Para a próxima queremos o Ouro!

- Advertisement -

A participação portuguesa nos Mundiais de Apeldoorn 2018 adivinhava-se histórica e a comitiva lusitana de apenas três ciclistas esteve à altura da ocasião, presenteando-nos com excelentes resultados e exibições.

Tudo começou com Rui Oliveira a participar na modalidade de Scratch no primeiro dia do mês. A corrida pelas medalhas decidir-se-ia quando três atletas foram capazes de dar uma volta ao pelotão. Na altura em que o fizeram, era complicadíssimo mais alguém fazer o mesmo feito, pelo que foram mesmo eles a discutir as medalhas, com o bielorrusso Yauheni Karaliok a levar a prova de vencida. No entanto, o representante nacional não se deixou ficar e lançou uma forte ofensiva perto do final da prova para alcançar o 5º lugar, que era, à data, o melhor resultado português em Mundiais.

Mas essa era uma efeméride que duraria pouco, já que o seu irmão gémeo, Ivo Oliveira, tratou de melhorar o resultado logo no dia seguinte. Nas qualificações da Perseguição Individual, o gaiense estabeleceu um novo recorde nacional e um dos melhores tempos de sempre com um fantástico 4:12.365 que lhe deu o melhor tempo e passagem à final onde iria disputar o ouro com Filippo Ganna, Campeão do Mundo em 2016 e atual Campeão Europeu. Na final a história viria a ser outra e o português, apesar de liderar nos primeiros parciais, faria um tempo bem mais lento que na qualificação, enquanto o italiano, que é colega de equipa de Rui Costa na estrada na UAE Team Emirates, até foi capaz de melhorar em mais alguns centésimos o recorde italiano que já havia batido nas preliminares.

Tratou-se da primeira medalha portuguesa em Mundiais de Pista de Elite e, por isso, é motivo para celebrar. Ainda assim, não pode deixar de preocupar a prestação de Ivo em finais. Nos últimos tempos é a terceira final importante que atinge e que perde – Europeus, Taça do Mundo de Minsk e agora Mundiais-, sendo que em duas delas tinha sido o melhor das qualificações. Ora, o problema prende-se com os seus adversários manterem marcas semelhantes, enquanto Ivo cai bastante de rendimento das qualificações para a final. Será certamente algo que este irá trabalhar em melhorar nos próximos tempos para nos dar a tão ansiada medalha de ouro.

A comitiva que honrou as cores nacionais
Fonte: Simon Wilkinson/SWpix.com

Entre as duas idas à pista de Ivo, o terceiro representante luso, João Matias, correu a Corrida por Pontos. Matias venceu um dos primeiros sprints e pontuou noutro para um total de 6 pontos, que lhe permitiu terminar a corrida em 14º, melhorando o 19º de Hong Kong 2017. Ao vencedor da Taça de Portugal não se pedem os mesmos resultados que aos gémeos Oliveira e, talvez por isso, também não é dada a mesma atenção. Compreende-se, mas não se pode deixar de louvar o trabalho do barcelense que tem vindo a melhorar de ano para ano e que este ano terá, merecidamente, uma oportunidade para demonstrar isso mesmo também nas estradas nacionais com a Vito – Feirense – Blackjack.

Finalmente, a participação lusa terminou com o Omnium, em que Ivo Oliveira acabou por competir, em substituição do irmão que era quem estava escalado originalmente. Após um resultado razoável na primeira prova, o Scratch, Ivo esteve fenomenal na Tempo Race, vencendo-a e colocando-se no segundo lugar Geral, com os mesmos pontos do líder. A seguir viria a Corrida de Eliminação e um mau momento do português, que seria o segundo a ser eliminado e cairia vários lugares na classificação. Para compensar, Ivo esteve ao ataque na Corrida por Pontos e seria o terceiro que mais pontuaria na mesma para recuperar até ao quarto lugar, ficando a 10 pontos das medalhas.

Tudo somado foi uma excelente participação nacional nestes Mundiais e que augura boas coisas para o futuro. Há ainda margem para melhorar e alcançar resultados ainda mais acima no futuro, o que é normal dada a juventude dos atletas. A Federação Portuguesa de Ciclismo tem, então, motivos para estar orgulhosa. Está a provar que o investimento feito deu resultados e, à luz do trabalho já feito até aqui, não duvidamos que também em breve será feito o salto de qualidade para a alcançar a medalha de ouro e que 2020 tem tudo para ser o ano em que finalmente alcançamos o sonho do Ouro Olímpico no ciclismo.

Foto de Capa: SWpix.com

José Baptista
José Baptista
O José tem um amor eclético pelo desporto, em que o Ciclismo e o Futebol Americano são os amores maiores. É licenciado em Direito (U. Minho) e em Psicologia (U. Porto).

Subscreve!

Artigos Populares

Eis a convocatória do anfitrião Canadá para o Mundial 2026: Stephen Eustáquio incluído

Jesse Marsch revelou a lista de 26 convocados do Canadá para o Mundial 2026. Anfitriões vão enfrentar Bósnia, Catar e Suíça no Grupo B.

Sporting entre os interessados por defesa inglês: eis a lista

O Sporting está incluído no lote de interessados por Michael Parker. Jovem defesa de 21 anos joga na Suécia e conta com vários clubes de olho.

Konaté e Dumfries para o Real Madrid: O que diz José Mourinho quanto a isso?

Ibrahima Konaté e Denzel Dumfries estão perto de serem jogadores do Real Madrid. José Mourinho aprova ambas as vindas.

Marco Silva pode ter antigo internacional português na equipa técnica do Benfica

Luís Boa Morte pode ser um dos treinadores-adjuntos de Marco Silva no Benfica. Técnico português está fechado para assumir o comando das águias.

PUB

Mais Artigos Populares

Luís Freire e Afonso Moreira lançam jogo de preparação diante da Irlanda do Norte: «Amanhã é um jogo em que todos merecem jogar»

Luís Freire e Afonso Moreira marcaram presença na conferência de imprensa de antevisão ao Portugal x Irlanda do Norte.

Noah Saviolo perto de trocar Vitória SC por clube da Turquia: eis os valores em cima da mesa

O Vitória SC já tem acordo com o Trabzonspor (Turquia) para uma transferência de Noah Saviolo a rondar os 11,5 milhões de euros.

Atenção, Sporting: Tottenham continua na corrida por João Palhinha e prepara-se para avançar

O Tottenham mantém-se na corrida por João Palhinha. Roberto De Zerbi insiste na sua contratação e Spurs preparam-se para avançar.