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Os portugueses João Almeida e Ruben Guerreiro estão, na Volta a Itália, a proporcionar uma das jornadas mais fantásticas do ciclismo português. João lidera a prova, enquanto que Ruben venceu a etapa nove, numa tirada muito complicada, passando a liderar a classificação da montanha.
Podia ser mais um rescaldo normal sobre a primeira semana de uma Grande Volta, no entanto, teve algo de diferente e especial, com o ciclismo português em destaque um pouco por todo o mundo.
Esta edição começou no dia 3 de outubro, com um contrarrelógio individual a abrir, num percurso a ligar Monreale a Palermo, numa extensão de 15,1 quilómetros. Filippo Ganna, recentemente campeão do mundo da especialidade, entrou em grande, ao vencer no esforço individual. A grande surpresa, para a maioria, foi o segundo lugar do caldense João Almeida, a 22 segundos do tempo do italiano, batendo grandes nomes como Geraint Thomas, Mikkel Bjerg, Jos Van Emden, Rohan Dennis, por aí fora… João ficou com o melhor tempo referência durante um largo período. Dia marcado pela desistência de Miguel Ángel López da Astana, que teve uma queda feia, arredando o colombiano para fora da competição.
Um segundo dia foi marcado pelo regresso de Diego Ulissi (UAE Team Emirates) às vitórias no Giro. O seu último triunfo na competição tinha sido no Giro de 2016. A chegada a Agrigento era claramente feita à sua medida, com uma pequena colina no final. João Almeida chegou com o mesmo tempo do líder Ganna, terminando na sexta posição da etapa. Ao segundo dia de prova, a Astana viu-se privada de mais uma das suas estrelas, talvez a principal para esta prova, o russo Aleksandr Vlasov, que não se sentiu bem durante o decorrer da etapa.
No terceiro dia de competição houve espaço para um vencedor a partir da fuga. No alto do monte Etna, Jonathan Caicedo (EF Pro Cycling) foi o mais forte, sobrepondo-se a Giovanni Visconti (Vini Zabù-KTM) e a Harm Vanhoucke (Lotto Soudal). Mas o destaque do dia foi para a conquista da camisola de liderança por parte de João Almeida (Deceuninck-Quick Step). Houve muitas dúvidas de quem era o novo líder, mesmo depois de Almeida ter terminado a etapa, mas as décimas de segundo do contrarrelógio foram decisivos, tornando o português o novo camisola rosa da competição, empatado com Caicedo.
Foram precisos 31 anos para voltarmos a ver um atleta luso a liderar uma Grande Volta. Acácio da Silva tinha sido o último a conseguir tal feito, visto que em 1989 liderou no Giro e no Tour, conquistando curiosamente a camisola rosa no Monte Etna. Geraint Thomas caiu durante a etapa, e ressentiu-se muito, acabando por perder muito tempo, quase 12 minutos para os favoritos. Simon Yates também teve uma quebra física, perdendo quase quatro minutos para o grupo dos mais fortes.
Ladies and gentlemen, the new Maglia Rosa: @JooAlmeida98!
Signore e signori, la nuova Maglia Rosa: @JooAlmeida98!#Giro pic.twitter.com/MucnKEH5tn
— Giro d’Italia (@giroditalia) October 5, 2020
Foto de capa: Giro d’Italia
Ao quarto dia, a chegada era indicada para os homens mais rápidos. Uma jornada de 140 quilómetros, até Villafranca Tirrena. Um sprint glamoroso de Arnaud Démare (Groupama-FDJ) chegou para bater os restantes adversários. Peter Sagan terminou na segunda posição, enquanto que Davide Ballerini fechou no terceiro lugar. Na classificação geral não houve alterações. Geraint Thomas não correu nesta etapa, tendo desistido da prova.
Na quinta etapa, a vitória foi para um ciclista que já havia vencido, de seu nome Filippo Ganna. Foi a primeira vitória do italiano sem ser num contrarrelógio, e logo na Volta a Itália. O ciclista da Ineos Grenadiers intrometeu-se na fuga do dia, atacando os restantes fugitivos quando faltavam menos de 20 quilómetros para o fim.
