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Zakopane não foi “fortaleza” | Saltos de Esqui

Diogo Rodrigues · 6 min

Saltos de Esqui
Foto: FIS Ski Jumping

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Era e após uma festa Norueguesa, com a conquista de Halvor Egner Granerud do Torneio dos Quatro Trampolins algo que não sorria a um viking desde meados da década transata, que a Taça do Mundo de Saltos de Esqui  regressava e logo num palco emblemático , daqueles onde se vibra como se de um jogo de futebol se tratasse! Zakopane era o palco, com as bancadas do Wielka Krokiew lutadas como sempre, uma estrutura de 140mcujo K-Point se encontra aos 125 e que vê o record vigorar desde 2020 da autoria do nipónico Yukiya Sato, 147m.

De referir que eram ausências de vulto os atletas do país do sol nascente tal como todo o contingente italiano optando por falhar o fim-de-semana em solo polaco isto em vésperas de uma longa e desgastante viagem até ao outro lado do mundo para competir no Okurayama de Sapporo, após mais de dois anos sem  qualquer evento devido aos constrangimentos provocados pela pandemia de Covid19. Saliente-se que esta jornada contemplava: uma ronda qualificativa, um evento individual e um coletivo, sendo talvez pelo facto de apenas 100 pontos estarem em jogo que se verificavam esses importantes desfalques.

NOVATO MOSTRAVA TER APETITE PARA DEVORAR “TUBARÕES”

Com as bancadas à pinha e num dia em que apenas 51 participantes tentariam a qualificação, era certo que a fava calharia apenas a um, pois seriam 50 os apurados para o apronto individual de domingo. Quem faria surpresa conquistando os primeiros 3.000 francos suíços de uma ainda curta, mas promissora carreira, seria o austríaco Tschofenig, com o feito a ser conseguido na sequência de 138.5m, deixando o líder da geral, Kubacki, a uma mão cheia de pontos, bem como a mais de uma dezena de metros, sendo que Lanisek totalizando 126 era terceiro. Também  para lá dos 130, numa disputa em que o vento assaz irregular em termos de direção e intensidade resolvia influir no normal desenrolar da mesma, voariam Kraft e Wellinger, integrando os cinco mais, lote ao qual não pertencia o homem do momento, Granerud, que azarado com as condições das quais dispusera  se ficava pelos 123m, algo facilmente  corrigível na competição a “doer”! Quanto aos locais Zila e Stoch tentavam adquirir ritmo num trampolim que bem conheciam e que tinha por hábito ser-lhes favorável. Domen Prevc e Tand beneficiando do reduzido número de participantes, asseguravam presença para domingo, ainda que com exibições para lá de paupérrimas! Algo também conseguido por romenos, norte-americanos e turcos, um verdadeiro bar aberto! Com o infortúnio a caber ao checo Lejsek.

POLÓNIA E ÁUSTRIA NUMA LUTA ATÉ AO DERRADEIRO SALTO!

Com as muitas ausências verificadas e num dia em que as condições seriam em tudo semelhantes às do dia anterior, eram apenas nove as nações participantes no primeiro evento coletivo da época, sendo que a estriar-se em competições desta magnitude a Roménia seria a grande candidata a ficar, precocemente, pelo caminho! A ideia que existiria uma espécie de corrida pelo pódio em que: Polónia, Áustria, Alemanha, Noruega e Eslovénia se assumiriam como  favoritas a aí marcar  presença, bem como de que: Finlandeses, Norte-americanos, Checos e Romenos digladiar-se-iam pela passagem à segunda ronda, tornar-se-ia , de facto, real. Os  caseiros: Kubacki, Stoch, Zyla e o inexperiente Wasek, ainda que com pouca margem iam comandando no final da primeira metade, seguidos pelos austríacos: Kraft, Fettner, Hayboeck e o motivadíssimo Tschofenig, com cada uma das formações a ter liderado por duas mangas. O deslize do baixinho, 123m,que teria de ser rapidamente colmatado era  motivo para  deixar os do país do esqui a dois pontos do topo. A armada bávara: Eisenbichler, Wellinger, Geiger e o jovem Raimund seguravam a terceira posição, enquanto: Granerud, Forfang, Lindvik e Sundal conferiam à noruega uma desapontante prestação, com apenas o primeiro  a parecer estar ao seu nível! Já o quarteto esloveno: Peter Prevc, Lanisek, Zajc e Cos a ocupavam o quinto posto. Finlândia, EUA e Chéquia, embora longe de entusiasmar conseguiam voltar a atuar, com a premonição a ser concretizada: a Roménia ficava mesmo arredada de uma segunda ronda na qual a luta pelos lugares cimeiros  pensava ser-se :intensa, interessante, equilibrada e frenética!

