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Jéssica Andrade tira os espinhos à rosa

Eduardo Pedrosa Costa · 5 min

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O UFC 237 teve lugar no Rio de Janeiro, Brasil. O combate principal foi pelo título de peso-palha e Jéssica Andrade nocauteou Rose Namajunas de forma brutal. Anderson Silva perdeu por KO técnico ao não poder continuar a luta depois de levar com um pontapé na perna direita de Jared Cannonier. Alex Volkanovski venceu José Aldo por decisão e pode estar a um passo do combate pelo título. A Luta da Noite foi o combate pelo título; as Performances da Noite foram para Warlley Alves e Jéssica Andrade.

A campeã Rose Namajunas aceitou o difícil desafio em defender o título em território inimigo. A luta contra Jéssica Andrade era perigosa por vários motivos. Primeiro pelo facto de ser no Brasil, país natal de Andrade. Depois pelas características da adversária: mais forte fisicamente e com elevado poder de KO.

Rose entrava neste combate com três vitórias consecutivas frente a Michelle Waterson e duas contra a ex-campeã Joanna Jedrzejczyk. Admitiu que pretendia defender o título em território hostil para continuar a enfrentar os seus medos. É uma striker excelente, muito rápida e muito técnica. Beneficia de ser muito inteligente dentro do octógono e ter sempre um plano bem definido.

Jéssica Andrade lutava pelo título pela segunda vez. Da primeira perdeu uma decisão unânime com Joanna Jedrzejczyk no UFC 211. Agora estava melhor preparada e pronta para vencer em “casa”. A brasileira vinha de três vitórias seguidas frente a Claudia Gadelha, Tecia Torres e Karolina Kowalkiewicz. É marcada pela força física, pelo poder de KO, mas também por ter um bom grappling.

Namajunas entrou bem no primeiro round. Móvel, a lançar muitos golpes à distância e a ser muito eficaz no strike. Conseguiu inclusive mandar Andrade ao tapete com um joelho, quando recuava de uma tentativa de projeção.
Jéssica Andrade conseguiu pegar na campeã de forma brutal e fez um enorme slam.

Na segunda ronda Namajunas estava a continuar a jogar bem, com o mesmo plano. Andrade entrou mais agressiva que no primeiro round, mas a campeã estava a dominar no aspeto do strike. Até que chegou o momento da luta: Andrade pega novamente em Namajunas acima da cabeça e aplica um poderoso slam. Namajunas caiu de pescoço e ficou imediatamente inconsciente.

O poderoso slam que nocauteou Namajunas
Fonte: UFC

Na conferência pós-combate Andrade demonstrou interesse em ter uma desforra com Namajunas, mas esta referiu que planeava fazer algo diferente com a sua vida. Neste caso a possibilidade mais forte será a luta entre Andrade e Michelle Waterson.

O co-main event foi o combate entre Jared Cannonier e Anderson Silva. O americano vinha de uma vitória por KO contra David Branch no UFC 230, e encontrou nesta luta a oportunidade perfeita para ganhar algum nome na divisão de peso-médio.
A lenda Anderson Silva estava de regresso ao octógono depois de ter perdido contra Israel Adesanya por decisão no UFC 234.

Cannonier entrou a lançar um maior número de golpes. Com o passar do tempo Silva foi ficando cada vez mais confortável e tinha começado a pontapear mais. Cannonier foi lançando alguns pontapés à perna direita de Silva, e isso foi o inicio do fim: perto de terminar o primeiro round Cannonier acertou um pontapé no interior da perna de Silva e este caiu imediatamente sem conseguir continuar.

Anderson Silva caído do pontapé de Cannonier
Fonte: UFC

É uma pena ver Anderson Silva perder desta forma, com mais uma lesão na perna. Recordo que já não é a primeira vez que isto acontece: o brasileiro já partiu a perna num combate contra Chris Weidman. A lesão não se afigura grave visto que Silva não foi transportado para o hospital. Mas aos 44 anos é possível que seja o fim de The Spider.

