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Com “cabeça” se fez história | Desportos de Inverno

Diogo Rodrigues · 3 min

Com “cabeça” se fez história | Desportos de Inverno
Foto: COP Portugal

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Na manhã de sexta-feira em Portugal, fim do dia em Pequim assistiu-se à segunda estreia lusa na presente edição, a 24ª, dos Jogos Olímpicos de Inverno. A capital chinesa apadrinhava a primeira vez de José Cabeça, alentejano de  25 anos natural de Évora, que atuaria na prova de esqui de fundo na variante de 15km em estilo clássico.

Salientar que o nosso representante orientado por Ragnar Andresen ex pentacampeão do mundo de Rollerski, havia começado no triatlo saltando apenas para a referida especialidade em 2020, onde se classificou nos 140 primeiros aquando dos Campeonatos do Mundo realizados em solo germânico, na cidade de Oberstdorf.

Ele que após  se mudar para o Dubai  por motivos profissionais, destino que longe de  ser célebre pela tradição em desportos de inverno  lhe abriu algumas portas. Após uma afincada preparação na península escandinava nos três meses prévios ao evento, era hora de colher os frutos de tão exigente trabalho.

De realçar que a disputa teria lugar no formato de contra-relógio com um intervalo de 30s entre a partida de cada um dos 99 participantes, bem como é necessário explicar que ao contrário do habitual em provas regulares da Taça do Mundo de Esqui de Fundo este circuito se caraterizava por ter ascensões longas mas pouco íngremes, isto quando comparadas com as que os atletas têm por costume enfrentar.

O título olímpico da especialidade era aqui defendido pelo enorme vulto da modalidade, o três vezes medalhado de ouro em olimpíadas, o suíço Dario Cologna, ele que não recolhia grande favoritismo para o replicar, vistos os seus 35 anos e a sua precária forma na preparação para aqui chegar, sendo que para um esquiador do seu nível a temporada estava a ser pouco menos que horrível!

Na primeira linha no ataque aos metais estavam: Russos, Noruegueses e Finlandeses, nações que a par da Suécia detêm o maior número de medalhas nesta disciplina em Jogos Olímpicos .

Seria logo, desde muito cedo que Cologna sucumbiria ao peso da idade e às muitas horas de esforço sob os esquis, acumulando um prejuízo que o levaria a terminar bem longe da parte cimeira da tabela, arredado inclusive do Top 40 tal como o seu contemporâneo o gaulês Maurice Manificat, outro “freguês” que já conquistou tudo o que era possível e imaginário nesta ultra desgastante mas  excitante  modalidade.

Liderando de fio a pavio a competição, registando o tempo mais rápido  em todos os pontos de cronometragem ao longo do percurso e após o bronze no Skiathlon, eis que o finlandês Niskanen conquistava a sua terceira medalha de ouro em outras tantas edições, ainda que a primeira nos 15km em estilo clássico, tornando-se deste modo no segundo atleta desta nação a consegui-lo depois do sucesso de Eero Mantyranta nos Jogos de Innsbruck 1964.

Esta medalha seria conseguida com um avanço de 23.2s face ao ouro no Skiathlon e vencedor da Taça do Mundo de Esqui de Fundo, o mais completo esquiador da atualidade o russo Bolshunov que bateria o norueguês Klaebo que ficaria a 37.5s do metal mais desejado por todos. Sendo que e curiosamente todos eles já se haviam sagrado medalhados na presente edição do certame.

Quanto ao nosso patrício, José Cabeça fez um apronto em claro crescendo, iniciando o trajeto mais lentamente revelou arte e engenho para ir ascendendo posição após posição e talvez pela capacidade física ostentada consequência da prática de triatlo durante o verão foi adquirindo um ritmo cada vez mais consistente, veloz e sem oscilações, resultando na melhor participação de sempre para as nossas cores nesta vertente competitiva, arrecadando a  88ª posição a 11.17  do vencedor,  quebrando assim o record fixado por Danny Silva que em Vancouver 2010 havia concluído a aventura no 94º posto .

Para além do marco histórico alcançado Cabeça mostrou que com: obstinação, persistência, força de vontade e enorme espírito de sacrifício todos somos capazes de atingir os nossos sonhos. Pelo seu desempenho poderá ser um exemplo, inspiração e um modelo a seguir por todos aqueles que um dia sonham estar no maior evento desportivo à escala global.

Foto de capa: COP Portugal

Diogo Rodrigues

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