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Olheiro BnR: Juan Ayuso | Ciclismo

Ricardo Rebelo · 3 min

Juan Ayuso
Foto: UAE Team Emirates

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Juan Ayuso: remember the name. O cruzamento entre o povo espanhol, culturalmente ligado ao ciclismo, e a angústia de não ter um tubarão apostado em dar as maiores dentadas… Pode estar prestes a acabar.

Aqui ao lado, muito se tem debatido sobre a sucessão de Alberto Contador, “Purito” Rodriguez ou do próprio Alejandro Valverde, assim como a reflexão sobre a insuficiência espanhola em termos de resultados nas grandes competições do ciclismo mundial.

Existem nomes de qualidade, porém, sem a expressão que os seus antecessores conseguiram dar a uma das nações cronicamente de primeira linha na História da modalidade.

Até por aqui se entende que a evolução deste talento pode ser encarada como uma autêntica lufada de ar fresco, sendo também uma espécie de pressão adicional para o jovem de apenas 18 anos.

AFINAL, QUEM É JUAN AYUSO?

Sucintamente, estamos a falar de um produto em evolução, que tem vindo a materializar toda a qualidade evidenciada nos escalões de formação com uma crescente onda de resultados importantes, em conformidade com as expectativas criadas pela UAE Team Emirates, equipa que o agarrou ainda na primeira metade de 2020.

A vitória (e performance) no Giro U23, no passado mês de junho, marcou uma passagem importante pela Team Colpack Ballan, equipa onde pôde continuar a sua caminhada depois de brilhar insistentemente em Espanha, tendo-se já estreado ao serviço de Joxean Matxin Fernandez, inclusive no World Tour, com um 18.º lugar na clássica de San Sebastian.

O prodígio de Alicante (embora tenha nascido em Barcelona e vivido nos Estados Unidos da América) ainda se está a descobrir.

Descreve-se como um ciclista em desenvolvimento, com apetência para todos os terrenos e com a probabilidade de vir a brilhar em alta montanha a longo prazo, fazendo uso das suas características físicas “perfeitamente balanceadas”, como referiu “Matxin”, o homem forte do ciclismo da UAE Team Emirates.

Tamanho potencial baseia-se essencialmente no domínio em solo espanhol que conseguiu ainda dentro dos escalões de formação, nomeadamente, como júnior.

Para além do título nacional desse mesmo escalão, vitórias em vastas competições de cadetes e juniores e do triunfo no “Baby Giro”, já como sub-23, sobressaía a forma como derrotava a concorrência.

A rede de observação da equipa dos portugueses Rui Oliveira, Ivo Oliveira, Rui Costa e agora João Almeida detetou valores importantes num corredor que ganhava muito, em diferentes terrenos… e com muita facilidade (grandes margens).

A transição para o World Tour inicia-se agora, mudando drasticamente o panorama de um miúdo que chega bastante cedo a este patamar.

Juan Ayuso é mais um herdeiro desta geração de fenómenos que não para de abençoar a modalidade: cada vez mais jovens e sobre um regime contratual cada vez mais longo – ligação válida até 2025.

Confesso adepto de Alberto Contador e da sua maneira de correr, o miúdo que completa 19 anos no próximo mês promete enriquecer o legado do ciclismo espanhol, sendo esta afirmação prematura um dos motivos base para o hype que se foi construindo em torno do ciclista que ficou na retina por derreter a concorrência de uma maneira incrível.

Resta apenas saber até onde pode chegar Juan Ayuso e esta geração espanhola.

O momento da adaptação e consequente pressão para obter resultados em congruência com o estatuto de rising star promete intensificar-se nas próximas épocas, algo que não preocupa o espanhol, como o mesmo garantiu em entrevista à Cycling News.

No seio de uma organização ciclística que tem registado um crescimento notável, o “canibal” espanhol está pronto para saltar mais uma etapa rumo à sua afirmação junto dos grandes nomes da UAE Team Emirates, como é o caso de Tadej Pogacar, João Almeida e do compatriota Marc Soler.

Foto de capa: UAE Team Emirates

Ricardo Rebelo

Redação Bola na Rede · ver artigos