Seja bem-vindo, Sr. Samurai! | Saltos de Esqui

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Depois da escala em Zakopane a Taça do Mundo de Saltos de Esqui regressava após três anos à estância nipónica de Sapporo, para uma inédita tripla jornada, 300 pontos  em jogo numa altura em que estamos aproximadamente a meio da época mais longa da história. O trampolim Okurayama  de 137m que via o K-point fixado aos 123, pelo facto de possuir uma cobertura plástica, e cujo record datava de 2019 da autoria de Kamil Stock, 148.5m, recebia a caravana num fim-de-semana onde e como é norma por estas paragens as bancadas estariam com um ambiente desolador, completamente despidas de público. Algo estranho, e, em minha opinião, pouco admissível quando em presença de atletas desta qualidade e nível!

Nem a mudança de ares parecia importunar um imparável Granerud

Numa qualificação em que se destacava um forte contingente caseiro no qual se incluía o veteraníssimo Kasai de 50 anos que assim retomava as suas aparições entre a elite, ele que ainda detém o record de atleta mais velho de sempre a triunfar em eventos desta magnitude ,que Granerud voltava a dar um “bigode” à concorrência fruto de 138.5m, deixando a uma mão cheia de metros, o que vai sendo o seu maior rival na luta pela geral, Kubacki. Já em terceiro terminava, executando mais meio metro que o polaco, o veterano Fettner. Ainda para lá dos 130 Wellinger tentava limpar a má imagem recente deixada pelo exército bávaro, enquanto falhando essa cifra por dois metros Zajc era o melhor esloveno em quinto. Com os melhores da temporada presentes nos dez mais pontuados do apronto, a exceção era Lanisek que falhava esse objetivo por escassa margem assim como Ryoyu , que averbando 128.5m parecia abrir perspetivas a um bom desempenho entre portas. Geiger, Lindvik e Eisenbichler davam indicações de não estar preparados para voltar aos lugares de excelência, contudo melhores que Johansson e Domen Prevc que se salvavam, à pele, de uma frustrante eliminação precoce. Contrariamente a Yukiya Sato e ao “avozinho” Kasai que desperdiçariam a hipótese de participar na competição a realizar instantes mais tarde.

Kubacki puxava dos galões, mas concorrência respondia a altura

Numa primeira ronda onde, embora calmo, o vento atribuía pequenas penalizações, quem ia comandando detendo 3.9 pontos de vantagem amealhando 137m era  Kubacki, com Ryoyu que  atuava, finalmente, ao seu nível, a ser segundo registando menos dois metros, contudo subsistiam dúvidas se seria capaz de manter essa : assertividade, consistência e perfeição na ronda das decisões, até porque Granerud estava à perna! Também Stoch e Wellinger, praticamente colados pretendiam alcançar um pódio. Já fortemente condicionados a conseguir tal objetivo estavam Lanisek e Kraft, sétimo e décimo colocados respetivamente, num dia em que: Eisenbichler, Geiger, Lindvik e Forfang voltavam a desiludir. De fora da ronda final: Wasek, Raimund e Domen Prevc teriam de ver a mesma dos imponentes ecrãs gigantes colocados no exterior do complexo!

Onde andavas tu, Ryoyu?

Com a segunda ronda veio uma súbita alteração no sentido e intensidade do vento, obrigando a organização a descer em duas posições o portão. Com as marcas, bem mais modestas a serem assinadas do sete, quem e para contentamento dos poucos compatriotas voltaria a experimentar uma sensação que ainda não vivera na temporada vigente, seria Kobayashi, que voaria 130m. Kubacki descaindo para os 125.5m seria segundo, dilatando assim a vantagem na geral, pois e rubricando mais meio metro Granerud seria apenas terceiro. Stoch conseguia o melhor resultado da época, enquanto Kraft era quinto. Lanisek trepava até sexto, perdendo folgo, ao passo que Tande, mas principalmente, Deschwanden subiam a um fantástico Top dez. Lindvik, Eisenbichler e Geiger continuavam a travessia no deserto vivida no presente campeonato, enquanto Fettner se “afundava” em 27º. O apronto ficaria ainda marcado pelo primeiro ponto somado pelo canadiano, Boyd-Clowes na  presente edição da Taça do Mundo de Saltos de Esqui.

