Para o ano de 2017, Joni finalmente mudou de ares, mas ainda não foi desta a esperada ida para o estrangeiro. Na verdade, o seu destino foi Tavira e o Sporting CP. De verde e branco e acompanhado por Alejandro Marque e Rinaldo Nocentini, partia para a Volta a Portugal como um verdadeiro favorito e já se ansiava por uma batalha emotiva entre os leões e o duo azul e branco de Amaro Antunes e Raul Alarcon.

No entanto, há alguns dias da Volta, o clube de Alvalade informou que Joni não iria à Volta, tendo sido vítima de uma doença não especificada e que o obrigaria a um longo repouso. Ora, este foi um dos piores momentos da carreira do ciclista, mais que por falhar o seu objetivo da época, porque a péssima forma de comunicação do Sporting colocou o mundo do ciclismo com uma forte suspeita sobre Joni Brandão e de que a doença, seria na verdade uma suspensão. 

Não seria a primeira vez que tal aconteceria, com ciclistas a desaparecerem das corridas para uns meses mais tarde se descobrir que haviam acusado doping. Aconteceu, por exemplo, com Sergio Ribeiro e o mesmo se passou este ano com Vicente De Mateos num caso muito estranho e que ainda levanta muitas dúvidas sobre a credibilidade do espanhol.

2018 está ser o ano do quase para Joni Brandão. No GP JN, perdeu a amarela no último dia.
Fonte: Federação Portuguesa de Ciclismo

Perante tudo isso e já com 28 anos, esta época assumia uma importância fulcral para Joni Brandão, mas até agora tem sido marcada pelos “quase”. Com o segundo lugar nos Campeonatos Nacionais, terceiros postos no GP Beiras e Serra da Estrela e no GP Joaquim Agostinho e com o GP JN perdido no último dia para António Carvalho quando tudo parecia encaminhado para uma importante vitória nessa histórica prova nacional. Agora, na Volta, é segundo a meio da prova e parece o único ainda com possibilidades de importunar Alarcon.

Não há dúvidas da qualidade de Joni Brandão e que este é um dos melhores trepadores portugueses do milénio, mas faltam-lhe as vitórias para comprovar esse estatuto e o que fará daqui para a frente marcará a forma como será lembrado.

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Com ainda vários dias duros para decidir a Volta a Portugal 2018, o líder do Sporting CP/Tavira terá de ir buscar forças para finalmente quebrar a hegemonia dos rivais nortenhos e envergar a amarela final em Fafe. E, consiga-o ou não, talvez seja tempo de voltar ao estrangeiro tentar realizar o potencial que tem em outros (e maiores) voos.  

Com o vazio criado pela retirada de Rui Sousa, Joni pode também tornar-se o herói do povo nos quentes agostos nacionais, mas corre o risco de seguir pelo mesmo caminho no que à falta do primeiro lugar do podium diz respeito. Será esse o seu destino?

Foto de Capa: Volta a Portugal