Os favoritos chegaram juntos, com Almeida a fazer terceiro na etapa, conquistando segundos preciosos de bonificação. Com a saída de Caicedo dos primeiros, passou a ser Pello Bilbao o segundo classificado, a 43 segundos do português. Luca Wackermann (Vini Zabù-KTM) tinha tido uma queda feia no dia anterior e não partiu para a etapa. Benjamin Thomas (Groupama-FDJ) e Pieter Weening (Trek-Segafredo) desistiram durante a tirada.

Fonte: Giro d’Italia
Um sexto dia imprevisível, visto que podia ter vários desfechos, com uma chegada dura para os sprinters. Acabou por ser uma jornada calma, que teve o mesmo desfecho que a etapa quatro, com a vitória do francês Arnaud Démare. Em segundo lugar terminou Michael Matthews (Team Sunweb), e em terceiro fechou Fabio Felline (Astana Pro Team). Démare, com esta vitória, passou para líder da camisola por pontos, ultrapassando Peter Sagan. Brent Bookwalter (Mitchelton-Scott) não partiu para a etapa.
A etapa sete era a primeira oportunidade para os puros sprinters se destacarem. No entanto, a vitória caiu para o “homem do costume”, o francês Démare parece estar imparável nas chegadas para os mais rápidos, não dando hipóteses à concorrência. O trabalho da Groupama-FDJ foi notável, mais uma vez, colocando o corredor nas melhores condições para vencer. Sagan terminou em segundo lugar, e Matthews fez terceiro. Almeida chegou integrado no grupo da frente, com o mesmo tempo do vencedor. Um dia calmo, sem alterações significativas na geral.
No oitavo dia, uma jornada que ligava Giovinazzo a Vieste, numa extensão de 200 quilómetros, a vitória caiu para Alex Dowsett (Israel Start-Up Nation). A fuga do dia encontrou o sucesso, por intermédio do britânico, que atacou quando faltavam menos de 20 quilómetros para o final. No grupo perseguidor vinham Matthew Holmes, Salvatore Puccio, Joey Rosskopf, Simone Ravanelli e o seu colega Matthias Brandle. O seu poder de bom rolador foi suficiente para a vitória, ganhando uma margem grande após ter saído do grupo dos fugitivos. No final, teve tempo para levantar os braços e festejar com toda a calma do mundo, com o primeiro elemento do grupo perseguidor a chegar a 1m15s. O primeiro homem do pelotão foi Michael Matthews, na sétima posição, a 13m56s. Foi uma jornada histórica para a Israel Start-Up Nation, visto que nunca tinham ganho numa Grande Volta.
Esta etapa não teve mexidas na geral. Neste dia, Ben Gastauer (AG2R La Mondiale) caiu e desistiu. Não partiram para a etapa os seguintes ciclistas: Patrick Gamper (Bora-Hansgrohe, Tony Gallopin (AG2R La Mondiale), Sean Bennett (EF Pro Cycling), Edoardo Affini e Simon Yates (Mitchelton-Scott). Yates deu positivo ao teste da covid-19 e foi obrigado a abandonar a competição.
Chegávamos ao último dia da primeira semana. A etapa nove trazia dificuldades, com uma ligação de 208 quilómetros, entre San Salvo e Roccaraso. Foi formada uma fuga tardia, devido ao ritmo elevado no pelotão. A fuga composta por Jonathan Castroviejo, Ruben Guerreiro, Ben O´Connor, Eduardo Sepulveda, Mikkel Bjerg, Giovanni Visconti, Larry Warbasse e Killian Frankiny. O grupo dos fugitivos começou a quebrar quando faltavam 40 quilómetros para o fim, com alguns elementos a ficarem para trás. O ritmo era imposto pela Deceuninck e pela Trek-Segafredo. A equipa da Trek quis pegar na corrida quando o terreno endureceu, mas não foram capazes de manter o ritmo durante muito tempo.