O duelo prosseguia!

Com as bancadas um pouquinho mais bem compostas, seria bem cedo que se realizava a qualificação para a segunda competição individual. Saindo na frente com recurso a 144.5m Kubacki parecia refeito do erro do dia anterior. Granerud ficava em segundo, totalizando menos quatro metros enquanto Hoerl ia surpreendendo ao efetuar 140. Tschofenig e Lindvik deixavam água na boca para o que  poderia seguir-se, tal como Zyla disposto a retocar a face.  Num tramo em que: Lanisek, Stoch, Kraft e Geiger mostravam ainda ser necessário limar algumas arestas! Johansson e Eisenbichler pareciam continuar o marasmo vivido até ao momento na temporada, enquanto: Tande, Koudelka e Gelar assinavam registos paupérrimos, despedindo-se bem cedo!

Lanisek com “desastre” aterrador!

Com o vento a dar uma enorme ajuda a estes saltos de esqui, assistir-se-iam a registos altamente inflacionados com alguns praticantes de menor craveira a intrometerem-se, inesperadamente, na luta pelos lugares do pelotão cimeiro. Angariando 139m quem ia liderando era o baixinho, com Kraft a totalizar mais de dezena e meia de pontos de avanço sob Granerud que se quedava pelos 129.5.  Um dos claros exemplos do inflacionamento de algumas marcas ia sendo o polaco Alexander Zniszczol que com 141m ia partilhando a terceira posição com Peter Prevc, que assinara menos cinco. Quanto a Kubacki era sexto, com o recém papá a voar 131.5m. Stoch e Tschofenig, não obstante dentro do lote dos dez mais, viam como uma miragem chegar ao pódio, isto caso não conseguissem apresentar um segundo salto épico, à semelhança de Ryoyu! Geiger e Johansson iam estando completamente fora dela, tal como : Hoerl, Eisenbichler e Domen Prevc, sendo que os dois  últimos não atinavam com a estrutura!  Lanisek sofreria o maior revés da temporada, até à data, ficando de fora da ronda final, e, portanto, dos pontos, ao precipitar-se somando precários 103.5m, algo que colocava em questão o terceiro lugar na corrida ao globo!

Kraft celebrava e Ryoyu mostrava estar aí para as curvas!

Com a organização da Taça do Mundo de Saltos de Esqui a ser forçada a efetuar várias alterações no portão, mas com as condições, em minha opinião, a serem mais iguais e justas para todos os intervenientes, quem “picaria” o ponto pela segunda vez na temporada, valendo-se da vantagem angariada, seria Kraft, fruto de 135.5m.A vice-liderança ficaria para Granerud com o viking a amealhar 132, enquanto e vindo da 11ª posição Ryoyu alcançava novo pódio na sequência de memoráveis 137.5m. Kubacki minimizava diferenças sendo quarto, com o regular Tschofenig a finalizar em quinto. De salientar o primeiro Top dez saboreado pelo esloveno Zak Mogel entre a elite, bem como que  Lindvik, Geiger e Johansson não conseguiam  recuperar inspiração. O grande “trambolhão” pertenceria como previsto a Zniszczol, que não aguentaria a pressão!

Um possível bis à espreita!

Ainda com o dia a irromper em Sapporo, teria lugar uma qualificação em que Koba voltaria a ser melhor que os adversários, embolsando novo cheque, depois de somar 140m. Kraft lograria atingir 139, registo idêntico ao rubricado por Peter Prevc. Quanto a Hoerl e Wellinger iam-se mostrando competitivos, com os dez melhores a serem todos nomes amplamente estrelados! Granerud encerrava esta verdadeira “constelação”, nada que não fosse emendável! De referir que ficando pelos 130m, Kubacki via nomes como: Tande, Geiger, Lindvik ou Ipcioglu terminarem adiante de si, num dia na Taça do Mundo de Saltos de Esqui em que não se registavam baixas relevantes, com a 18ª prova da época a prever-se: equilibrada, espetacular e bem emocionante!

