O novo paradigma da Mitchelton pós-van Vleuten

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Durante cinco épocas, a Mitchelton-Scott foi uma das melhores equipas do mundo, à boleia de Annemiek van Vleuten. Nesse período, a veterana neerlandesa esteve embrenhada numa luta com a compatriota Anna van der Breggen pelo título de melhor do mundo e a sua equipa tirou proveito, com triunfos de alto relevo a surgirem todos os anos e em todo o tipo de terreno.

No entanto, em 2021 isso chegará ao fim com a mudança de van Vleuten para a Movistar Team e, com isso, o conjunto australiano, cuja instabilidade financeira parece não dar para contratar uma líder substituta entre as estrelas do pelotão, terá de mudar a forma de correr e apostar na prata da casa.

Se este texto tivesse sido escrito há um ano, a resposta mais óbvia seria de cerrar fileiras em torno de Amanda Spratt. A trepadora australiana vinha de um par de excelentes temporadas que a consagraram como a terceira melhor trepadora do mundo e também um bom ativo para as clássicas acidentadas.

Contudo, 2020 não foi uma época positiva para Spratt que esteve bem abaixo das expectativas. Poderá dar-se o caso da atleta não ter respondido da melhor forma à paragem pandémica primaveril e, sendo somente isso, a Mitchelton terá aqui a sua principal figura para o próximo ano. Porém, Spratt pode estar a começar a acusar a idade, até porque, exceção feita à extraterrestre van Vleuten, há poucas ciclistas a partir da sua idade a render o mesmo.

Nesse cenário, terão outras atletas de assumir a responsabilidade. Lucy Kennedy, já com alguma veterania, é um dos nomes que vem à cabeça. Sem a qualidade para ir cara a cara com as melhores, é, ainda assim, uma combativa de qualidade que, com liberdade, pode dar dores de cabeça às adversárias, especialmente em percursos acidentados.

Há também Grace Brown, que tendo chegado tarde ao ciclismo, já se vai afirmando como tendo um dos motores mais sólidos do pelotão. Muitas das características de Grace Brown fazem dela uma gregária de luxo e, sem dúvidas, tê-la ao serviço de van Vleuten era um excelente aproveitamento das suas qualidades. Mas, os seus talentos são também apetecíveis para encarar as clássicas e será aí que deve ser a primeira escolha da equipa.

Ane Santesteban é uma das contratações para 2021 e, juntamente com Spratt, ficará encarregue do departamento das escaladas. A espanhola tem subido de nível exibicional nos últimos anos e é uma aposta robusta para bons resultados em provas por etapas com maior dureza.

No restante do plantel, há também qualidade, mas não se poderá pedir muito mais do que tentativas de sucesso em fugas oportunistas ou provas.

Habituadas a ocupar a frente do pelotão, a época que se aproxima será uma experiência diferente para as corredoras do coletivo australiano que terão, provavelmente, bem menos ocasiões para celebrar, mas também haverá mais oportunidades para figuras menos sonantes procurarem enriquecer o palmarés.

Foto de Capa: Mitchelton-Scott

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

José Baptista
José Baptista
O José tem um amor eclético pelo desporto, em que o Ciclismo e o Futebol Americano são os amores maiores. É licenciado em Direito (U. Minho) e em Psicologia (U. Porto).

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