Vuelta a España #3: A derrota ibérica

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A terceira semana da última Grande Volta da temporada ficou marcada por uma dupla derrota ibérica, a de João Almeida na estrada e, fora dela, a da organização da prova espanhola. Na ausência de Pogacar, a Emirates continua a brilhar, mas volta a não conseguir ganhar o prémio mais importante e essa incapacidade fragiliza a posição de Almeida dentro da equipa na busca do seu espaço de liderança. Já o produto desportivo produziu bastante entretenimento, mas ficou marcado pelos protestos e pelas cedências da organização.

Organização de Pequena Volta

É preciso recuar a 1991 para encontrar uma etapa da Vuelta sem vencedor. Nesse ano, a neve tornou a etapa 11, entre Andorra e Pla de Beret, demasiado perigosa para ser corrida. Mais de trinta anos depois, a (válida) desculpa de que não podemos controlar os elementos não pode ser usada, porque tudo teve mão humana.

E, desta feita, tivemos uma três etapas encurtadas (incluindo duas decisivas, uma de montanha e o contrarrelógio), uma delas sem vencedor atribuído e mais uma outra cancelada. Ora, se na primeira vez ainda se pode dar à organização o benefício da imprevisibilidade, o mesmo não se aplica às restantes.

Entre a incapacidade das autoridades de salvaguardar a prova e o desrespeito dos protestantes que sabotam o desporto que nada tem a ver com uma guerra a milhares de quilómetros de distância, o que fica destas três semanas é uma péssima imagem que Espanha deixa ao mundo.

Vingegaard ainda está noutro patamar

João Almeida recuperou tempo para Vingegaard no esforço individual e até poderia ter sido mais não fora este ter sido cortado para cerca de um terço da distância, mas nas duas chegadas em alto o português não esteve ao mesmo nível e cedeu segundos para o líder. No penúltimo dia, o dinamarquês deu a machadada final e impôs a sua autoridade vencendo na Bola de Mundo.

João Almeida alcança o seu segundo podium numa Grande Volta e iguala o melhor resultado luso nestas provas, apesar de falhar a vitória. Haverá quem culpe a equipa (e esta poderia realmente ter feito um pouco mais), mas a verdade é que, mesmo sem estar ao seu melhor nível, Jonas Vingegaard continua a ser melhor voltista que o português.

A reviravolta de Riccitello

À partida para esta edição da ronda espanhola, Juan Ayuso e Giulio Pellizzari carregavam o peso do favoritismo na classificação da juventude. O homem da casa ainda vestiu de branco nos primeiros dias, mas rapidamente mostrou que não estava com ritmo para a luta da Geral, e passou a ser o italiano da Red Bull a subir todos os dias ao podium como líder.

Porém, um homem teimava em lhe morder os calcanhares, Matthew Riccitello, da Israel – Premier Tech. Pellizzari ia mantendo-se sempre à sua frente e até selou a sua primeira vitória profissional na chegada ao Alto de El Morredero, mas a ameaça estava lá.

E, na última subida desta Vuelta, a ascensão à Bola del Mundo, o americano dpeu a volta ao guião. A conjugação de um dia mau de Pellizzari com Riccitello a voltar a subir com os melhores fez diferença suficiente para uma mudança na camisola branca mesmo no último fôlego da corrida.

Vencedores para (quase) todos os gostos

Depois do domínio da UAE Team Emirates na conquista de etapas nas primeiras duas semanas, os últimos dias foram mais diversos, com a equipa dos Emirados a confirmar apenas a conquista da montanha por Jay Vine.

A INEOS especializou-se nas etapas encurtadas e Egan Bernal venceu numa fuga de montanha, numa tirada que terminaria no sopé e não no alto como planeado, enquanto o crono agora mais curto foi perfeito para fazer brilhar Filippo Ganna. Já Jasper Philipsen aproveitou mais uma chegada ao sprint para se impor em velocidade. Os muitos fans de Mikel Landa é que tiveram que lidar com a desilusão. O basco teve uma boa oportunidade, mas perdeu ao sprint no dia em que venceu Bernal.

Por fim, Mads Pedersen confirmou o favoritismo e chegou aos arredores de Madrid de verde, concluindo uma época perfeita para a Lidl-Trek nesse campo.

José Baptista
José Baptistahttp://www.bolanarede.pt
O José tem 24 anos e é de Direito. Adora escrever e, para ele, o desporto deve ser em quantidade e em variedade. O Ciclismo é a sua grande paixão e em 2015 redescobriu o Wrestling.                                                                                                                                                 O José escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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