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Vêm aí as clássicas das Ardenas!

André Filipe Antunes · 7 min

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A trilogia das Ardenas está a chegar, largamos o pavé das clássicas do Norte e passamos para as colinas curtas e com altas pendentes. Este Tríptico das Ardenas é composto pela: Amstel Gold Race, La Flèche Wallone e Liège-Bastogne-Liège. São três clássicas com enorme reputação e tradição. 

A primeira clássica, a Amstel Gold Race será disputada dia 21 de abril, a Flèche Wallone acontecerá na quarta-feira seguinte ( 24 de abril) e por último a Liège no dia 28 de abril, ou seja, no espaço de uma semana serão realizadas três corridas importantes do calendário anual das equipas World Tour. O espetáculo nesta semana é sempre garantido.

A Amstel Gold Race é a prova mais importante do calendário ciclístico a realizar na Holanda. O nome Amstel encontra-se relacionado com uma cervejaria, de seu nome “Amstel” claro está, propriedade da Heineken.

 A primeira edição desta prova foi em 1966. Já conta, portanto, com 53 edições, mesmo assim é a prova mais novinha das três.

A prova irá apresentar-se com 265.7 quilómetros para os ciclistas. Subidas como o Keuterberg com secções de 22% de inclinação, ou como o Cauberg com 13%, irão certamente fazer mossa nas pernas dos ciclistas, após duzentos quilómetros percorridos. É uma corrida “non-stop” em que os favoritos têm que andar sempre bem colocados, com sobe e desce constante é fácil haver cortes e diferenças entre grupos. 

O último vencedor aqui foi o dinamarquês Michael Valgren, pela Astana.

A Flèche Wallone é corrida na Bélgica, na região da Valônia. É uma clássica com 82 edições já contadas, a primeira edição foi em 1936. O homem com mais vitórias nesta clássica é o espanhol Alejandro Valverde (2006,2014,2015,2016,2017).

Mais uma prova duríssima, serão cerca de 196 quilómetros, com cerca de onze subidas com uma inclinação muito elevada. Acabando no famoso Muro de Huy com rampas a 17% de inclinação. 

O circuito final começa quando faltarem sensivelmente 77 quilómetros, com as passagens no Côte d´Ereffe e no Côte de Cherave, que antigamente os ciclistas passavam duas vezes por cada, agora passam três! As passagens pelo Muro de Huy continuam as mesmas três vezes do costume.  Com tanta subida dura, resta saber quem terá pernas para enfrentar o Muro de Huy no final do dia.

A Liège-Bastogne-Liège, frequentemente chamada por La Doyenne ou Old Lady é a prova mais antiga das clássicas. Esta que é um dos cinco monumentos do ciclismo. Conta já com 104 edições! A primeira edição foi no ano de 1892. 

Esta prova realiza-se na região das Ardenas e acaba na cidade em que começa. Antigamente esta prova era corrida no mesmo fim de semana ( dias consecutivos) em que se corria a La Flèche Wallone, dando origem ao Le Weekend Ardennais. Eddy Merckx é o recordista desta prova, com cinco triunfos. 

 Este ano será uma edição histórica, após 27 anos a acabar na localidade de Ans, o final volta a coincidir no centro da cidade de Liège, pelo menos até 2024. 

Serão 256 quilómetros, com onze subidas duras. A distância das mesmas não ultrapassará os quatro quilómetros e as pendentes irão rondar os 5% e os 13% de inclinação. Os ciclistas irão contar com cerca de 4000 metros de desnível, o que é praticamente o equivalente a uma etapa de alta montanha numa Grande volta. 

Agora a corrida acaba com a subida ao Côte de la Roche-aux-Faucons (1,3 quilómetros a 11%) a cerca de quinze quilómetros do final. Depois será com terreno plano e em descida até ao final. Assim quem ficar para trás nas subidas ainda terá hipótese de recolar no final e talvez discutir a vitória ao sprint. Vai ser uma corrida aberta certamente e imprevisível. 

Bob Jungels ganhou aqui a edição de 2018, numa tentativa a solo.

Peter Sagan este ano irá correr pela primeira vez esta prova, visto que vê aqui claramente uma oportunidade de ouro para ganhar esta corrida tão emblemática.

Gilbert, um dos únicos ciclistas a fazer o Triplete nas Ardenas
Fonte: Quick-Step Floors

Dois ciclistas que já fizeram história nestas clássicas e ainda se encontram ativos no pelotão internacional são: David Rebellin e Philippe Gilbert.  São os únicos ciclistas a conseguirem um triplete, visto que ganharam as três provas no mesmo ano! Rebellin em 2004 e Gilbert em 2011.  No entanto apenas Gilbert irá ter a chance de ganhar alguma destas provas, visto que ele está no alinhamento inicial da Deceuninck- Quick-Step para as clássicas, já Rebellin com os seus 47 anos, encontra-se a correr na equipa Continental da Sovac e esta equipa não irá correr em provas importantes como estas. Valverde também está no hall of fame das Ardenas, visto que ganhou a Flèche Wallone e a Liège no mesmo ano em: 2006, 2015 e 2017.

