Publicidade

Uma oportunidade para mudar o paradigma

José Baptista · 2 min

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

A pandemia do coronavírus serviu bem para nos relembrar da insustentabilidade do modelo de negócio do Ciclismo. Um desporto em que as equipas têm quase a totalidade do orçamento coberto por patrocinadores está extremamente dependente das fortunas dessas empresas externas, tornado-se assim vulnerável.

Entre as personalidades da modalidade que muito têm falado neste período de quarentena, tentando manter assim a visibilidade para si mesmos e para os seus patrocinadores, Dave Brailsford foi dos poucos a ir para além das lamentações e a mencionar exatamente esta questão, adicionando um tema tabu para muitos, mas com o qual este autor concorda na totalidade: o Ciclismo tem que deixar de estar dependente do Tour de France.

Este não é um problema novo, mas a UCI tem sido um entrave à modernização dessa vertente do ciclismo e, especialmente desde que Lappartient assumiu a presidência, parece mais uma filial da ASO que uma entidade realmente interessada em desenvolver o desporto. Bom exemplo disso mesmo é a recente ação judicial colocada pela Velon, uma associação que une algumas das melhores equipas do mundo e que tem desenvolvido um novo modelo de competição, mas a quem a UCI tem feito a vida negra porque se tem mostrado demasiado agarrada ao atual modelo, deixando perceber interesses exteriores ao ciclismo.

Bebendo um pouco de inspiração no trabalho da Velon, penso que este momento de dificuldade global em que estamos pode servir como oportunidade para um relançamento do ciclismo de Pista.

De momento, as competições desportivas estão paradas em grande parte do mundo e, mesmo quando regressarem, é provável que haja nos próximos meses e anos restrições quanto à assistência, pelo que serão beneficiadas as atividades em recintos fechados. Ora, se o ciclismo de Estrada terá vida difícil pela frente nos tempos que aí vêm, o mesmo não será necessariamente o caso da Pista.

Com mais pequena duração e mais explosividade, a Pista tem um potencial televisivo que continua por explorar e esta pode ser a altura ideal. Aproveitando ter um número de competidores reduzido, não envolver grande contacto entre os atletas e poder ser disputada em arenas fechadas – até mesmo sem público -, há a possibilidade de criar um produto apelativo para cadeias televisivas e plataformas de conteúdo online que começam a escassear em novo conteúdo para apresentar devido a todas as restrições impostas atualmente à livre circulação.

Assim, seguindo o excelente exemplo da WWE, a realização de competições de Pista sem adeptos nas bancadas, mas “televisionadas” para todo o mundo poderia ser uma excelente forma de dar um novo ímpeto quer à Pista em específico, quer ao ciclismo em geral, já que ajudaria a fazer estrelas, muitas delas que poderiam depois ser também acompanhadas na Estrada.

É claro que, até olhando para a forma como a Pista tem sido desvalorizada pela UCI nas Olimpíadas, não se pode esperar muito, mas não duvido que seria uma excelente ideia para aproveitar um momento difícil para fazer crescer a modalidade.

Foto de Capa: UCI

José Baptista

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes
Opinião

Torreense ‘Til I Die On The Beach

O Sunderland é uma das equipas mais românticas desta edição da Europa League. Não pelo futebol, mais próximo da ideia genérica do futebol inglês e britânico e pouco dado a estéticas e modernidades, mas pela história de um clube tradicional que, aos olhos de todo o mundo, desceu à 3.ª Divisão, fez o caminho das trevas e, à primeira, garantiu o acesso às competições europeias. Nesta caminhada, a série «Sunderland ‘Til I Die» ajudou o clube do Nordeste de Inglaterra a tornar-se mais global, solidarizando e sensibilizando adeptos de todo o mundo. No que toca a ter as ruas do seu lado, há poucos clubes mais bem posicionados do que o Sunderland. Um deles, ainda assim, é o Torreense. Por mais que seja interessante olhar para lá do óbvio, não nos podemos esquecer, em qualquer análise, que a competição para o emblema de Torres Vedras é altamente desigual. Enquanto se debela com um arranque de época delicado na Segunda Liga, o Torreense vai usando a Europa League como uma diversão cada vez mais competitiva, como uma montra de luxo para se publicitar enquanto clube e como uma recompensa merecida a um feito extraordinário. Este carinho natural para com o outsider roubou algum do protagonismo à primeira deslocação europeia do Sunderland em 53 anos. E, mais do que os dados lançados antes do jogo, o rumo dos 90 minutos ajuda a ganhar um sentimento de identificação com o Torreense.

Diogo Ribeiro · 7 min de leitura
Ler a crónica

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.