Na frente, só sobravam Castroviejo, Frankiny, Guerreiro e Warbasse, com o espanhol e o português a distanciarem-se quando faltavam seis quilómetros para a linha de meta. As rampas finais eram duras, o que favorecia o português por ser mais explosivo. Guerreiro, ciclista de 26 anos, natural de Pegões Velhos do concelho do Montijo, acabou por ultrapassar Castroviejo nas últimas rampas, conquistando a sua primeira vitória em Grandes Voltas. Foi um dia de ouro para o ciclismo nacional.
The challenge between @Rguerreiro94 and @jcastroviejo has been settled down in the last climb at Roccaraso. This is the Last Km! #Giro pic.twitter.com/MAi1R37aJO
— Giro d’Italia (@giroditalia) October 11, 2020
Wilco Kelderman e Fuglsang foram os primeiros dos favoritos a chegar, a 1m38s do primeiro classificado. João Almeida perdeu alguns segundos no final, para alguns dos favoritos, mas nada que o retirasse da primeira posição. Em segundo lugar, segue agora Wilco Kelderman, a 30 segundos do português. Pello Bilbao é terceiro, a 39 segundos. Rudy Barbier (Israel Start-Up Nation) não partiu, e Pavel Kochetkov (CCC Team) não acabou a etapa.
Foram nove dias espetaculares, em que o ciclismo português conseguiu ter uma jornada histórica, com três camisolas de quatro possíveis a acabar a primeira semana. João Almeida, de 22 anos, lidera a classificação geral e a juventude desde a terceira etapa, enquanto que Ruben Guerreiro é o novo líder da montanha. Ambos estão a competir pela primeira vez no Giro, sendo esta a estreia absoluta de João Almeida em Grandes Voltas. Isso não impediu João Almeida de bater, na sua estreia, o recorde de Joaquim Agostinho, com mais dias como líder numa Grande Volta.
O caldense tem contado com o apoio da sua grande equipa, que tem colocado o português sempre na frente do pelotão, evitando assim os azares. Rúben e a sua equipa estão a estrear o novo equipamento, com um visual irreverente, onde patos sobressaem no visual, parece que estão a “voar” já com duas vitórias a partir de fugas. Nos favoritos, a primeira semana revelou-se um calvário, atirando para fora da corrida vários corredores importantes. Pode consultar os favoritos a vencer a competição aqui.
🤜 Cheering at the finish line, unleashing pure emotion by raising the hands
🤜 L’emozione e la gioia delle mani alzate al traguardo.#Giro pic.twitter.com/spHHhYiTof
— Giro d’Italia (@giroditalia) October 11, 2020
CLASSIFICAÇÃO GERAL APÓS PRIMEIRA SEMANA
1.º lugar- João Almeida (Deceuninck-Quick Step) 35h:35m:50s
2.º lugar- Wilco Kelderman (Team Sunweb) +30s
3.º lugar- Pello Bilbao (Bahrain-Mclaren) +39s
4.º lugar- Domenico Pozzovivo (NTT Pro Cycling) +53s
5.º lugar- Vincenzo Nibali (Trek-Segafredo) +57s
6.º lugar- Jakob Fuglsang (Astana Pro Team) +1m01s
7.º lugar- Harm Vanhoucke (Lotto Soudal) +1m02s
8.º lugar- Patrick Konrad ( Bora-Hansgrohe) +1m11s
9.º lugar- Jai Hindley (Team Sunweb) +1m15s
10.º lugar- Rafal Majka (Bora-Hansgrohe) +1m17s
Lider da classificação por pontos: Arnaud Démare (Groupama-FDJ) 167 pontos
Líder da Juventude: João Almeida (Deceuninck-Quick Step)
Líder da Montanha: Rúben Guerreiro (EF Pro Cycling) 84 pontos
Classificação por equipas: Ineos Grenadiers – 6h:40m:50s
Artigo revisto por Joana Mendes












