Tom Dumoulin: Recordações de um diesel neerlandês

MAIORES FEITOS PESSOAIS

PROTAGONISTA DE UMA DAS MELHORES ETAPAS DA HISTÓRIA DA VUELTA

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O que Tom Dumoulin fez na nona etapa da Vuelta de 2015 ainda hoje, já depois de ele ter mais de duas dezenas de vitórias na carreira e de se ter estabelecido como um dos melhores ciclistas da última década, é tido como algo inacreditável e quase inexplicável. Com 24 anos de idade, o jovem Tom decidiu mostrar ao que vinha, na chegada a Cumbre del Sol: suportou toda a dureza da última subida, aguentou a produção elevada de ácido lático e superiorizou-se com classe e imprevisivelmente a lendas da modalidade, como Chris Froome, Alejandro Valverde e Joaquim Rodríguez e a outros craques, como Nairo Quintana e Fabio Aru.

Essa Volta a Espanha (2015) de Tom Dumoulin foi absolutamente impressionante, tendo constituído a afirmação da sua qualidade, mas nesta etapa, em específico, presenteou os espetadores com algo de sobrenatural. De relembrar que o neerlandês chegou a envergar durante bastante tempo a camisola de líder da competição, mas acabou por perdê-la, com bastante honra, na penúltima etapa da prova, tendo finalizado no sexto lugar da classificação geral.

CAMPEÃO DO MUNDO DE CONTRARRELÓGIO EM 2017

Em 2017, Tom Dumoulin já havia ganho todo o tipo de contrarrelógios, acumulando mais de dez vitórias em esforços contra o cronómetro, faltando-lhe apenas acrescentar a medalha de ouro no campeonato do mundo de contrarrelógio à já bem preenchida “vitrine doméstica”. Esse feito foi alcançado a 20 de setembro de 2017, em Bergen, na Noruega. O neerlandês partiu para a prova com o estatuto de favorito e não sucumbiu à pressão, assumindo o favoritismo e “exterminando” as aspirações dos rivais. Tom foi muito regular durante todo o percurso e, no topo do Mount Floyen (linha da meta), acabou por bater o esloveno Primoz Roglic por aproximandamente um minuto e outros especialistas na disciplina (Chris Froome, Nélson Oliveira e Vasil Kiryienka) por quase um minuto e meio

VENCEDOR DO GIRO DE 2017

A primeira e única grande volta vencida por Tom Dumoulin foi o Giro de 2017, no qual se mostrou ser um ciclista verdadeiramente completo: ganhou um contrarrelógio com autoridade (etapa 10), triunfou numa chegada em alto com categoria (etapa 14), soube gerir os esforços na alta montanha com recurso ao seu soberbo “motor a diesel”, não desabou perante situações mais difíceis (toilet break da etapa 16), aguentou os ataques poderosíssimos dos experientes Vincenzo Nibali e Nairo Quintana e resistiu à dureza das três semanas de competição. A maglia rosa envergada por Tom Dumoulin traduziu um desempenho completo do neerlandês na competição, que foi ganha por quem realmente mereceu. O Giro de 2017 é, indubitavelmente, a conquista mais notável do extenso palmarés de Dumoulin.

Miguel Monteiro
Miguel Monteirohttp://www.bolanarede.pt
O Miguel é um estudante universitário natural do Porto, cuja paixão pelo desporto, fomentada na infância pelos cromos de Futebol que recebia e colava nas cadernetas, considera ser algo indescritível. Espetador assíduo de uma multiplicidade de desportos, tentou também a sua sorte em algumas modalidades, sem grande sucesso, tendo encontrado agora na análise desportiva uma oportunidade para cultivar o seu amor pelo desporto e para partilhar com os demais as suas opiniões, nomeadamente de Ciclismo, modalidade pela qual nutre um carinho especial.

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