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Van Avermaet sobe ao céu no “Inferno do Norte”

Nuno Raimundo · 4 min

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Cabeçalho modalidadesAquela que é a clássica mais icónica (e, para mim, das minhas corridas preferidas no mundo do ciclismo) voltou a não desiludir. O campeão olímpico, Greg Van Avermaet, conquistou a mítica Paris-Roubaix, após exaustivos e emotivos 257 km’s. Após vários quilómetros em fuga, o belga assegurou a sua vitória ao sprint, frente a Zdenek Stybar e Sebastian Langeveld, segundo e terceiro classificados, respetivamente.

O antigo guarda-redes da equipa do Beveren (clube da primeira liga belga de futebol profissional) juntou o seu primeiro Monumento a um já excelente currículo. Num dia verdadeiramente delirante, com uma corrida rápida e onde poucas foram as fugas a serem permitidas, vimos a Quick-Step – como seria de esperar, tendo em conta a equipa que levavam – e a Katusha a trabalharem bastante.

Numa fase em que Van Avermaet furou e ficou para trás, ainda a bastantes quilómetros do final (com cerca de um minuto de atraso para os da frente), vimos Stybar e Sagan em perseguição de Oss, ciclista da BMC e companheiro de equipa do vencedor da 115ª edição deste Paris-Roubaix. Neste momento de perseguição, Sagan voltou a estar azarado e furou (algo que aconteceu por mais do que uma vez nesta corrida), sendo que Van Avermaet recuperou bem e, juntamente com Stybar, Langeveld, Stuyven e Moscon, conseguiu isolar-se dos restantes ciclistas.

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O pódio da 115.ª edição do mítico “Inferno do Norte”, mais conhecido por Paris-Roubaix
Fonte: gettyimages.pt

Nesta altura, o grupo onde estava o lendário Tom Boonen, disputando a sua última prova em toda a carreira, acabou por nunca mais conseguir chegar ao grupo de Avermaet, sendo que neste grupo perseguidor estavam igualmente Greipel, Demare ou Degenkolb. O campeão do mundo em título, Peter Sagan, já tinha ficado definitivamente arredado da luta pelo troféu, tendo mais uma edição bastante azarada para si mesmo.

Já na chegada ao Velódromo, a primeira volta mais parecia um passeio de ciclismo do que uma corrida World Tour. Após muita tática e indecisão sobre quem atacava primeiro, Stuyven e Moscon ainda conseguiram chegar ao trio da frente, mas já não tiveram capacidades para os incomodar na luta pela vitória.

Stybar ainda deu a sensação de poder ter feito o ataque na altura certa, mas a verdade é que Van Avermaet provou realmente que era o homem mais rápido dos três e venceu de forma excelente, com uma boa ultrapassagem, e festejando uma vitória que certamente ficará marcada como uma das melhores da sua carreira.

Tem sido um início de temporada incrível da parte do ciclista da BMC, que junta o triunfo na mítica Paris-Roubaix às vitórias alcançadas em Omloop Het Nieuwsblad, E3 Harelbeke, Gante-Wevelgem e ao segundo lugar conquistado na Volta à Flandres. O campeão olímpico em título tem sido um dos grandes protagonistas desta primeira metade da temporada e já é líder do ranking, ultrapassando Sagan.

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O adeus de uma lenda do Paris-Roubaix, das clássicas e do ciclismo mundial
Fonte: deredactie.be

Após isto, há que deixar uma nota para Tom Boonen. No seu auge, era um verdadeiro Sagan (fazendo uma espécie de comparação com alguém da atualidade, para se perceber melhor), antes deste mesmo Sagan dar nas vistas. Durante a sua última corrida, bem tentou chegar-se à frente, a sua equipa estava consigo, mas, de forma natural, foi-lhe complicado bater-se com alguns dos nomes presentes, principalmente tendo em conta a sua idade.

Além disso, surgiu uma boa oportunidade de corrida para Stybar e isso acabou por igualmente complicar as hipóteses de Boonen. Ainda assim, terminou no 13º lugar e deixou realmente um brilhante legado no mundo do ciclismo, com imensas vitórias importantes e que marcaram e marcam o ciclismo mundial. Após Cancellara, é mais um nome lendário a abandonar a modalidade.

Em 15 anos de carreira, venceu pela primeira vez o Paris-Roubaix em 2005 e pela última vez em 2012, sendo um de dois ciclistas que detém o recorde de quatro vitórias (Roger de Vlaeminck é o outro nome que está ao lado do de Boonen neste recorde). O ex-campeão do mundo – em 2005 – deixa, assim, as estradas um pouco mais “pobres” após a sua saída do pelotão mundial.

Como qualquer lenda, há sempre qualquer frase que marca essa personalidade. Curiosamente, uma das frases que mais me marca da sua parte, foi dita recentemente, depois do término do Paris-Roubaix: “Por vezes, não precisas de ter um plano, apenas coragem”. Com esta coragem, o belga construiu uma incrível carreira e acredito que servirá de exemplo para alguns dos jovens ciclistas, principalmente aqueles que também têm a mesma nacionalidade e têm muito potencial para ser explorado, como Oliver Naesen, Jasper Stuyven, Tiesj Benoot, entre outros.

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A par do campeão do Paris-Roubaix 2017, Valverde tem sido, até agora, a maior figura da temporada
Fonte: alejandrovalverde.es

Em relação aos portugueses presentes em prova, é possível afirmar que não foi um bom dia para nenhum. Nélson Oliveira e Nuno Bico (ambos da Movistar) caíram e não conseguiram terminar a prova.

Por fim, mesmo não estando muito relacionado com isto, não consigo deixar de destacar a época que Alejandro Valverde está a fazer, também com 36 anos. O espanhol da Movistar ganhou recentemente a Volta ao País Basco, juntando às conquistas da Volta à Catalunha, Volta à Andaluzia e a Volta à Múrcia, com mais algumas outras boas prestações noutro tipo de provas. E ainda só estamos em Abril…

Foto de capa: Paris- Roubaix

Artigo revisto por: Francisca Carvalho

Nuno Raimundo

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