“Príncipe” e “Rei “ frente a frente!

Com a noite já como pano de fundo teria lugar uma primeira ronda fértil em surpresas. Na frente não havia lugar às mesmas, com Granerud a decidir estrategicamente baixar o portão, retirando dividendos disso mesmo e fruto de 140m ia comandando. Ameaçando ferozmente o viking, Kobayashi era segundo executando um metro mais, enquanto Zajc e Forfang impressionavam partilhando o terceiro posto: o primeiro ultrapassava os 142 em meio metro, ao passo que o segundo acrescentaria mais um metro a essa distância. Kubacki era sexto registando já prejuízo irrecuperável, tal como Stoch e Lanisek! Já Eisenbichler e Peter Prevc estavam dispostos a voltar às exibições de excelência. Quanto a destaques pela negativa: Hayboeck, Tand, Geiger, Johansson e  Lindvik ficavam mesmo arredados da ronda de despedida ao Okurayama!

Isto sim é Ryoyu!

Apesar do vento trazer várias mudanças, não conseguiria travar um revitalizado Kobayashi, que assinava mesmo um bis improvável nesta Taça do Mundo de Saltos de Esqui. Granerud via a diferença para o topo encurtar-se a olhos vistos, dado que seria segundo e os mais diretos rivais  Lanisek e Kubacki seriam respetivamente nono e 11º colocados, sendo que o polaco teria o seu pior resultado do campeonato, contrariamente Sundal e Nikaido findando nos quinze primeiros angariavam os melhores resultados da carreira neste patamar de competição. Já Kraft e Stoch desapontariam em toda a linha!

Agora e antes de viajar até solo austríaco para se competir no Kulm  em Tauplitz Bad Mitterdorf, as contas na corrida ao grande globo vão estando assim: Kubacki comanda com 1164 pontos, seguido cada vez mais de perto por Granerud que totaliza 1116. Já Lanisek mantém o bronze  colecionando 941 pontos.

Até à próxima!

Marcamos encontro? Espero por si desse lado.

A FIGURA

Ryoyu Kobayashi – Após regressar ao Japão num estado de forma longe do recomendável, foi notável como conseguiu transformar a sua temporada nos Saltos de Esqui em apenas três dias, somando outras tantas subidas ao pódio. Teremos de volta o vencedor da águia dourada e do grande globo  para ficar até ao fim do campeonato? Ou será que foram boas exibições passageiras e que de volta ao velho continente se  acabarão por desvanecer? Se dúvidas existissem este é mesmo um fenómeno!

A DESILUSÃO

Anze Lanisek Com a regularidade sempre como estandarte, foi após 15 provas nesta Taça do Mundo de Saltos de Esqui que finalmente apareceram as primeiras “pedras no caminho” para Lanisek, com este a não ter adorado, certamente, a cidade e em particular o trampolim de Sapporo. Ainda de tenra idade, mas com uma grande e aparente maturidade e sobriedade em tudo o que faz, será ele capaz de voltar a ostentar a regularidade que o leva a estar ainda na discussão pelo grande globo? Ou demorará a colmatar este , pequeno desaire, necessitando de algum tempo para se recompor? Com os voos de esqui aí à porta, este parece ser um palco no qual Anze pode restabelecer a eventual confiança perdida.

Diogo Rodrigues
Diogo Rodrigueshttp://www.bolanarede.pt
O Diogo é licenciado em Ciências da Comunicação pela Universidade Lusófona do Porto. É desde cedo que descobre a sua vocação para opinar e relatar tudo o que se relaciona com o mundo do desporto. Foram muitas horas a ouvir as emissões desportivas na rádio e serões em família a comentar os últimos acontecimentos/eventos desportivos. Sonha poder um dia realizar comentário desportivo e ser uma lufada de ar fresco no jornalismo. Proatividade, curiosidade e espírito crítico são caraterísticas que o definem pessoal e profissionalmente.

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