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A Volta ao Algarve, que começa hoje e termina no dia 21 de fevereiro, continua a afirmar-se como uma corrida de referência internacional, mostrando imensa qualidade e granjeando cada vez mais prestígio, sendo que não é fácil encontrar, fora do circuito WorldTour, um pelotão com a qualidade daquele que vai pedalar no sul do nosso país.

Esta corrida costuma também ser a grande oportunidade para as equipas nacionais se encontrarem com as grandes estrelas internacionais da modalidade. Iremos realmente assistir a uma “parada de estrelas”, entre as quais se encontram 26 ciclistas dos primeiros 100 do ranking mundial – e quatro desses ciclistas estão presentes no top10 mundial: 2.º – Joaquim Rodríguez (Katusha); 5.º –Fabio Aru (Astana); 7.º – Alberto Contador (Tinkoff); e 10.º – Thibaut Pinot (FDJ). Além disso, o palmarés somado dos 192 inscritos (em 24 equipas e com 30 países envolvidos) contabiliza, entre muitos outros feitos (como, por exemplo, vários vencedores de clássicas), duas vitórias na Volta a França, quatro vitórias na Volta a Espanha e outras duas na Volta a Itália, juntando às nove vitórias em Mundiais e uma medalha de ouro nos Jogos Olímpicos.

Aos quatro ciclistas acima enunciados juntam-se outras grandes figuras do pelotão mundial, tais como: Fabian Cancellara (Trek-Segafredo), Tom Boonen, Marcel Kittel ou Tony Martin, todos da Etixx-QuickStep, Rigoberto Uran (Cannondale), André Greipel (Lotto-Soudal), Robert Gesink (Lotto NL-Jumbo), Jon Izaguirre (Movistar) e, claro, o último vencedor, Geraint Thomas (Sky). Michal Kwiatkowski, vencedor em 2014, também foi dado como inscrito na prova, mas ontem acabou por sair da lista de inscritos da equipa da Sky devido a uma doença. Todos estes nomes apresentam-se como candidatos a conquistar ou etapas ou mesmo a volta em si, tal como o português Tiago Machado (Katusha).

A juntar-se ao português da Katusha, em termos de ciclistas nacionais em equipas internacionais, iremos ter André Cardoso (Cannondale), Nelson Oliveira (Movistar), Bruno Pires (Roth), José Mendes (Bora-Argon 18), Ricardo Vilela (Caja Rural-Seguros RGA) e o bem conhecido e experiente Sérgio Paulinho (Tinkoff).

Em termos de equipas portuguesas, há enorme curiosidade em saber como é que Sporting e Porto irão encarar este primeiro grande desafio da temporada. O Sporting Clube de Portugal/Tavira irá apresentar no seu elenco os seguintes elementos: Rinaldo Nocentini (corredor de qualidade, com vasta experiência internacional e chefe de fila da equipa verde e branca), David de la Fuente, Válter Pereira, Mário Gonzalez, Jesús Ezquerra, Luís Fernandes, Óscar Gonzalez e David Livramento. Do lado da W52-FC Porto-Porto Canal, teremos: Samuel Caldeira, António Carvalho, Raúl Alarcon, Rafael Reis, João Rodrigues, Joaquim Silva, Rui Vinhas e Ricardo Mestre, que, na ausência de Gustavo Veloso, vencedor das últimas duas edições da Volta a Portugal, se prevê que seja o líder da equipa.

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Geraint Thomas, vencedor da última edição da Volta ao Algarve, é um dos favoritos a ganhar a prova
Fonte: cyclingnews.com

Todos os ciclistas irão ter pela frente um percurso de cerca de 743,2 quilómetros, distribuídos por duas etapas planas (situadas na primeira e na quarta etapas), um contrarrelógio individual, com 18 quilómetros (na terceira etapa), e duas chegadas em alto (segunda e quinta etapas). Tal como é possível confirmar pela planificação do percurso, este ano voltará a vencer, provavelmente, alguém muito completo e que reúna capacidades não só em terrenos “ligeiros”, mas também que saiba ser rápido contra o relógio e tenha as faculdades adquiridas em termos de ser um “trepador” capaz para ultrapassar as grandes dificuldades nas etapas de alta/média montanha. A Volta ao Algarve arranca em Lagos e termina, no domingo, no alto do Malhão (Loulé).

Uma das grandes novidades desta edição será a atribuição do “Prémio Prestígio”, que iria ser entregue antes do arranque da prova a um ciclista que, pelo seu palmarés e historial no pelotão, prestigia a corrida com a sua presença. A organização optou por desvendar o vencedor no dia de ontem, sendo que decidiram partilhar o “prémio” entre três das maiores figuras nesta edição: Alberto Contador, vencedor de sete Grand Tours (ou Grandes Voltas) e desta prova portuguesa em 2009 e 2010, e Tom Boonen e Fabian Cancellara, dois dos maiores especialistas em clássicas do pelotão internacional e já com um palmarés recheado de conquistas.

Nesta Volta ao Algarve, a qualidade, o mediatismo, a variedade, as estreias de Sporting e Porto, o “brilho” das mais variadas estrelas presentes e a quantidade dos participantes faz desta uma corrida a seguir, não só em Portugal (quão bom seria que isto tivesse tido a atenção que merece e fosse transmitido em direito por algum dos canais de televisão portugueses…), mas também no mundo todo, algo que acaba por colocar realmente o Algarve na “agenda” da comunicação social portuguesa e internacional.

Que haja espetáculo para todos, muita competitividade, diversão, emoção e um grande rendimento, principalmente por parte de todos os portugueses presentes. Também esperamos que não existam casos de doping, quedas ou lesões. A partir de hoje, é desfrutar, durante cinco dias, um pouco do melhor que o ciclismo nacional e internacional tem para nos oferecer!

 Foto de Capa: voltaaoalgarve.com

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