José Aldo e Alex Volkanovski enfrentaram-se na divisão de peso-pena. Aldo pretendia continuar a boa forma e tentar lutar novamente pelo título que já foi seu e que defendeu sete vezes. Vinha de duas vitórias seguidas frente a Jeremy Stephens e Renato Moicano.

Alex Volkanovski estava em grande momento de forma e a subir rapidamente nos rankings da divisão. Vinha de 16 vitórias seguidas, seis delas no UFC. Esta luta podia significar uma chance pelo título de Max Holloway.

Ambos atletas entraram a estudarem-se muito no início do round. Volkanovski esteve mais ativo e mais móvel. Controlou melhor no aspeto do strike com vários pontapés na perna. Tudo o que Aldo lançou foi significativo, mas em menor número.

No segundo round Aldo manteve-se bastante passivo, não procurava ser ofensivo. Volkanovski continuava ativo, e fez um bom trabalho no clinch onde acertou bastantes joelhos na perna de Aldo.

O terceiro round foi mais do mesmo. Volkanovski entrou mais agressivo, lançou mais golpes e geriu bem o esforço. Aldo estando a perder 2-0 não tentou finalizar o combate, surpreendentemente.

No final a decisão unânime foi a favor de Alex Volkanovski que venceu por 30-27 (venceu todos os rounds).

Alex Volkanovski festeja a maior vitória da sua carreira
Fonte: UFC

Thiago Alves enfrentou o argentino Laureano Staropoli num combate da divisão de peso-meio médio. Alves vinha de uma vitória frente a Max Griffin no UFC FN 144. Staropoli venceu o seu primeiro combate na promoção frente a Hector Aldana no UFC FN 140.

Staropoli entrou bem e mais ativo no strike. Sempre bom a gerir a distância e a vantagem que tinha na envergadura face ao adversário. Alves com algumas dificuldades em acertar golpes.

Na segunda ronda Staropoli manteve-se o mesmo, a dominar o combate em pé à distância. Lançou um maior número de golpes e conseguiu mandar Alves ao tapete a meio do round. No chão também consegue uma boa queda.

À entrada para o último round Thiago Alves sabia que estava a perder 2-0 e entrou mais agressivo. Controlou o octógono mais do que nos outros rounds, com mais pressão e agressividade.

No final a decisão caiu para Laureano Staropoli com algumas pontuações interessantes. Um juiz pontuou 29-28 dando o segundo round a Alves. Os outros dois juízes pontuaram 30-27 dando todas a rondas ao argentino.

Irene Aldana enfrentou Bethe Correia da divisão de peso-galo feminino. Aldana vinha de duas vitórias seguidas frente a Talita Bernardo e Lucie Pudilova. Correira por sua vez já não vencia desde 2016 e vinha de um empate e duas derrotas.

As duas entraram calmas e a analisar a distância uma da outra. Aldana pretendia jogar linge e conseguiu controlar o round ao acertar vários golpes à distância. Estava difícil para Correia chegar perto da adversária.

No segundo round Correia encontrou no contra-ataque a chave para acertar golpes em Aldana. Conseguiu assim estar melhor e levar o combate para o terceiro round com tudo em aberto: uma ronda para cada uma.

Entraram as duas agressivas à procura de pontuar mais. Correia estava a acertar mais golpes significativos e a procurar a finalização. Até que faz uma entrada para uma projeção muito fraca e acaba numa chave de braço de Aldana.

Nos combates preliminares destaque para a derrota de BJ Penn frente a Clay Guida por decisão; e a derrota de António Rogério Nogueira por KO contra Ryan Spann.

O próximo evento do UFC será a Fight Night em Rochester, num cartaz protagonizado por Rafael Dos Anjos e Kevin Lee na divisão de peso-meio médio.

Foto de Capa: UFC

Eduardo Pedrosa Costa

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