalidade pode passar para o ciclismo e prejudicar a modalidade?

D.P.: Serão circunstâncias imprevisíveis. No passado, José Maria Nicolau (Benfica) e Alfredo Trindade (Sporting) tinham uma grande amizade fora das corridas e o ciclismo nunca teve problemas de fair-play e de desportivismo. O ciclismo nesse aspeto é exemplar. Mas as circunstancias também mudaram, pois, neste momento, as rivalidades estão mais acentuadas, embora acredite que vá imperar sempre o fair-play entre os adeptos. É algo que teremos de avaliar, mas esperemos que corra tudo bem e não haja polémicas.

BnR: Como comenta o caso W52/Sporting/Porto?

Desconheço pormenores desse processo mas gostaria que não tivesse acontecido dessa forma. São circunstâncias do desporto, da rivalidade, mas estou alheio a tais circunstâncias.

A equipa do Bola na Rede com Delmino Pereira
A equipa do Bola na Rede com Delmino Pereira

BnR: Nestes últimos anos, temos visto cada vez mais casos de doping no ciclismo. Principalmente depois do caso de Lance Armstrong, acha que a dúvida sobre o vencedor irá persistir para sempre em qualquer prova?

D.P.: Não acho. Após o caso de Lance Armstrong, a nossa modalidade atravessou um processo pioneiro de controlo anti doping com a implantação do passaporte biológico. Obviamente que uma modalidade com um processo pioneiro como este corre sempre o risco de ter as primeiras vítimas. Tivemos alguns casos mas estamos a sair desse processo e gosto de ver corredores como o Contador ou o Froome a dizer que só um corredor louco é que pode dopar-se. O sistema está tão evoluído que é praticamente impossível um corredor de categoria World Tour dopar-se e não ser apanhado. O problema é que este processo acontece de cima para baixo e não ao contrário. Vão surgindo alguns problemas e até vejo como má-fé a forma como alguns comentadores apontam o dedo  à modalidade sem saber o que se está a fazer para combater o doping. Estamos agora a implementar esse processo nas restantes divisões e acredito que estamos no caminho certo.

BnR: Quando existem casos de doping em atletas portugueses, como é que a Federação Portuguesa de Ciclismo atua?

D.P.: Atua com a máxima clareza possível. Sabemos que o futuro do ciclismo passa pela credibilização da modalidade e quem a credibiliza são os atletas e os seus resultados. Só assim é que conseguimos atrair investidores. Acima do interesse publicitário tem de estar o prestígio e a credibilidade. Todos estes interesses não avançam se a modalidade não estiver credibilizada. Entre a ADOP, nós e o Governo existe uma grande força para lutar pela verdade no ciclismo.

BnR: Tendo em conta os últimos anos, como é que acha que o ciclismo português é visto internacionalmente?

D.P.: Temos várias circunstâncias. Primeiro, está demonstrado que os ciclistas portugueses podem ser campeões do mundo como outros ciclistas são, está também demonstrado que temos uma boa política de seleção nacional e formação, com os resultados à vista. Ainda temos um problema, visto que a maior parte da nossa comunidade ainda não se “virou para o exterior”, ainda não olha para o ciclismo como um desporto global e só se prepara para ganhar provas nacionais. Ainda temos algumas visões que não estão atualizadas e que não estão de acordo com o que deve ser o futuro do ciclismo, que passa por um contexto global. Concluindo, temos um ponto positivo que é a seleção nacional e os seus resultados e que tem vindo a credibilizar o trabalho que se faz em Portugal. Somos uma federação que renovou o ciclismo em todas as suas frentes, sendo que temos igualmente bons resultados em BTT e no Ciclismo de Pista. Sofremos pelo facto de sermos um país periférico, pois no centro da Europa corre-se na Bélgica, na Holanda e temos à volta de 100 corridas por ano num raio de 1000 km’s. Sofremos sesse problema e também do facto de ainda termos uma mentalidade que vê o ciclismo muito dentro de fronteiras e as pessoas de fora também olham para nós desta forma. É cada vez mais importante que os portugueses participem nas provas com a ambição de as disputar e é preciso que as equipas portuguesas façam algo que a seleção nacional já faz que é ir às provas internacional para as disputar e não só para participar.

BnR: Quais as expetativas para o futuro do ciclismo nacional?

D.P.: Sou otimista, sei que vamos ter problemas, mas iremos ultrapassá-los. Existem cada vez mais países a apostar na bicicleta como forma de mobilidade e há cada vez mais pessoas a fazerem do ciclismo a sua prática desportiva diária. Tudo isto irá fortalecer a nossa base de recrutamento. Temos figuras internacionais, ainda são jovens e tenho a certeza de que no futuro ainda irão conquistar mais prémios. Temos uma forte aposta na formação de treinadores, técnicos e atletas. Iremos continuar a fornecer corredores de qualidade ao ciclismo mundial, não tenho dúvidas. A vida do Sporting e do Porto é uma janela de oportunidade, pois se estes projetos se afirmarem, o ciclismo de corrida em Portugal irá afirmar-se ainda mais. Queremos também conseguir cada vez melhores resultados, tanto em estrada, como em pista, bem como em BTT.

