WWE WrestleMania (Noite 1): Se calhar é só Mania sem wrestling

- Advertisement -

A primeira noite da edição de 2026 da WrestleMania já ocorreu, novamente em Las Vegas, tal como no ano passado. As expetativas tinham sido colocadas bem lá em cima pela WWE, uma vez que se trata do seu maior evento. No final, como sempre, tivemos coisas boas e más, mas a sensação geral é que foi uma noite que deixou muito a desejar.

ISHOWSPEED ATÉ TEM JEITO PARA ISTO

No primeiro combate, os Usos e LA Knight fizeram equipa para combater os campeões de tag team, Austin Theory e Logan Paul, juntamente com IShowSpeed, a primeira celebridade da noite. Speed teve um ou outro momento para mostrar o seu atleticismo, com a ação a ser um pouco intensa quando Jey fez o hot tag. Speed depois empurrou Theory contra Paul inadvertidamente, levando LA Knight a vencer o combate com um BFT em Theory. Os membros da Vision ameaçaram atacar Speed depois do combate com um frog splash de Logan Paul em cima da mesa de comentadores, mas os Usos e Knight salvaram a celebridade com um 1D em Logan Paul, que depois sofreu ele próprio um excelente frog splash de Speed em cima da mesa.

O combate em si, antes de mais, deixou imenso a desejar e seria mais apropriado para um Raw. O pós-combate foi realmente o destaque, com Speed a mostrar bom atleticismo para alguém que não faz do wrestling a sua vida, mas que foi bem incorporado numa storyline que não ofende ninguém. Veremos o que os outros fazem a seguir à Mania, a começar com a Vision, até porque eles são campeões e os títulos têm tido muito pouco destaque ultimamente.

Nota do combate: 2/5

STREET FIGHT ERA MAIS ADEQUADO

De seguida, e ainda com transmissão na ESPN nos Estados Unidos, tivemos o Unsanctioned Match entre Jacob Fatu e Drew McIntyre. O combate teve alguns bons throwbacks, como McIntyre a assustar-se com uma caixa de ferramentas e o escocês a puxar do telefone para tirar uma selfie para as redes sociais. De resto, foi um combate bom, mas que não foi tão violento como se podia antecipar. No final, o Samoan Werewolf venceu com um ataque com a caixa de ferramentas e o Mighty Moonsault em cima de uma mesa.

No final, fiquei com a ideia de que Street Fight era mais adequado como estipulação. Foi transmitido na ESPN, por isso a WWE estava limitada em termos de sangue, mas também por isso deviam ter metido outro combate aqui e deixado este para mais tarde. Também foi um combate curtinho para a feud que era (mas isso também foi um problema durante toda a noite). No final, foi aceitável, mas podia ter sido melhor.

Nota do combate: 3.75/5

PAIGE VOLTA E É CAMPEÃ

De seguida, tivemos a primeira grande surpresa da noite, no Fatal 4 Way pelos títulos de tag team femininos. As Irresistible Forces defendiam os títulos contra Alexa Bliss e Charlotte Flair, Bayley e Lyra Valkyria e uma das Bella Twins, uma vez que Nikki Bella não conseguiu recuperar a tempo de uma lesão no tornozelo. Posto isto, Nikki anunciou que a sua irmã Brie ia fazer equipa com uma regressada Paige, que já não estava na WWE há uns oito anos. E Paige acabou mesmo por vencer os títulos, num combate mais ou menos, acabando por acertar o seu finisher em Alexa Bliss para confirmar a vitória.

Duas opiniões aqui. Em primeiro lugar, fiquei satisfeito com o regresso de Paige e com a boa reação que ela obteve do público. Isso não invalida que a equipa errada tenha vencido. Não sei se as Bellas iam vencer se Nikki estivesse apta ou se foi o regresso de Paige a mudar o booking, mas a história de Bayley e Lyra (que já iam fazer equipa na WrestleMania do ano passado até que Bayley foi retirada do cartaz por ‘lesão’) fazia com que fizesse todo o sentido que fossem elas a ganhar. Agora temos uma equipa bastante aleatória com os títulos, numa divisão de tag team feminina que está muito mais enfraquecida do que aquilo que prometia.

Nota do combate: 3/5

BECKY LYNCH É ESPERTA

AJ Lee defendeu depois o seu título Intercontinental contra Becky Lynch, com Jessika Carr como árbitra, dando logo para perceber que ia haver alguma coisa a envolvê-la. Num combate mais uma vez curto, Becky acabou por contrariar as minhas expetativas, puxando Jessika Carr para se proteger de um ataque de AJ e reconquistando o título com o Manhandle Slam.

O combate voltou a ser demasiado curto e acabou por ser mais focado na feud entre Becky e Carr do que na história entre Lynch e AJ. Pensei que Becky ia perder quando vi quem era a árbitra, por isso o final deixou-me positivamente surpreendido, mas as wrestlers voltaram a não ter grandes hipóteses quando têm tão pouco tempo para trabalhar.

Nota do combate: 3.25/5

QUEM DIRIA QUE OS FÃS GOSTAM DE WRESTLING

Numa noite que estava a deixar severamente a desejar em termos de wrestling, Seth Rollins e Gunther vieram em nosso resgate. Este sim foi um combate que deu tempo aos lutadores de fazerem aquilo que sabem e nem um nem outro desiludiram, proporcionando de longe o melhor combate da noite. No final, depois de um stomp na mesa de comentadores, Rollins foi atacado por um spear do regressado Bron Breakker, perdendo depois o combate quando desmaiou no sleeper de Gunther. Breakker depois deu outro meio spear em Rollins depois de correr a rampa (compreensível, porque o magoava a sério se acertasse o spear em cheio).