APESAR DE UM SUSTO FINAL, AUSTRÍACOS SOMAVAM TRIUNFO ESPECIAL

Numa segunda parte de compita em que os registos rubricados por Geiger e Eisenbichler respetivamente, 138 e 140m se evidenciariam como os mais distantes do dia, seriam e não obstante novo susto proporcionado pelos escassos 123.5m de Kraft, os austríacos a celebrar  com um ponto de vantagem sob os anfitriões, mesmo por uma nesga! Os dois tremendos voos germânicos garantir-lhes-iam um saboroso pódio. Eslovenos e uns apagadíssimos vikings, também ficariam dentro do Top cinco, com: finlandeses, norte-americanos e checos a fecharem a tabela. De realçar o facto dos EUA terem concluído adiante dos checos, algo bem revelador do atual estado de coisas, isto se nos recordamos que no início deste século os europeus venciam uma águia dourada e um grande globo através do incrível Jakub Janda.

KUBACKI DAVA ESPERANÇA A UM MAR DE COMPATRIOTAS

Era com 25.000 nas imediações do trampolim que se ia vendo uma ronda inicial em que o equilíbrio ia sendo nota dominante, com esses mesmos  na sua grande maioria a ter razões para se vitoriar, tudo porque  Kubacki ia liderando fruto de 137.5m.O surpreendente atleta de   Bischoffen, Jan Hoerl, totalizando 139m mas mais penalizado tecnicamente ia sendo o vice-líder, enquanto na terceira posição havia, um raro, empate entre Granerud e Lindvik: o primeiro somava 129m, ao passo que o mais jovem angariava um metro menos, com o lote dos cinco melhores a contar igualmente com  Kraft que fizera 134. Wellinger em sétimo liderava um pelotão de germânicos, que embora todos com carimbo na  ronda final não pareciam capazes de apresentar um resultado condizente com o seu glorioso passado. Lanisek era apenas décimo, enquanto Tand e Fettner se encontravam aquém dos vinte mais. O grande destaque pela negativa ia cabendo a Zyla, com o veterano da casa a ficar-se por uns incrivelmente curtos 111.5m. Seriam os anfitriões capazes de sorrir por último em mais um extraordinário fim-de-semana ?

SUBLIME E INTRATÁVEL: ASSIM FOI NOVAMENTE GRANERUD

Numa ronda final em que a qualidade dos mais renomados se sobrepôs à inexperiência dos mais jovens, a resposta seria não! Kubacki desperdiçaria o ensejo! E na sequência de insuficientes 124m, abriria caminho para novo êxito de Granerud, com este a alcançar os 141m. Kraft falhando o record da estrutura por metro e meio amealharia mais um para a extensa coleção de pódios ao mais alto nível! Lanisek chegaria à quarta posição, enquanto  Hoerl “caía” até à quinta! Isto num dia em que Eisenbichler recuperaria até sexto e em que o vencedor da qualificação  findaria em nono. Já  Geiger e Fettner acabariam entre os 15 melhores.

Com as atenções a virarem-se já para Sapporo, uma das últimas paragens antes dos mundiais de esqui nórdico, a geral vai sendo comandada por Kubacki que detém 1010 pontos, Granerud ultrapassa Lanisek ascendendo a segundo com 896, enquanto o esloveno leva 872.

Marcamos encontro para a próxima?

Espero por si, desse lado!

A FIGURA

Halvor Egner Granerud – Começam a faltar palavras para descrever este saltador, alguém que perante as adversidades e os obstáculos responde sempre  e acaba por emergir, muitas vezes , vitorioso. Com uma garra, abnegação e persistência incríveis , salvo melhor opinião, aproximar-se-á  cada vez mais do topo sendo o maior candidato a abraçar algo que conquistou há duas temporadas. Quem parará a sua “fome” de sucessos?

A DESILUSÃO

Piotr Zyla – O sempre bem disposto saltador de Wisla teve um desempenho bem abaixo do esperado, algo que decerto não o fará sorrir! Não tendo acrescentado grande valor no evento coletivo, seria a título individual que coroaria um fim-de-semana para esquecer rapidamente.

Diogo Rodrigues

Redação Bola na Rede · ver artigos