O Melhor Ciclista do Ano (Internacional e Nacional) 2017

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Nacional: Amaro Antunes

Só pelo facto de ter ficado em quinto lugar numa prova com alguns dos melhores ciclistas do mundo já mereceria pelo menos ficar no pódio desta distinção, mas a verdade é que o resto da época para o ciclista natural de Vila Real de Santo António foi igualmente excelente e digna de registo, mesmo que não tenha culminado com a vitória na Volta a Portugal.

Começou o ano a dar luta a ciclistas como Nairo Quintana, Daniel Martin ou Wout Poels, entre outros, em Espanha, sendo que quase venceu uma etapa, não tivesse o colombiano da Movistar demonstrado maior superioridade numa das etapas de montanha.

Mas a verdade é que essa prova foi quase como que um “aquecimento” ou um “aperitivo” para o que viria aí já na seguinte prova: Volta ao Algarve. No meio de um pelotão quase “de luxo”, principalmente para a realidade portuguesa, não fosse o contrarrelógio (aspeto em que o ciclista precisará de melhorar) e poderíamos ter tido Amaro no pódio final desta prova.

Mesmo sem esse pódio, a verdade é que o ciclista português demonstrou na mesma que consegue vencer alguns dos melhores ciclistas do mundo na estrada e isso foi comprovado na última etapa, onde o ex-ciclista da W52-FC Porto andou sempre integrado no grupo da frente e atacou já em plena subida final para o Malhão, tendo deixado para trás os seus mais diretos adversários.

Além da vitória, o quinto lugar final na geral foi mais um excelente resultado para um ciclista que estava cada vez mais a pedir voos ainda mais elevados. Ainda assim, havia toda uma época ainda por fazer e antes da Volta a Portugal, Amaro foi ao GP Internacional de Torres Vedras – Troféu Joaquim Agostinho demonstrar que não iria estar para brincadeiras na prova portuguesa e conquistou as três camisolas desse mesmo GP, além de mais uma vitória em etapa. Desta vez, o seu maior adversário foi o bem conhecido “veterano” Rinaldo Nocentini, ciclista italiano da equipa do Sporting-Tavira.

Vitória para Amaro numa das etapas da Volta a Portugal e uma das fotos do ano para o Ciclismo em Portugal
Fonte: Volta a Portugal

Após tudo isto, chegou então a desejada Volta a Portugal. A equipa de Amaro Antunes partia para a prova sem um líder bem definido, mesmo tendo em conta a presença do campeão em título, Rui Vinhas, e do mais recente ex-campeão, Gustavo Veloso. Além dos nomes já mencionados, a W52-FC Porto tinha ainda o próprio Amaro e o espanhol Raul Alarcon como alternativas para chegar ao lugar mais alto do pódio nessa prova.

Ao longo da prova, tanto Raul como Amaro mostraram estar um patamar acima da concorrência, sendo que a vitória acabou por sorrir ao ciclista espanhol, que, ainda assim, como demonstrou a etapa 9 na Guarda, percebeu perfeitamente a importância que o português teve nessa mesma conquista e ambos passaram a meta juntos com a vitória na etapa, mais do que merecida, a ir para o ciclista português.

Além do segundo lugar na geral individual e de levar uma etapa para casa, ainda conseguiu arrecadar a camisola da montanha e, juntamente com a sua equipa, vencer o prémio de melhor equipa em prova. Foi, de facto, uma grande Volta a Portugal para o português, apenas faltando a tal vitória na geral, mas isso em nada apaga a excelente imagem deixada pelo próprio Amaro.

O culminar de um ano muito bom deu-se com a transferência para a CCC Sprandi Polkowice, equipa profissional-continental polaca. Aquele que muito provavelmente é o melhor trepador português da atualidade tem potencial para conquistar ainda muito mais etapas e preencher da melhor forma a vaga deixada por Jan Hirt, que depois de um bom ano também subiu de nível, neste caso, para a Astana e era excelente se o próprio Amaro também conseguisse algo assim.

Por fim, o ciclista de 27 anos só ficou atrás de Rui Costa no ranking da UCI, em termos de ciclistas portugueses, sendo, então, o segundo melhor ciclista português da época nesse mesmo ranking. Foi uma temporada em grande nível para Amaro Antunes e é de se esperar que agora possa demonstrar ainda mais o seu valor em solo internacional.

Num possível pódio para os melhores ciclistas em solo nacional, depois do primeiro lugar para Amaro Antunes, teria que atribuir o segundo lugar ao companheiro de Amaro e vencedor da Volta a Portugal 2017, Raul Alarcon (além da vitória na Volta, que por si só já seria um grande destaque em termos nacionais, ainda esteve bem nalgumas provas portuguesas e principalmente em determinadas provas espanholas, onde até chegou a ganhar uma delas e a ficar em segundo lugar noutra, por exemplo), e o  terceiro lugar iria para Rinaldo Nocentini, ciclista do Sporting-Tavira (das equipas portuguesas, foi o segundo melhor na Volta ao Algarve, apenas atrás de Amaro, sendo que esteve igualmente em destaque em provas como a Volta ao Alentejo, onde foi segundo, também fez segundo numa clássica, chegou ao pódio da prova de estrada dos campeonatos nacionais italianos – juntamente com nomes como Ulissi e Aru – e esteve muito bem no Troféu Joaquim Agostinho – no meio disto tudo, faltou um pouco mais de felicidade para chegar ao pódio da Volta a Portugal, mas fez na mesma uma boa prova, principalmente para alguém já com 40 anos…é bom não esquecer isso).

 Foto de capa: Cycling News

Nuno Raimundo
Nuno Raimundohttp://www.bolanarede.pt
O Nuno Raimundo é um grande fã de futebol (é adepto do Sporting) e aprecia quase todas as modalidades. No ciclismo, dificilmente perde uma prova do World Tour e o seu ciclista favorito, para além do Rui Costa, é Chris Froome.                                                                                                                                                 O Nuno escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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