Este combate não só foi excelente, como também foi uma demonstração desta WrestleMania ter deixado tanto a desejar. Gunther e Rollins tiveram tempo para fazer o que melhor sabem, ganhou a pessoa certa com o desfecho certo e temos história para os próximos tempos, com Rollins e um Breakker que falhou esta WrestleMania devido a lesão.

Nota do combate: 4.25/5

SÓ ISTO?

Antes do main event, Stephanie Vaquer defendia o seu título feminino contra Liv Morgan, num combate que era bastante antecipado devido ao build que teve. Infelizmente, em menos de sete minutos, pouco ou nada dá para fazer. Raquel Rodriguez e Roxanne Perez interferiram a favor da sua colega dos Judgment Day e Morgan venceu com um Codebreaker das cordas e um Oblivion.

Peço desculpa se me estou a repetir, mas os tempos que foram dados à maior parte dos combates desta noite foram escandalosos. Liv pôde entrar com a sua nova música e a entrada dela (que foi boa, atenção) foi quase tão longa como o combate todo. É quase como se estar na WrestleMania vá obrigatoriamente significar um combate curto e não devia ser assim.

Nota do combate: 3.5/5

QUEM É FACE, QUEM É HEEL?

No main event da primeira noite, Cody Rhodes defendia o título da WWE contra Randy Orton, que tinha Pat McAfee no seu canto. Antes do combate começar, McAfee atacou Rhodes, mas levou rapidamente um Cross Rhodes e depois um elbow drop na mesa de comentadores por parte de Jelly Roll. Bons primeiros cinco minutos, na verdade, que deixaram apenas Rhodes e Orton, que era aquilo que a história devia ser.

O combate em si foi lento, mas propositadamente lento, com Orton a sangrar depois de um choque contra o poste e Cody a trabalhar durante muito tempo como heel, até porque Orton estava a vender uma lesão nas costas. A ação ficou mais intensa nos últimos dez minutos, depois de um RKO acidental ao árbitro quando Orton não conseguia ver. McAfee voltou como árbitro, Cody fez o kickout, Pat levou um RKO e Cody aproveitou imediatamente com um Cross Rhodes para manter o título. Depois do combate, Orton, furioso, voltou a ser heel e atacou o campeão com um punt.

Se Pat McAfee cumprir com a sua palavra, nunca mais regressa à WWE, ele tinha dito isso se Cody vencesse. De resto, este é um final que deixa mais perguntas do que respostas, numa noite em que Cody foi mais heel do que face, mas Randy acabou a ser heel na mesma. O combate foi lento durante demasiado tempo, mas propositadamente, porque eles estavam a contar uma história, e o final deixa questões sobre o que vem aí.

Nota do combate: 3.5/5

O que mais desapontou sobre esta noite foi o pouco wrestling que existiu e o imenso tempo que se gastou em outras coisas que não foram wrestling. Gunther e Rollins tiveram de longe o melhor combate da noite, Cody e Randy não foi tão bom, mas foi de certa forma propositado, Fatu e McIntyre tiveram tempo, mas não tiveram o contexto certo para proporcionar um verdadeiro Unsanctioned Match. Os outros quatro combates (incluindo os três femininos) tiveram menos de dez minutos, o que é inaceitável para uma WrestleMania. Posto isto, a nota não pode ser alta e é bom que a segunda noite seja bem melhor do que isto.

Nota final: 83/100

Bernardo Figueiredo
Bernardo Figueiredohttp://www.bolanarede.pt
O Bernardo é licenciado em Comunicação Social (jornalismo) na Universidade Católica de Lisboa e está a terminar uma pós-graduação em Comunicação no Futebol Profissional, no Porto. Acompanha futebol atentamente desde 2010, Fórmula 1 desde 2018 e também gosta de seguir ténis de vez em quando. Pretende seguir jornalismo desportivo e considera o Bola na Rede um bom projeto para aliar a escrita ao acompanhamento dos desportos que mais gosta.

Subscreve!

Artigos Populares

Eis os 5 destaques da derrota do Sporting frente ao Benfica no dérbi frente ao Benfica

O Benfica venceu por 2-1 o dérbi frente ao Sporting a contar para a 30.ª Jornada da Primeira Liga. Eis os cinco destaques da partida em que Rafa brilhou nos minutos finais.

Adeptos do FC Porto festejam golo do Benfica antes do duelo com o Tondela

Os adeptos presentes no Estádio do Dragão festejaram o golo de Rafa Silva que deu o triunfo ao Benfica frente ao Sporting.

Eis o golo de Rafa Silva que deu a vitória do Benfica frente ao Sporting

O Benfica venceu o Sporting por 2-1 no Estádio de Alvalade. Rafa Silva marcou o golo da vitória encarnada na partida.

PUB

Mais Artigos Populares

Bernardo Silva reage à vitória do Manchester City contra o Arsenal e ainda diz: «O City deu-me mais do que eu sempre sonhei»

Bernardo Silva sublinhou a importância da vitória do Manchester City contra o Arsenal. Cityzens ganharam por 2-1 na Premier League.

Hidemasa Morita marca de cabeça e empata o dérbi entre o Sporting e o Benfica

Golo de Hidemasa Morita a empatar a partida em Alvalade. Cabeceamento do médio japonês faz o 1-1 no Sporting x Benfica.

Diogo Dalot após a vitória sobre o Chelsea: «Isto é o mínimo que podemos fazer pelo clube, depois de tudo o que passámos»

Diogo Dalot realçou a importância da vitória do Manchester United frente ao Chelsea e deixou elogios aos colegas de equipa.