Nomes a ter em conta nas Ardenas:

Julian Alaphilippe: Era impossível faltar este nome na lista de favoritos. É o ciclista mais vitorioso do ano, com oito vitórias acumuladas. Nas três clássicas que realizou, ganhou a Strade Bianche e a Milano-Sanremo e ficou em segundo na La flèche Brabançonne.  Ele que até já ganha ao sprint contra os homens mais rápidos do pelotão. Este ciclista francês está no auge da sua carreira e ainda tem muito para dar.

Alejandro Valverde: É verdade que a camisola de campeão do mundo parece pesar. Só ganhou uma vez este ano, mas o currículo deste homem nas clássicas é invejável. O ano passado fez top 5 na Amstel e fechou em segundo na Flèche Wallone, num duelo emocionante contra Alaphilippe. Em 2017 ganhou tanto a Flèche como a Liège. Valverde vai fazer de tudo para ganhar pelo menos uma destas clássicas.

Tim Wellens: Leva três vitórias na temporada. Apresentou-se bem na última clássica belga ( Flèche Brabançonne) acabando em terceiro. Este homem é talhado para clássicas deste género, subidas inclinadas e curtas é o terreno perfeito para Wellens e terá toda a equipa da Lotto Saudal a trabalhar para si durante as provas.

Sagan: Só tem uma vitória na temporada, na Austrália, mais precisamente no Santos Tour Down Under. O campeão eslovaco vai estar à procura de acabar com a escassez de vitórias nas Ardenas. Este ano terminou em quarto na Milan-Sanremo e em quinto no Paris Roubaix, foram estes os seus melhores resultados nas clássicas. Mas Sagan é Sagan e consegue surpreender quando menos estamos à espera.

Maximilian Schachmann: Muita atenção a este nome, o homem da Bora Hansgrohe está a ter prestações em cima da bicicleta como nunca antes visto. Leva cinco vitórias na temporada, incluindo uma clássica, o GP Industria& Artigianato em Itália. Está a atravessar a melhor fase da sua carreira, vamos ver até onde o vai levar.

Bettiol está a correr a um nível elevado neste início de temporada Fonte: EF Education First

Depois temos um vasto leque de corredores que podem ganhar e surpreender: 

Alberto Bettiol (EF Education First): que já ganhou o Tour de Flandres este ano tem que ser apontado como um nome importante a ter em conta. Fez também top 10 na Flèche Brabançonne e no E3 Binckbank classic. Certamente que vai andar bem o italiano da Education First.

Valgren, Kreuziger, Gasparotto: Valgren foi o vencedor da Amstel 2018, Kreuziger o segundo e Gasparotto o terceiro, esta é a equipa das clássicas da Dimension Data. Curiosamente nenhum ciclista corria na Dimension em 2018.

Colbrelli e Dylan Teuns (Bahrain-Merida): são sempre nomes perigosos para este tipo de provas e a Bahrain precisa de vitórias.

Os irmãos Izaguirre e Fuglsang (Astana): dispensam apresentações, ainda para mais a Astana está a todo o gás este ano.

Oliver Naesen e Bardet (AG2R): são nomes que querem ganhar visto que as vitórias não têm abundado na equipa francesa e certamente que vão querer mudar isso. Naesen tem conseguido vários top 10 neste início de temporada, já Bardet ainda anda longe do seu pico de forma.

Van Avermaet e Bevin (CCC): têm conseguido vários top 10, mas sem êxito de vitória. A CCC é das equipas com menos vitórias este ano e precisa de amealhar bons resultados.

Wout Van Aert (Team Jumbo-Visma): aposta principal da Team Jumbo-Visma para as clássicas, vamos ver como vai correr as suas primeiras clássicas das Ardenas.

Kwiatkowski (Team SKY): um autêntico puncheur, já conta com várias clássicas no seu palmarés, incluindo a Amstel Gold Race de 2015.

Matthews (Team Sunweb): Encabeça a equipa da Team Sunweb, já ganhou esta temporada por duas ocasiões e pode perfeitamente discutir a vitória caso consiga chegar na frente com os melhores e se for proporcionado uma chegada ao sprint.

Van der Poel (Corendon): Vai correr apenas a Amstel Gold Race, por se tratar de uma corrida na Holanda, junto da sede da sua equipa. Está a um nível muito elevado e a prova disso são as cinco vitórias que já leva, incluindo duas clássicas belgas, a Dwars door Vlaanderen e a La Flèche Brabançonne. A juntar a isto, teve um quarto lugar no Tour de Flandres.

Bob Jungels e Gilbert (Quick-Step): Se Alaphilippe não estiver no sítio certo, a equipa belga pode jogar com outras cartas, o luxemburguês está em boa forma e Gilbert acabou de ganhar o Paris-Roubaix. 

Adam Yates e Trentin (Mitchelton-Scott): São dois nomes bons para os outsiders, não são favoritos, mas não se descuidem com eles.

Bauke Mollema (Trek): É aquele nome que ninguém dá conta, mas está sempre lá. É capaz de surpreender como já mostrou várias vezes.

Serão dias desgastantes e intensos, mas sem dúvida serão dias com espetáculo garantido, tanto para quem corre, como para quem assiste em casa. É uma semana que se sente o ciclismo de outra forma, as equipas sentem e os amantes da modalidade também. É a semana das Ardenas!

Foto de Capa: La Fléche Wallone

André Filipe Antunes

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