Conor McGregor: Reforma ou estratégia?

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A especulação do possível combate entre McGregor e Cerrone caiu por terra na semana passada. UFC anunciou que Donald Cerrone vai enfrentar Al Iaquinta no UFC Ottawa, a 4 de maio. A grande maioria dos fãs ficou desapontada pela luta contra McGregor não se realizar, e ficou, simultaneamente, intrigada com o futuro do irlandês.

No dia 19 de março Conor referiu em entrevista que se encontrava em negociações com o UFC para regressar em julho. Destacou que por ele não havia problema em que a sua luta fosse o “co-main event” do cartaz, com uma condição: o antigo duplo campeão exigia receber ações da empresa. Já não é a primeira vez que este tema é abordado por ele. Após o combate com Eddie Alvarez, Conor afirmou que era justo receber uma parte das ações da empresa, tendo em vista o contributo e a audiência que traz à promoção. Desde então que o UFC nunca fez nada para resolver esta questão.

Na madrugada de 26 de março McGregor utilizou a rede social Twitter, para informar os seus seguidores que se “reformava do desporto formalmente conhecido como Artes Marciais Mistas”. Esta foi uma notícia que caiu como uma bomba na comunidade de fãs. Já é a segunda vez que Conor “tweeta” que se retirava do desporto. Em 2016, na sequência de ter sido retirado do UFC 200, o irlandês afirmou que tinha decidido “reformar jovem”.

O que pretende McGregor com isto? Será que é realmente uma reforma definitiva, ou apenas uma estratégia de marketing?

Conor McGregor com a sua marca de whiskey, Proper Twelve
Fonte: Proper Whiskey

O atleta tem sido recentemente alvo de vários processos legais. Antes da luta frente a Khabib, esteve detido por ter atirado objetos contra o vidro do autocarro onde seguia o russo e outros lutadores. Recentemente foi alvo de um processo por alegadamente ter esmagado um telemóvel de um fã. Estão, também, a decorrer umas investigações relativas a um possível caso de assédio sexual que envolve McGregor numa penthouse em Dublin, Irlanda.

A reforma de Conor não parece ter a ver com estes conflitos legais. Apesar de graves, não afetam a vida do lutador de tal forma para motivar esta ação. Podem, sim, influenciar o modo de pensar do atleta. Para além da grande fortuna e dos negócios e patrocínios em que está envolvido, um dos lemas do irlandês sempre foi: “Get in, get rich, get out (Entrar, enriquecer, sair)”.

Uma das razões que pode ter levado a McGregor tomar esta decisão, é o facto das negociações para o seu regresso não terem corrido como planeava. Parece ser muito difícil para o UFC abdicar de parte das ações da empresa, apenas para Conor voltar a combater. A questão da sua luta ser em “co-main event” também não é algo que favoreça a sua imagem, o que pode ser motivo para desagrado do irlandês. O facto do UFC não querer, de momento, completar a trilogia com Nate Díaz pode ser outro dos motivos deste descontentamento com a promoção.

McGregor tem várias possibilidades interessantes para a sua carreira fora do UFC. A sua marca de Whiskey, Proper Twelve, tem tido bastante sucesso devido à sua enorme audiência, e é um negócio interessante para ele se concentrar. Mas a grande porta que se pode abrir é a da WWE. Conor seria uma das, se não a maior, estrelas da promoção, e traria um grande número de espectadores. Seria um encaixe financeiro gigante para ambas as partes, com menos riscos, e mais seguro a nível de imagem para McGregor. Relembramos que a antiga estrela do UFC, Ronda Rousey, também abandonou o MMA para se juntar ao wrestling profissional.

Esta decisão de Conor pode ser simplesmente uma grande jogada de marketing. Enquanto as negociações com o UFC não se desenvolvem, o antigo campeão mantém-se “reformado”. No momento em que estiver tudo definido para o seu regresso, este será promovido como um “estar de volta” de McGregor, o que trará imenso entusiasmo aos fãs. Mais do que podia trazer se um combate fosse anunciado nos próximos tempos. Algo que a maior estrela do Boxe, Floyd Mayweather, fez várias vezes na sua carreira.

De qualquer das formas, Conor McGregor é um atleta que capta sempre a atenção do público quando o seu nome é referido. Todas as suas lutas são de alta qualidade e entusiasmam os adeptos de uma forma rara de se observar. O futuro do irlandês será uma dúvida que continuará no ar.

Foto de Capa: UFC

Eduardo Pedrosa Costa
Eduardo Pedrosa Costahttp://www.bolanarede.pt
Desde criança que os desportos de combate o fascinam. Antigo praticante de boxe, é fã de UFC, Conor McGregor e Mike Tyson. É estudante de Ciências da Comunicação na Universidade Lusófona do Porto, e é na análise desportiva que se revê.                                                                                                                                                 O Eduardo escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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