BnR: Quantos atletas vão aos JO?

D.P.: Qualificámos 4 corredores para o ciclismo de estrada e há a possibilidade de qualificarmos ainda mais 2. Podemos bater o record de corredores nos JO.

BnR: Quais os objetivos e expetativas para estes próximos Jogos Olímpicos?

D.P.: Tal como disse, bater o recorde de corredores que participaram nos JO. Os JO são sempre imprevisíveis, principalmente a prova em linha, onde tudo pode acontecer. O que é um facto é que nós temos quatro corredores, enquanto outros países têm 5/6 e essa diferença é grande. Nos campeonatos do mundo, a diferença é maior, já que chegámos a ter “apenas” 3 atletas e outros países tinham 9. Queremos colocar corredores nos primeiros lugares e melhorar os resultados dos últimos JO. Todos os atletas estão focados nos JO. Nota-se uma mudança de mentalidade, no meu tempo a Volta a Portugal estava acima dos JO. Por exemplo, aquilo que mais motiva o Tiago Machado a treinar todos os dias, neste ano, é uma possível participação nos JO. Infelizmente, ainda temos muita gente que pensa num ciclismo caseiro e que ainda pensam na Volta a Portugal como o centro do mundo. Estamos a transformar uma geração, mas isso demora o seu tempo.

BnR: Mas não será também por questões económicas que as equipas portuguesas olham para o ciclismo de uma maneira mais fechada?

D.P.: É uma questão económica mas é também uma questão de visão. É possível que as nossas equipas achem que a probabilidade de vencerem a Volta a Portugal é maior do que vencerem a Volta ao Algarve ou outras corridas. O nível competitivo é completamente diferente. O facto de a Volta ao Algarve não ser transmitida em direto e de não ter muito público acaba, igualmente, por contribuir para esse cenário. Este tipo de provas, de início de época, não têm o retorno estratégico que tem uma Volta a Portugal para as equipas portuguesas. Há um interesse económico que, por vezes, não coincide com o interesse da sua equipa. Se uma equipa tem um corredor muito bom a correr em Portugal, interessa-lhe mantê-lo por cá, “bem guardado”, mais do que afirmá-lo numa Volta ao Algarve e ficar sem ele. É um choque de interesses entre a equipa, que se preocupa com o retorno publicitário e económico, e o ciclista, que já percebeu que se realmente se afirmar numa prova como a Volta ao Algarve, pode ter a oportunidade de fazer uma carreira internacional do que se fizer “apenas” a Volta a Portugal.

BnR: Que conselho ou conselhos pode dar a todos os jovens que estão a iniciar a sua atividade no ciclismo?

D.P.: Têm que acreditar que o único caminho que há é o caminho da verdade desportiva e do trabalho. Vão entrar num mundo maravilhoso, de sucesso, de vantagens económicas e que podem lançá-los para o circuito internacional e para a história do ciclismo. Esse percurso é possível, é preciso determinação e muito trabalho. Os jovens devem acreditar que existem oportunidades para brilharem.

BnR: Quais são os processos que os clubes e a Federação realizam para captarem cada vez mais jovens para o ciclismo?

D.P.: Estamos organizados com escolas que recebem crianças a partir dos 6 anos. Temos mais de 100 escolas de ciclismo. Alargámos a base às escolas de ciclismo e isso é muito importante pois temos tido um crescimento constante ao longo dos anos. Este trabalho de formação está a ter sucesso. Temos também as categorias de cadetes, a nível regional, e juniores, já a nível nacional, onde os jovens já se começam a mostrar. Temos equipas em todo o território e qualquer corredor que se mostre tem colocação nelas. Nestas idades mais jovens, o essencial é formar e educar os corredores e estamos com linhas de orientação muito exigentes ao nível da formação e treino desportivo. E temos uma seleção e clubes que levam esses ciclistas para níveis profissionais e é graças a isso que temos um ciclismo dinâmico.

BnR: Quer deixar algumas palavras para todos aqueles que representam Portugal nesta modalidade?

D.P.: Pratiquem ciclismo com alegria, com satisfação, com o máximo de cuidado possível, com respeito pela estrada, mas que façam ciclismo com a maior satisfação! A nível competitivo, tenham sempre o cuidado de se aconselharem com as pessoas mais conhecedoras para não cometerem erros nas suas carreiras.

Reportagem de André Conde e Nuno Raimundo