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Prós e Contras do Regresso do SL Benfica ao Ciclismo

Tiago Silva Ferreira · 4 min

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Há dois anos, FC Porto e Sporting abalaram o Ciclismo em Portugal, quando decidiram apostar na modalidade. Quem não se lembra da “luta” entre leões e dragões, pelo patrocinador W52, tendo estes, à última hora, optado pelos portistas, quando tinham quase tudo apalavrado com o Sporting. Isto motivou uma atenção mediática que, até então, escasseava no mundo do Ciclismo Português. Também desde essa altura que o nome do Benfica foi sempre associado a um projecto no ciclismo, havendo algumas notícias que dão conta de a intenção dos responsáveis benfiquistas de avançar com essa possibilidade, já na próxima época.

Muito já foi dito e escrito sobre o regresso do Benfica às estradas, os adeptos da modalidade todos os anos pedem o regresso do glorioso a uma modalidade que lhes diz muito e que até tem um aro de bicicleta como fundo do seu símbolo, mas vou deixar aqui a minha opinião.

O Ciclismo precisa do Benfica, mas o Benfica não precisa do Ciclismo.

E é fácil perceber o porquê. O Benfica é aquilo que é hoje devido ao seu ecletismo, isso é ponto assente, mas temos que admitir que o historial do Benfica é, maioritariamente, feito no Futebol. A nível nacional sim, o Benfica dominou e domina em muitas modalidades, inclusive no Ciclismo, mas a nível internacional, por exemplo, não tem a visibilidade que há no Futebol.

Também a nuvem negra que paira sempre sobre o Ciclismo não beneficia em nada a modalidade e penso que a direcção do clube tem essa questão em grande conta na hora de decidir sobre se avança ou não com algum projecto.

Há outra questão a ter em conta: a sustentabilidade da modalidade. Acredito que o Benfica encontre um parceiro que consiga investir grande parte do orçamento, alguém que já anda no mundo do Ciclismo, até pode ser uma equipa do pelotão nacional actual, mas as ambições de ambos têm de ser coincidentes e expectativas realistas para que não haja desilusões e o projecto vá por água abaixo. Não adianta construir um plantel com bons valores, uma equipa sub-23 para apostar na formação, se depois o projecto finda passado dois ou três anos.

Imagem que muitos benfiquistas desejam voltar a ver Fonte: SL Benfica
Imagem que muitos benfiquistas desejam voltar a ver
Fonte: Paulo César

O próprio Ciclismo em Portugal, nas suas provas nacionais, se tirarmos a Volta ao Algarve, não consegue atrair grandes equipas, logo os patrocinadores também não são atraídos, devido ao pouco mediatismo. Há que haver uma aposta forte, também da parte da Federação Portuguesa de Ciclismo, na promoção da modalidade, mesmo nas provas de menor destaque.

A começar pela rivalidade existente nos três grandes, as conversas de cafés, da Internet e das notícias desportivas iriam enriquecer e extravasar para além do Futebol, a velha disputa dos grandes de Portugal iria também passar para as estradas, uma rivalidade diferente daquela que vemos, por exemplo, nos estádios em Portugal. Seria uma rivalidade saudável: termos portistas, benfiquistas e sportinguistas lado a lado, cada um com o seu cachecol na subida da Srª da Graça, por exemplo.

Só o volume de adeptos a seguir a modalidade iria aumentar  e a dimensão das provas nacionais também, portanto é uma razão plausível para os responsáveis do Benfica ponderarem.

O nome “Benfica” poderia atrair também ciclistas de maior renome, e, com isso, o interesse de adeptos de fora.

O Sporting, por exemplo, contratou Rinaldo Nocentini, experiente corredor italiano, uma aposta que visa, a meu ver, a internacionalização do Sporting na modalidade.

O Porto, a par da W52, está a montar uma estrutura para depois competir em provas de escalões superiores a nível internacional. Portanto, há potencial para em Portugal se apostar em projectos sólidos no ciclismo.

A nível de patrocinadores, o aparecimento do Benfica atrairia mais patrocinadores que se queiram associar ao Benfica, que, devido à sua dimensão, seria uma montra para muitas marcas.

Tal como aconteceu no Futebol, o casamento entre Benfica e Rui Costa pode voltar a acontecer, mas, neste caso, numa bicicleta.

Rui Costa é muito experiente nas estradas portuguesas Fonte: SL Benfica
Rui Costa é muito experiente nas estradas portuguesas
Fonte: Web Ciclismo

Com a idade a avançar e a forma a não ser a mesma de há uns anos, o retorno do ciclista da Póvoa de Varzim poderia, sem sombra de dúvida, ser avaliado pelos benfiquistas num prazo de dois ou três anos, ele que já representou o Benfica anteriormente poderia ser parte de um projecto, tal como José Azevedo foi, na última vez que o Benfica andou na estrada. Benefícios? O facto de ter um campeão do mundo na equipa a passar o conhecimento aos mais jovens é, por si só, um bom motivo, mas acredito que Rui Costa ainda tem muito a dar nas estradas, mesmo com uma idade mais avançada.

E é isto, somando os prós e contras, há muita coisa a ser vista e ponderada no regresso do Benfica. Os adeptos querem muito que isso aconteça. Joaquim Gomes, organizador da volta, suspira por isso, numa tentativa de trazer mais protagonismo e patrocinadores à Volta a Portugal. Assim, também Porto e Sporting ganham mais concorrência: no fundo, todo o ciclismo em Portugal fica a ganhar, mas será que, para o Benfica, é isso que importa? Veremos.

Foto de Capa: SL Benfica

Artigo revisto por: Ana Rita Cristóvão

Tiago Silva Ferreira

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