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Vince McMahon: A carreira de um magnata sem igual #1

Diogo Valente Vieira · 7 min

Foto: WWE

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A primeira parte de uma retrospetiva da jornada sem paralelos do fundador da World Wrestling Entertainment.

No dia 22 de julho, Vince McMahon despediu-se da WWE, empresa da qual foi afastado do cargo de CEO sob suspeitas de ter subornado uma ex-funcionária da WWE com uma ‘mala’ de três milhões de dólares (cerca de 2.85 milhões de euros) para que esta não divulgasse um alegado caso amoroso que terá existido entre ambos.

Esta mais recente polémica em torno da organização pôs termo à carreira do promotor mais importante da história do wrestling profissional. A decisão do empresário norte-americano foi comunicada através de uma curta publicação nas redes sociais. “Aos 77, é altura de me retirar. Obrigado, Universo WWE. Na altura. Agora. Para sempre. Juntos”, escreveu.

Vince viria mais uma vez a agradecer o apoio dos fãs durante os longos anos em que o empresário assumiu as rédeas da empresa multimilionária num outro comunicado, mais extenso, publicado no site oficial da WWE. “Gostaria de agradecer a todos os nossos fãs por nos permitirem entrar dentro das vossas casas todas as semanas e por sermos a vossa preferência no mundo do entretenimento. Deixo ainda o meu profundo agradecimento e admiração pelas gerações de fãs que, um pouco por todo o Mundo, gostaram, ainda gostam e em alguns cenários amam mesmo o nosso desporto.”

Depois de 42 anos ligado à indústria da WWE, pela qual desenvolveu vários papéis importantes para o crescimento da marca a nível global, McMahon deixou a presidência da empresa norte-americana ao encargo da sua filha, Stephanie McMahon. Para além de não servir mais no cargo de CEO e presidente da WWE, McMahon também está fora do cargo de chefe do departamento criativo, posição atualmente ocupada por Paul Levesque, também conhecido por Triple H, que simultaneamente reassumiu as funções de responsável de “Talent Relations”.

Acima de tudo, este é o fim de uma era que vale a pena recordar. McMahon foi o presidente da WWE desde que comprou a empresa ao seu pai, em 1982. De lá para cá, Mr. McMahon, como viria a ser apelidado, transformou a pequena empresa de um dos muitos territórios que operavam nos Estados Unidos na mais poderosa organização de wrestling profissional do mundo.

Em adição à sua posição enquanto membro executivo da empresa, McMahon também foi muitas vezes um elemento ativo no ringue, com especial destaque para a icónica rivalidade com o anti-herói “Stone Cold” Steve Austin durante o período dourado da “Attitude Era” ( final dos anos 90 e início dos anos 2000).

Mas, para se ter uma noção do impacto que o antigo CEO da WWE teve na evolução e afirmação de uma das marcas mais famosas a nível global, é necessário recordar alguns dos momentos e decisões que eternizaram uma carreira verdadeiramente única.

A AMBIÇÃO QUE LEVOU AO WRESTLING DOS GLORIOSOS ANOS 80

A paixão de Vincent Kennedy McMahon pelo mundo peculiar do wrestling profissional surgiu aos 12 anos, altura em que conheceu o promotor da Capitol Wrestling Corporation (CWC), o seu pai, Vincent J. McMahon. A partir daí,  McMahon interessou-se em seguir os passos do seu progenitor, inclusive acompanhando-o muitas vezes ao Madison Square Garden.

Em 1969, McMahon fez a sua estreia como locutor na antiga WWWF e, já na década de 1970, tornou-se numa força proeminente na empresa do seu pai. Aliás, foi Vincent K. McMahon o grande responsável pela renomeação da empresa para World Wrestling Federation (WWF), denominação esta que continua a ser utilizada por alguns fãs apesar do seu desuso.

Em 1982, McMahon adquiriu oficialmente o controlo da WWF, numa altura em que o wrestling profissional era um negócio regulado por organizações regionais e em que vários promotores não invadiam os territórios uns dos outros, já que essa prática perdurava há décadas. Não obstante, McMahon tinha uma visão diferente daquilo que a indústria poderia tornar-se e começou a expandir a empresa à escala nacional, promovendo combates em áreas fora do nordeste dos EUA e procedendo à contratação de talentos de outras empresas, como a American Wrestling Association (AWA).

Aliás, foi através de uma destas contratações que o wrestling profissional passou a ocupar um lugar permanente no círculo mediático dos EUA. Em 1984, Vince recrutou nem mais nem menos do que Hulk Hogan para ser a nova superestrela da WWF, um acordo que inevitavelmente impulsionaria a Rock ‘n’ Wrestling Connection, no qual as histórias do mundo do wrestling incorporavam estrelas da música e atores norte-americanos.

