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Após vencer o Tour, o britânico entrou na Vuelta com o pé direito e ao terceiro dia, assumiu a liderança da prova, que nunca mais viria a ceder, e durante os 21 dias apenas na subida a Los Machucos aparentou fragilidades, beneficiando também de ter a melhor equipa em prova, com Wout Poels e Mikel Nieve a estarem ao seu nível como excelentes escudeiros de montanha, e o jovem estreante em Grandes Voltas, Gianni Moscon, a revelar-se como um prodígio todo o terreno.
Apesar deste domínio, como a vantagem nunca cresceu demasiado e havendo várias lutas por lugares de honra no podium e no top 10, as muitas etapas de montanha foram repletas de ataques. O colombiano Miguel Angel Lopez (Astana) destacou-se entre os demais, vencendo duas etapas e finalizando nos dez melhores da geral.

Fonte: Trek-Segafredo
Mas o brilho maior foi mesmo o de Alberto Contador. Na sua despedida, e sempre acarinhado pelos milhares que na berma da estrada seguiam a Vuelta, o espanhol não perdeu uma oportunidade de mexer com a corrida e viria a coroar o seu esforço com a vitória na penúltima etapa, no cimo do mítico L’Angliru.
No que aos caça etapas diz respeito, Matteo Trentin (Quick-Step Floors) levou para casa quatro das seis da sua equipa e subiu a um novo patamar de respeito no pelotão internacional. No entanto, não foi capaz de vencer a classificação por pontos, perdendo por apenas dois para Froome que, insolitamente, disputou o sprint compacto da chegada final a Madrid, para levar de vencida a Camisola Verde. Quem também marcou a corrida foi a equipa da Lotto Soudal que, sempre através de fugas bem sucedidas, alcançou quatro vitórias de etapa.
Do lado menos positivo, a ORICA-Scott, de Johan Esteban Chaves e dos irmãos Adam e Simon Yates, foi a maior derrotada, incapaz de ganhar qualquer etapa ou de sequer atingir um lugar no top10.
Outra das desilusões foi a prestação portuguesa, em especial a de Rui Costa (UAE Team Emirates), já que o antigo campeão do Mundo falhou dia após dia a entrada na fuga certa e não conseguiu mais do que um quarto lugar na etapa 19. Nélson Oliveira (Movistar) esteve bem na parte inicial da corrida, mas mostrou-se incapaz de manter o mesmo nível na segunda metade, enquanto Ricardo Vilela (Manzana Postobon) e Rafael Reis (Caja Rural) estiveram presentes em algumas fugas, mas sem reais hipóteses de sucesso. Já José Gonçalves (Katusha – Alpecin) desistiu ainda na primeira semana, após queda.

Fonte: Team Sunweb
Caso caricato foram as expulsões de Warren Barguil (Team Sunweb) e Odd Christian Eiking (FDJ), ambos enviados para casa pelas próprias equipas. O francês não cumpriu a ordem para esperar pelo líder da equipa, Wilco Kelderman, quando este furou na etapa sete. Quanto ao norueguês, há menos informação, tendo a sua equipa apenas dito em comunicado no final da etapa 20 que os ciclistas têm de ser profissionais a todo o tempo e, por isso, Eiking não partiria para a última jornada.
Para finalizar, vejo-me forçado a repetir que fica muito por dizer. Foi uma das mais espetaculares provas de ciclismo a que assisti e, acima de tudo, tira-nos qualquer dúvida em afirmar que Froome é um dos grandes da história da modalidade e que Contador vai fazer muita falta.
Foto de Capa: José Baptista
Artigo revisto por: Francisca Carvalho











