Publicidade

Sérgio Paulinho: Assim se escreve a carreira de um campeão

Diogo Rodrigues · 4 min

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

Este ano, em termos velocipédicos, entre muitos outros factos, fica indelevelmente marcado pelo adeus à alta competição de um dos mais influentes de sempre do ciclismo luso além fronteiras. Tendo em conta a questão, falarei no meu artigo semanal, ainda que de forma bastante sumária, acerca da carreira de Sérgio Paulinho. Alguém que, não obstante as suas conquistas individuais, foi figura relevante nos triunfos sucessivos de Contador.

Sérgio Miguel Moreira Paulinho nasceu há 40 anos, na vila lisboeta de Oeiras, filho do também ciclista Jacinto Paulinho. O encanto pelas bicicletas corria-lhe nas veias.

Apesar dos excelentes resultados em termos escolares e do bom comportamento do então menino Sérgio, a sua “amiga inseparável”, a bicicleta, nunca era esquecida.

Após terminar o curso em Direito, que nunca chegou a exercer, passou a dedicar-se a tempo inteiro ao Ciclismo de estrada. Corria o ano de 2002 quando começou a “dar nas vistas”. Então com 22 anos, sagrou-se campeão do mundo no escalão de sub 23, na vertente de contrarrelógio, chamando desde logo a atenção das principais formações lusas.

No ano seguinte, integra a equipa da LA-Pecol-Bombarral onde é companheiro do “foguete da Rebordosa”, Cândido Barbosa, sendo que, na sua primeira temporada integrado no pelotão nacional, dedicou-se a competições de menor nomeada. Viria, mesmo assim, a vencer nessa época “A volta a Portugal do Futuro”, ou seja, a prova rainha para o escalão de sub 23.

O FEITO INÉDITO DE ATENAS

Na época referida, 2004, o corredor nacional de maior cartaz era o nortenho José Azevedo, que nesse mesmo ano havia fechado o top dez do “Tour”. Por esta ocasião, era altura de ser divulgada a lista de convocados para as provas de Ciclismo constituintes dos Jogos Olímpicos de Atenas.

No entanto, e previamente à convocatória para o certame, Azevedo revela ao responsável luso que se encontrava muito desgastado com o esforço despendido na Volta à França, e que preferia não disputar a competição para não defraudar a bandeira nacional. Em sua substituição, foi chamado Sérgio, que nem queria acreditar em tal notícia, pois ia estar na maior competição desportiva do mundo. Chegado à capital grega, começou por disputar a prova de contra-relógio, obtendo o sexto lugar.

Este facto deixou o jovem radiante, contudo ainda havia a competição mais importante, a corrida de absolutos de estrada, na qual Portugal partia sem grandes ou quase nenhumas ambições de conquistar uma medalha, até porque nenhum ciclista o havia conseguido.

Num dia bastante quente, havia alguém que era destemido e que não tinha medo dos “tubarões”. Era ele Sérgio, que, aproveitando alguma confusão no pelotão, seguiu na roda do italiano Paolo Bettini, encetando um ataque a mais de 30 kms para a meta.

O pelotão, já bastante desgastado pelo tempo quente que se fazia sentir, não mais alcançou os dois fugitivos. O italiano muito tentava, mas não se conseguia livrar do atleta oeirense, e a medalha de ouro foi apenas decidida a trezentos metros do final. Paulinho tenta sprintar com o campeoníssimo Bettini, mas o mais experiente acaba por se valer de tal condição. Sérgio entraria, assim, para a história do Ciclismo do país e do desporto em particular, conquistando a prata para o medalheiro português.

O FIEL ESCUDEIRO DE CONTADOR

Após chegar às “nuvens” com a medalha olímpica, conhece o jovem Alberto Contador, na Liberty, equipa espanhola dirigida por Manolo Sainz, com quem já tinha apalavrado a sua ida para o país vizinho, ainda antes da prata olímpica. Desde então, passa a ser “gregário” de Contador na Liberty, depois na Discovery Channel, mais tarde na Astana e, por fim  na Saxo Bank e Saxo-Tinkoff.

Já como “aguadeiro de luxo” das maiores formações mundiais da modalidade, onde ajuda Contador a vencer todo o tipo de provas, com destaque para “as três grandes Voltas”, logra ainda somar triunfos em etapas na “Vuelta” e no “Tour”. Na “Vuelta”, ganha a décima tirada da edição de 2007, atacando quando estava integrado numa fuga, “levantando os braços” no topo do monte Altamira, na província espanhola da Cantábria.

Já em 2010, obtém novo feito digno de condecoração, que chegaria dois anos mais tarde, ao vencer em pleno “Tour” na chegada a Gap, em plenos Alpes Franceses, local onde também Rui Costa ergueria os braços no “Tour”, ao superiorizar-se ao Bielorusso Vasil Kiryienka, fazendo recordar o eterno Joaquim Agostinho.

O ADEUS AO WORLD TOUR

Em 2016, então com 36 anos, compreende que já não tem mais espaço no escalão máximo do pelotão internacional, sentindo que Contador não havia cumprido com o que lhe  prometera: que este seria, até à última pedalada, um dos seus fiéis escudeiros.

Opta por despedir-se onde tudo começou e, a convite de Américo Silva, passa a ser o braço direito de Joni Brandão na estrutura da Efapel, onde compete durante quatro temporadas, até à edição de 2020 da Volta a Portugal em Bicicleta, despedindo-se, assim, da prova rainha do pelotão nacional.

Em 2012, é distinguido e condecorado com a Grande Cruz da Ordem de Mérito do Infante D. Henrique, sendo, a partir de então, Sr. Comendador.

Muito mais haveria a acrescentar num percurso repleto de sucessos ao qual o tempo se encarregará de fazer justiça. Resta-nos agradecer todas as alegrias que nos proporcionou e os momentos com que brindou toda uma nação.

Foto de Capa: Efapel

Artigo revisto por Gonçalo Tristão Santos

Diogo Rodrigues

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.