A aposta em Hulk Hogan e no movimento Hulkamania rapidamente deu lucros inimagináveis para a empresa. Atualmente, Hulk Hogan é um dos maiores lutadores da história do wrestling e as suas rivalidades com lutadores como Ultimate Warrior, Randy Savage, Jake Roberts  e Andre the Giant são alguns dos destaques da televisão do início dos anos 80.

Como resultado, a WWF foi capaz de expandir a sua base de fãs para um público nacional, impulsionando McMahon a inaugurar a primeira WrestleMania de sempre no Madison Square Garden, disponível em circuito fechado de televisão em vários mercados nos Estados Unidos. O sucesso daquele que viria a ser o mais importante pay-per-view do calendário anual da WWE teve um impacto significativo no denominado boom do wrestling profissional da década de 1980, um espaço de tempo no qual Vince era o principal locutor e apresentador.

Por detrás dos bastidores, Vince McMahon moldou a WWE numa marca de entretenimento desportivo única que alcançou o público familiar, ao mesmo tempo que atraía fãs que não prestavam atenção ao wrestling profissional anteriormente. Em 1987, a empresa supostamente atraiu 93.173 fãs para o Pontiac Silverdome (que foi chamado de “maior multidão na história do entretenimento desportivo”) para a WrestleMania III, que contou como  evento principal a luta entre Hulk Hogan vs. André the Giant.

UMA «NOVA GERAÇÃO» E AS PRIMEIRAS POLÉMICAS

Os primeiros anos da década de 90 foram muito conturbados para McMahon e companhia, não só no ringue, mas também fora dele. Em 1991, foi relatado que Hulk Hogan, Roddy Piper, Rick Martel, Brian Blair e Dan Spivey testemunhariam que haviam comprado esteróides ao então médico da WWF, Dr. George T. Zahorian, que estava sendo acusado de distribuição ilegal da droga.

Dois anos depois, Vince McMahon foi indiciado devido à sua conexão com Zahorian e enfrentou uma possível pena de prisão de oito anos e uma multa avaliada em 500.000 de dólares se condenado. Dias depois, Hogan admitiu que o uso de esteróides entre os lutadores da WWF era comum, mas negou ter sido pressionado a fazê-lo por McMahon.

O empresário acabaria por ser absolvido de todas as acusações, mas este episódio com a justiça norte-americana seria o precursor de uma era que é hoje lembrada como a mais inconsistente da vasta história da organização. Com os negócios em baixo em 1992 devido à má imagem pública deixada pelo escândalo, Vince McMahon começou a introduzir jovens talentos para o centro das atenções nos anos seguintes.

Em meados de 1993, Bret “Hit Man” Hart, Shawn Michaels, The Undertaker, Razor Ramon, Diesel, Lex Luger, Yokozuna, Owen Hart, Crush, Tatanka e outros tornaram-se as estrelas do que a WWF acabou por chamar de “New Generation”. Hulk Hogan deixaria a empresa nesse mesmo verão e Hart tornar-se-ia uma das estrelas mais populares desse período, até à sua saída em 1997.

Ainda assim, as polémicas não deixavam de perseguir McMahon. A 3 de abril de 1992, a ex-árbitra da World Wrestling Federation (WWF) Rita Chatterton, que havia sido demitida em 1986, acusou McMahon de violação no programa Now it Can Be Told, de Geraldo Rivera. McMahon negou as acusações e processou Chatterton e Rivera, acusando-a de conspirar com o ex-lutador David Schultz para chantageá-lo. Um ano depois, McMahon retirou o processo.

Enquanto isso, a concorrência entre as principais empresas de wrestling aumentou. Em 1994, a WCW assinou com Hulk Hogan e outras ex-estrelas da WWF contratos para  vários anos e em 1995 lançou o «Monday Nitro» na TNT, para enfrentar o Raw, iniciando assim  os “Monday Night Wars”.

Em meados de 1996, com a introdução da New World Order (NWO), uma equipa liderada pelos ex-lutadores da WWF Hulk Hogan, Scott Hall (Razor Ramon) e Kevin Nash (Diesel), o «Monday Nitro» iniciou quase dois anos de liderança inconstestável nas audiências televisivas. Mais talentos acabariam por deixar a WWF em favor da WCW, incluindo Ted DiBiase, Curt Hennig e a então campeã feminina da WWF Alundra Blayze.

Foto de Capa: WWE

Diogo Valente Vieira

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